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7 dicas para se adaptar às mudanças de mercado, segundo o CEO da 99Taxis

A chegada da Uber no Brasil deu o que falar no ano passado. À medida que passageiros começaram a aderir ao serviço no país, surgiu uma série de campanhas por parte dos taxistas, que consideravam o serviço sem regulamentação ilegal. Em alguns episódios, houve até agressão aos motoristas do app norte-americano. De imediato, representantes do poder público não souberam como reagir e a startup foi proibida temporariamente em algumas cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

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Desde o começo, os donos da 99Taxis, popular aplicativo de mobilidade do Brasil, não viram no confronto a melhor resposta. Em vez de ir de encontro à novidade, eles decidiram aprimorar seu aplicativo para enfrentar os concorrentes.

“Isso [a chegada da Uber] ajudou a subir a barra de qualidade para os prestadores de serviço. Pensamos: ‘Pô, podemos fazer algo melhor'”, conta Paulo Veras, CEO da 99Taxis. De acordo com ele, o aplicativo liderou junto à prefeitura de São Paulo um debate mais amplo sobre como deveria ser o serviço particular de mobilidade na capital.

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Aparentemente, deu resultado. Enquanto 2015 foi um ano difícil para muitos negócios, a empresa registrou crescimento entre 10% e 15% ao mês no número de corridas. Cada vez mais taxistas também começaram a aderir ao app. Hoje, com 150.000 cadastrados, a empresa ganha cerca de 100 novos motoristas registrados por dia. As projeções para 2016 são ainda mais positivas.

Veja na galeria de fotos 7 dicas de como se adaptar às mudanças do mercado para ter sucesso:

  • Aprenda com os concorrentes

    Em vez de brigar com as tendências, tente aprender com elas. Mesmo que, aparentemente, elas interfiram de forma significativa no seu negócio. A 99Taxis não atacou a Uber, mas decidiu se perguntar por que havia passageiros que preferiam o app norte-americano.

    “De uma certa forma, ajudou a evidenciar que tinha gente querendo outras categorias de serviço”, afirma Veras. A medida da empresa, então, foi aprimorar o seu app mais uma vez: introduzir a estimativa de tarifa, melhorar o opção de carros de luxo e até oferecer veículos com suporte para bicicleta.

  • Pesquise

    São Paulo já tinha uma categoria especial de táxis de luxo, todos pretos com placas vermelhas, há trinta anos, muito antes de a Uber ser inventada. Não se sabia, no entanto, qual a demanda deste tipo de serviço na cidade. “Eram menos de 200 carros. Nós mostramos que tinha gente chamando, mas não conseguia carro”, conta Veras. O app fez um estudo e mostrou que, para atender à demanda, a cidade deveria liberar 5.000 novos alvarás. O número foi atendido pela prefeitura.

  • Acompanhe o negócio de perto

    Um dos principais argumentos dos que aderiram à Uber é a qualidade do serviço. A propaganda de que o passageiro seria atendido não só com água e balas, mas por um motorista educado e atencioso, atraiu muitos usuários. Veras conta que isso só fez com que eles continuassem a cobrar a excelência dos motoristas filiados ao seu serviço.

    “A gente controla as notas dadas pelos passageiros muito de perto. Semanalmente, a gente faz um corte e vê os que estão piores. Para estes, a gente liga e fala: ‘Seu serviço está abaixo do desejado, recebemos algumas reclamações pontuais, como, por exemplo, o carro não estar no nível de limpeza que deveria”, conta o CEO. “Damos feedbacks bem específicos para elevar a barra de avaliação. Se não funcionar, desligamos [o motorista] do aplicativo.” Ele diz que a orientação, geralmente, funciona: dos 150.000 inscritos, apenas 2.000 sofreram a punição definitiva.

  • Ouça a todos

    A empresa tem um grupo focado em expansão do mercado, mas, de acordo com Veras, as ideias vêm de todos os lados – não só de dentro da companhia. Podem vir, por exemplo, de sugestões de taxistas, com quem há contato diário tanto por telefone como pessoalmente, e de dicas de passageiros.

    “Isso serve para qualquer produto, mas especialmente para quem trabalha com tecnologia. Como estamos sempre mudando o aplicativo, recebemos muitas sugestões e reclamações: uns ligam e falam que não gostaram do novo botão ou do novo mapa, que ficou mais lento”, afirma o CEO. “Nós levamos tudo em conta. Para nós, como empresa, tanto os taxistas quanto os passageiros são nossos clientes. Temos de ouvir.”

  • Ofereça outros serviços

    Mais uma vez: em vez de lutar contra certas tendências, englobe-as. As grandes metrópoles ao redor do mundo, como São Paulo e Londres, têm aumentado seu esquadrão de bicicletas, tanto em nome da mobilidade urbana como pela diminuição da emissão de CO2. “O táxi pode ser usado como parte do trajeto. Se você tem um caminho longo, pode pegar metrô, ônibus ou bicicleta e completar com o táxi”, argumenta Veras.

    Em vez de apenas estimular o uso do táxi, a empresa de Veras não só criou uma opção de chamada para carros com suporte para bicicleta como fez um investimento próprio para distribuir racks para mais de 1.000 motoristas interessados.

  • Atualize suas formas de arrecadação

    A 99 Taxis nunca cobrou mensalidade ou taxa de seus taxistas ou clientes por uso do aplicativo. Qual a maior fonte de renda da empresa, então? Entre as várias, a principal é a intermediação financeira. “Quando um cliente chama pelo 99, coloca seu cartão de crédito e paga por ali”, explica Veras.

    É uma forma eficiente de modernizar motoristas e clientes ao facilitar os pagamentos. Esteja sempre ligado na otimização das formas de pagamento e arrecadação.

  • Entenda que as mudanças são constantes

    A velocidade do mundo atual, em especial no mercado de tecnologia, impõe mudanças cada vez mais rápidas às empresas. Produtos, estratégias e ideias precisam ser revistos constantemente. “Nós temos certeza de que, daqui a dois, três anos, as regras vão ser diferentes. A nossa questão não é brigar um contra o outro: a gente precisa evoluir junto ao sistema”, afirma Veras.

Aprenda com os concorrentes

Em vez de brigar com as tendências, tente aprender com elas. Mesmo que, aparentemente, elas interfiram de forma significativa no seu negócio. A 99Taxis não atacou a Uber, mas decidiu se perguntar por que havia passageiros que preferiam o app norte-americano.

“De uma certa forma, ajudou a evidenciar que tinha gente querendo outras categorias de serviço”, afirma Veras. A medida da empresa, então, foi aprimorar o seu app mais uma vez: introduzir a estimativa de tarifa, melhorar o opção de carros de luxo e até oferecer veículos com suporte para bicicleta.

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