Como adaptar as regras de Churchill aos discursos atuais

O ator Gary Oldman ganhou o Oscar de melhor ator este ano, mas temos que reconhecer que ele tinha uma vantagem injusta: Sir Winston Churchill, o personagem que ele interpretou em “O Destino de Uma Nação”, era muito maior do que os personagens interpretados pelos outros indicados. As importantes realizações e ações de Sir Winston deram a Oldman inúmeras oportunidades para exibir suas habilidades na dramaturgia, mas nenhuma delas maior do que a cena em que o primeiro-ministro da Grã-Bretanha reuniu sua nação em um discurso dramático ao Parlamento:

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“Nós devemos ir até o fim, devemos lutar na França, devemos lutar nos mares e oceanos, devemos lutar com força e confiança crescentes no ar, devemos defender nossa ilha a qualquer custo, devemos lutar nas praias, devemos lutar nos locais de desembarque, devemos lutar nos campos e nas ruas, devemos lutar nas colinas. Nós nunca devemos nos render.”

Ao repetir “nós devemos” dez vezes como um mantra, Churchill estava usando uma retórica que começou com os clássicos oradores gregos e continua a ser empregada nos dias de hoje.

A habilidade de oratória do britânico era mundialmente famosa e ele começou a desenvolvê-la desde cedo. Quando tinha apenas 23 anos, ele escreveu um artigo (não publicado) intitulado “The Scaffolding of Rhetoric” (“O Andaime da Retórica”, em tradução livre), no qual descreve cinco “elementos principais” para conquistar o público. Com todo o respeito pelas habilidades de redação de Sir Winston, tomamos a liberdade de adaptar a sua linguagem de 1897 aos tempos modernos.

Veja, na galeria de fotos a seguir, os 5 elementos principais dos discursos de Sir Winston Churchill para conquistar o público:

  • 1. Dicção

    A palavra dicção é frequentemente utilizada como referência à articulação, mas seu principal significado está relacionado à escolha das palavras – pense em um dicionário. Nossa cultura digital de mensagem de texto, tuítes e email afetou nossa linguagem falada, muitas vezes reduzindo-a a monossílabas, expressões idiomáticas e clichês. Mas isso também não significa que você deva usar palavras longas e difíceis. Almeje a precisão e a clareza enquanto fala.

  • 2. Ritmo

    Outro impacto da cultura digital é a velocidade da nossa comunicação, particularmente no momento em que estamos falando. Certifique-se de manter um ritmo cadenciado durante uma apresentação. Seu público precisa de tempo para absorver as palavras da sua mensagem.

  • 3. Acúmulo de argumentos

    Atualmente, a maior parte das apresentações de negócios são feitas com o apoio de slides decks – slides criados em programas como o power point. Mas, normalmente, ao longo do discurso, eles acabam se embaralhando (em função de interrupções ou de outros assuntos trazidos à tona), o que resulta em uma fragmentação das informações e na perda do fio da meada da narrativa. Quando isso acontecer, certifique-se de manter a lógica do seu fluxo.

  • 4. Analogias

    A definição original de Winston Churchill não precisa ser atualizada: “Uma analogia apropriada conecta as esferas mais distantes”.

  • 5. O despertar das emoções

    Essa recomendação atende a um requisito frequentemente ignorado, tanto nos dias atuais quanto no século 19 e, talvez, até antes: alinhar as metas do palestrante às do público. Um discurso ou uma apresentação não são podcasts. O andaime da retórica é uma via de mão dupla. Não é só sobre você – é muito mais sobre os seus espectadores.

1. Dicção

A palavra dicção é frequentemente utilizada como referência à articulação, mas seu principal significado está relacionado à escolha das palavras – pense em um dicionário. Nossa cultura digital de mensagem de texto, tuítes e email afetou nossa linguagem falada, muitas vezes reduzindo-a a monossílabas, expressões idiomáticas e clichês. Mas isso também não significa que você deva usar palavras longas e difíceis. Almeje a precisão e a clareza enquanto fala.

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