Carreira

Como se relacionar com um gênio no ambiente de trabalho

Engana-se quem pensa que gênios são pessoas pertencentes a uma categoria de seres humanos especiais, que ocupam uma parcela significativa do dia estudando e trabalhando em um laboratório. É comum associá-los a um cientista da envergadura do físico alemão Albert Einstein (1879-1955). Porém, para o professor da FGV Management, Luciano Salamacha, especialista em gestão de pessoas e em neurociência aplicada aos negócios, o gênio é o profissional que tem um dom e uma facilidade para executar tarefas que exigem esforço de outras pessoas, mas que geralmente é “incompreendido”.

Entretanto, o indivíduo que tem uma capacidade acima da média apresenta dificuldades em áreas que não estão ligadas a sua especialidade, o que difere também do senso comum de associar o gênio a uma performance excepcional em tudo. Salamacha cita o jogador de futebol Neymar Jr., atacante do Barcelona e da Seleção Brasileira. O professor destaca a excepcional habilidade do brasileiro com a bola e sua atuação dentro de campo, mas ressalta as dificuldades do jogador em português e matemática.

Gênio é o profissional que tem um dom e uma facilidade para executar tarefas que exigem esforço de outras pessoas   

O professor aponta que as empresas podem ter em seu quadro funcionários um gênio que pode não ser compreendido e, por isso, acaba limitado pelas regras e pela dinâmica corporativa. “Isso acontece por causa de uma eventual cegueira temporal ou falta de preparo dos gestores em identificar uma pessoa fora de série e conceder-lhe espaço”, avalia o professor, relembrando que as pessoas com capacidade acima da média geralmente sofrem preconceitos dos colegas, pois não são compreendidas. 

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Diante dessa circunstância, Salamacha elaborou recomendações de como se relacionar e integrar positivamente o gênio à dinâmica e atividades da empresa.

  • 1) Não competir

    O especialista afirma que é irracional competir com o gênio no talento e nas habilidade em que ele é excepcional. “A competição vai ser conflitiva e resultar em um gasto de energia desnecessário”, avalia. Por isso, o ideal é sentir-se privilegiado em ter essa pessoa na equipe e estar disposto a aprender com ela, assim todos sairão ganhando.

  • 2) Ofereça a sua competência

    O gênio não tem competência de execução em todas as áreas da empresa. Desta forma, os outros funcionários devem somar suas habilidades ao talento excepcional do colega superdotado. “É como se fosse uma moeda de troca”, diz Salamacha. Assim, as lacunas do gênio são supridas ao mesmo tempo em que os colegas demonstram disposição e vontade em tê-lo na equipe.

  • 3) Deixe-o atuar de acordo com o seu espaço

    É comum os gestores exigirem padrões de desempenho associados a certas regras e procedimentos. Isso pode ser um impeditivo à atuação dos profissionais acima da média e, consequentemente, diminuir os ganhos da equipe. Por isso, é preciso ceder um espaço para essa pessoa diferente e respeitar o modo como ela é. Além disso, o seu jeito peculiar de trabalhar pode servir de exemplo para o aprendizado do restante do time.

  • 4) Não criar expectativa de que o gênio seja bom em tudo

    As pessoas com capacidade acima da média geralmente se afastam dos outros e apresentam um comportamento introvertido. Ao se relacionar com os colegas de trabalho, o gênio pode se manifestar de uma forma arrogante. “Esse comportamento pode ser uma estratégia de defesa”, argumenta o professor, pois seu jeito não é compreendido e as pessoas acreditam que ele tem que ser bom em tudo, o que é um equívoco na visão de Salamacha. Além disso, o professor também aponta a falha do gênio ao apresentar esse comportamento.

  • 5) Não esperar que ele seja um líder

    O professor sugere que um líder deve ser um profissional nota 7 em todas as áreas, e não nota 10 em uma especialidade e 5 em outra – como ocorre no caso do gênio. O profissional excepcional não tem uma visão holística da empresa, apenas de sua área de atuação. “Ele sempre vai puxar o assunto para o que ele sabe”, avalia o professor.

  • 6) Somar a performance excepcional com o bom desempenho dos outros integrantes da equipe

    O gestor deve criar um ambiente no time que sintonize as habilidades de todos, de forma que o conjunto saia ganhando. Por isso, não se deve colocar como meta o desempenho do gênio, mas deixá-lo atuar livremente e estimular os outros colaboradores a usarem as suas capacidades.

  • 7) Conceder espaço para o gênio cometer um erro

    Salamacha aponta que as pessoas acima da média carregam consigo pressões para serem boas em tudo, tendo uma cobrança muito elevada sobre o seu desempenho. Por isso, o especialista diz que pessoas próximas aos gênios devem aconselhá-los de que o erro é permitido e que devem “aprender a perdoar a si mesmos”.

1) Não competir

O especialista afirma que é irracional competir com o gênio no talento e nas habilidade em que ele é excepcional. “A competição vai ser conflitiva e resultar em um gasto de energia desnecessário”, avalia. Por isso, o ideal é sentir-se privilegiado em ter essa pessoa na equipe e estar disposto a aprender com ela, assim todos sairão ganhando.

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