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Obras milionárias do ex-dono do Banco Santos vão a leilão em Nova York

Duas das mais célebres e valiosas obras de arte do acervo do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira, do falido Banco Santos, vão ser leiloadas pela famosa casa Sotheby´s em Nova York, na próxima semana.

No dia 11 de novembro, durante a Contemporary Art Evening Auction, será levada ao martelo a obra Hannibal, de Jean-Michel Basquiat. A peça tem preço estimado entre US$ 8 milhões e US$ 12 milhões, ou seja, algo entre R$ 30,8 milhões e R$ 46,2 milhões, pelo câmbio atual.

Datada de 1982, Hannibal (foto abaixo) é considerada uma das primeiras obras-primas do artista grafiteiro que morreu precocemente, em 1988, com 28 anos de idade e cerca de 3 mil obras produzidas em apenas 10 anos de carreira. A peça integra parte da antiga coleção de Edemar Cid Ferreira que foi recuperada pela Interpol depois de ter sido ilegalmente enviada para os Estados Unidos, para lavagem de dinheiro. A obra de Basquiat entrou no território americano em 2007, como se valesse US$ 100. Hannibal foi repatriada ao governo brasileiro em junho passado.

Hannibal
Já no dia 12, na Contemporary Art Day Auction da Sotheby´s, será leiloada uma tela de Roy Lichtenstein, também recuperada e devolvida ao governo brasileiro, numa leva repatriada em 2010. A obra Modern Painting With Yellow Interweave (abaixo) está com preço estimado pela Sotheby´s entre US$ 1,5 milhão e US$ 2 milhões, algo entre R$ 5,7 milhões e R$ 7,7 milhões. Lichtenstein é considerado um dos papas do movimento pop americano e tem obras cobiçadas pelo mercado.
lichtenstein
O governo brasileiro optou pelo leilão no Exterior na expectativa de obter lances mais altos pelas obras. Os recursos oriundos do leilão deverão ser destinados à massa falida do Banco Santos.
Presidente da Bienal de São Paulo nas edições de 1994 e 1996, o ex-banqueiro mantinha um dos mais formidáveis acervos do Brasil, em sua casa ou no Banco Santos. Em 2005, quando foi condenado em primeira instância por crimes financeiros, cerca de 12 mil obras guardadas em um galpão foram transferidas a sete museus e instituições, por ordem judicial. Em sua mansão, no Morumbi, lacrada depois do despejo, também foram encontradas cerca de 1 mil peças, avaliadas em cerca de R$ 30 milhões em 2013.
Contudo, várias obras da coleção do ex-banqueiro – as mais caras – haviam sido enviadas para fora do país depois da quebra do banco e, segundo agentes americanos, ‘dezenas’ delas já foram recuperadas. Muitas ainda aguardam o processo de repatriamento.
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