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Allan Paiotti, presidente do GuardeAqui, fala à Forbes Brasil

O segmento de self storage é ainda pouco conhecido no Brasil, mas vem crescendo com força nos últimos anos. Trata-se, a atividade, daquilo que antigamente era conhecido como guarda-volumes. Em um Brasil hoje pesadamente urbano, onde é grande a quantidade de pessoas que moram sozinhas – e em imóveis muitas vezes pequenos -, está claro o potencial deste setor. Tão claro que o mesmo atraiu de volta ao Brasil o célebre Sam Zell, investidor americano com uma grande história de envolvimento no mundo empresarial local (foi um dos grandes apostadoras na Gafisa, em especial). Zell é dono atualmente do GuardeAqui, uma das maiores empresas de self storage do País. Allan Paiotti, presidente da companhia, concedeu-me a entrevista abaixo.

 

Como você avalia o atual momento econômico vivido pelo Brasil? Os negócios da GuardeAqui, por você presidida, vêm evoluindo de que forma desde o início de 2014?

O self storage está intimamente relacionado a momento de mudança ou transição. Desse modo, o momento de desafios da economia brasileira tem exigido das famílias e empresas a busca por soluções eficientes e de melhor custo-benefício em se tratando da locação de espaços. Exceção ao período da Copa do Mundo, quando sentimos uma maior lentidão no processo de decisão efetiva por parte de clientes na locação de espaços, temos tido um nível bastante elevado de consultas e procura por boxes. Independente de ciclos pontuais de ajuste, a visão do GuardeAqui é de mais longo prazo: o mercado de self storage é ainda incipiente no Brasil, está começando a se estabelecer, os consumidores começam a se familiarizar. Apesar de liderarmos o setor, não atingimos nem 20% ainda do nosso plano de contar com 50 unidades e aportar R$ 1 bilhão até 2018: hoje temos 9 unidades em operação ou desenvolvimento.

 

Muitos empresários têm se mostrado contrariados com a economia brasileira neste ano. Em sua visão, eles estão certos ao pensar assim? Ou estão equivocados?

Cada empresário, conforme seu ramo de atividade, tende a ter uma visão própria sobre a economia brasileira no atual momento. Acredito que todos têm um enorme desejo e expectativa de que o País evolua, promova reformas estruturais, melhore sua produtividade e que isso se reflita no ambiente de negócios. O Brasil tem uma série de desafios estruturais e diretrizes estratégicas de governo que tem se refletido no baixo crescimento do País, mas numa perspectiva de médio e longo prazo continuamos confiantes nos ciclos de crescimento por que passará o Brasil.

 

Quais investimentos a GuardeAqui vem realizando neste momento? Quais unidades da empresa vêm recebendo aportes, e em quais valores? A GuardeAqui vem fazendo quais investimentos entre o final do ano passado e este ano? Quais investimentos a empresa ainda pretende fazer até o final deste ano e no ano que vem?

O GuardeAqui, como disse antes, tem um plano de investimentos para chegar a 50 unidades operacionais até 2018 e, para tal, planeja investir cerca de R$ 1 bilhão até lá. Entre o final de 2013 e 2014, inauguramos unidades em Ribeirão Preto, Campinas, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com um investimento total que superam a ordem de R$ 80 milhões. Ainda este ano pretendemos entregar a unidade de Jundiaí, com investimento de cerca de R$ 20 milhões, e na sequência em Guarulhos. Para os próximos avanços, estamos em tratativas para nossa entrada na região Sul e, depois, no Nordeste. Estimamos que, até o final de 2015, deveremos atingir algo entre 15 e 18 unidades em operação ou desenvolvimento (construção ou reforma das instalações).

 

Como você enxerga o futuro da economia brasileira, em 2015 e nos próximos anos? O que você crê ser necessário para que a economia brasileira retome uma trajetória de crescimento em 2015 e daí por diante?

Temos expectativas otimistas de que o ambiente de negócios possa evoluir no Brasil a partir de 2015. Entendemos que reformas estruturais, duras, serão necessárias e precisamos avançar em microrreformas também, especialmente em legislações mais simples, de maior racionalidade para que as empresas cumpram suas obrigações e que estimulem o ambiente de negócios para novos investimentos, gerem empregos e que a atividade cresça. Nossa expectativa é que as eleições estabeleçam um novo cenário que reverta o atual sentimento de pessimismo, e que 2015 registre uma inversão com tendência positiva para um crescimento econômico maior do que a média histórica recente, muito possivelmente também apoiada por conta da melhoria da economia mundial. Fica uma preocupação para que o controle de inflação se mantenha no foco do governo, pois esse é um fator crítico que afeta as condições de planejamento para investir no Brasil no médio prazo.

 

Quais as perspectivas para o futuro da empresa?

É muito importante ficar claro que o projeto do GuardeAqui é de longo prazo, que viemos para ficar no Brasil, que confiamos no País, e que estamos apostando e apoiando fortemente no desenvolvimento de um novo setor no País. O self storage é uma classe de ativos imobiliários ainda muito nova no Brasil, que certamente contará com um ciclo de crescimento de vários anos à frente. Como líderes no setor, assumimos a responsabilidade de apoiar ativamente esse crescimento com base em conceitos e práticas do negócio que impactem de forma positiva a vida de nossos clientes e as comunidades aonde estamos inseridos.

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