Por que perder a paciência não é sinal de inteligência

Vamos imaginar a seguinte situação: fumaça está saindo pelas orelhas do executivo sênior que vamos chamar de Ralph. E, quanto mais o especialista em comunicação e marketing Zach Messler fala, mais irritado ele fica.

Messler estava produzindo alguns vídeos para a empresa de Ralph, que não gostou do segundo, cuja abertura era muito parecida com a do primeiro. O especialista havia tido uma visão diferente para o material e estava tentando argumentar que a ideia era abandonar a abordagem conservadora que a empresa normalmente adotava.

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Ralph começou falando sobre duas coisas que não pareciam logicamente conectadas. “É muito longo, é muito longo”, disse ele. “Você tem que adicionar imagens de arquivo no começo.”

Segundo sua própria descrição, Messler é um cara emocional. Ele sabe que isso pode ser, ao mesmo tempo, uma força e uma fraqueza, e trabalhou muito para ficar calmo e evitar perder a calma diante de situações cheias de raiva e irracionalidade.

Ele então perguntou em voz baixa: “Como a inclusão de imagens vai tornar o vídeo mais curto?”. Ralph explodiu. Ele literalmente jogou as mãos para o ar e saiu da sala.

Messler havia produzido os vídeos de acordo com sua própria perspectiva e as sugestões de Ralph nunca foram usadas. Quando ele perdeu a paciência, ele perdeu também a capacidade de ter um impacto positivo no projeto.

A propósito:  Messler é uma pessoa real. Ralph também, mas, por razões óbvias, seu nome foi trocado.

Quando ficamos bravos, perdemos a inteligência. Muitos lutadores profissionais de artes marciais dizem o mesmo: se você ficar com raiva em uma luta, você perde.

A raiva causa o que é chamado de visão em túnel. Ela reduz os sentidos, portanto, reduz significativamente a nossa capacidade de tomar decisões inteligentes. Isso, em parte, é o motivo pelo qual pessoas raivosas têm uma tendência a jurar e dizer a mesma coisa repetidas vezes: elas, literalmente, tornaram-se estúpidas demais para fazer qualquer coisa que seja remotamente inteligente.

Por isso, não é incomum ver profissionais educados em universidades de renome, quase gênios, transformarem-se em idiotas irracionais simplesmente porque perderam a paciência.

Imagine a seguinte situação hipotética (baseada em experiências reais):

Funcionário (uma hora depois da explosão): “Você realmente quer que eu demita todo o escritório de Los Angeles?”

Chefe: Eu disse isso?”

A maneira mais fácil de evitar passar vergonha depois de uma explosão emocional é desenvolver uma estratégia de pausa. Ou seja, quando você perceber que sua pressão sanguínea está subindo e sua paciência evaporando, interprete isso como um sinal de alerta de que você precisa parar. Saia da sala, peça um intervalo de cinco minutos (ou uma semana), mude de assunto… Faça qualquer coisa para se livrar da queda livre em rumo à estupidez.

Veja, a seguir, um trecho do artigo “Medindo a Inteligência Emocional: Desenvolvimento e Validação de um Instrumento”, que resume bem as conclusões de um amplo espectro de pesquisadores:

“As pessoas com alta capacidade de controlar o emocional são capazes de desafiar seus humores e bloquear pensamentos negativos. Além disso, aqueles que possuem alto controle emocional são moderados, não irritáveis ou verbalmente hostis. As pessoas irritáveis são impacientes, perdem o ânimo com facilidade e deixam pequenos estresses sem importância as incomodarem. Comportamentos associados à hostilidade verbal incluem entrar em discussões, usar linguagem forte, levantar a voz e dizer coisas desagradáveis. Quando a raiva se mostra contraprodutiva em determinada situação, e um indivíduo continua a se comportar com irritabilidade e hostilidade, o seu baixo controle emocional está sendo demonstrado.”

Em outras palavras, se você não consegue controlar sua raiva nos negócios, você não é inteligente. Em vez disso, aperte o botão de pausa e exiba seu controle emocional.

 

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