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Carlos Wizard: “O mandarim pode se tornar a língua do futuro”

Carlos Wizard (Marcio Scavone)

Carlos Wizard (Marcio Scavone)

O criador do grupo Wizard de escolas de inglês, hoje dono da rede de alimentos naturais Mundo Verde, é um seguidor da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (os quais são conhecidos como mórmons) e um estudioso dedicado do milagre econômico chinês. Abaixo, cinco perguntas feitas por FORBES Brasil para o empresário:

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No futuro, o inglês pode se converter na língua única de todos os povos?

É inegável que o inglês está deixando de ser uma “língua estrangeira” e se tornando o idioma universal para comunicação. No entanto, não acredito que no futuro ele substituirá os idiomas locais, os quais estão muito ligados às origens e tradições da cada povo. Existem exemplos de línguas que, mesmo sendo usadas somente por determinada tribo, ainda são faladas e passadas de geração em geração. Diante da crescente liderança que a China impõe ao mundo, não seria surpresa ver o mandarim se tornar o idioma do futuro. Eu, particularmente, considero o mandarim a segunda língua estrangeira mais importante, depois do inglês. Estudo o idioma há três anos e já consigo me comunicar bem nele, ao ponto de discursar em várias universidades chinesas falando em mandarim.

Por que você resolveu voltar ao mundo dos negócios comprando uma loja de alimentos naturais, a Mundo Verde?

Ao longo de 25 anos no setor de educação, adquiri grande know how em franquias, vi este modelo crescer e se consolidar como uma alternativa extremamente vantajosa, tanto para franqueados quanto para franqueadores, gerando riqueza em toda a cadeia. Como minha família estava capitalizada e tem uma identificação com o conceito dos produtos Mundo Verde, que trazem um estilo de vida saudável, natural e equilibrado, decidimos apostar no setor. Para se ter uma ideia, o ramo movimentou R$ 80 bilhões em 2015 e deve movimentar R$ 108,5 bilhões até 2019, segundo projeções da Euromonitor International. Esses expressivos números mostram que, apesar da economia sofrer danos, o mercado de alimentos saudáveis continua expandindo e provando que está acima de qualquer crise econômica. Percebo que o consumidor brasileiro está cada vez mais consciente sobre a importância da alimentação para a saúde e que não está disposto a abrir mão deste novo estilo de vida.

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O ambiente político brasileiro, marcado por denúncias de corrupção, não causa desconforto em um homem de princípios religiosos como você?

Sim, causa. Acredito que o melhor caminho para lutar contra esse mal seja empreender de forma íntegra, mantendo seus negócios longe de qualquer iniciativa que envolva corrupção e afastando qualquer profissional que possa estar envolvido em atos ilícitos. Apesar dos maus exemplos dados por nossos políticos, acredito muito na capacidade de o Brasil manter um ambiente de negócios transparente e idôneo. Lamentavelmente a corrupção se tornou um dos principais entraves para o desenvolvimento do país e, consequentemente, dos negócios. Neste cenário, devemos potencializar os períodos de desenvolvimento. É necessário tornar o próprio negócio o mais eficiente possível, controlando e planejando gastos, buscando sempre ganhos em produtividade e principalmente combatendo o desperdício em todos os âmbitos.

Em sua opinião, quais serão as potências econômicas do futuro?

A China já assumiu um papel de protagonista na economia mundial e esse é um movimento irreversível. A meu ver, quatro fatores fizeram a diferença para que isso acontecesse: os fortes investimentos feitos para que a indústria pudesse produzir com alta tecnologia e larga escala, os aportes em infraestrutura de ponta, elevado investimento em educação e, é claro, o fato de os chineses terem um mercado interno fantástico. Por outro lado, no Brasil, o governo optou pelo protecionismo, o que desmotiva a indústria a investir em inovação. Por esse motivo é natural que as indústrias chinesas sejam mais competitivas que as brasileiras hoje. Os analistas preveem que até 2050 a China será o país mais rico do mundo. A experiência chinesa será de grande valia para o Brasil, desde que o governo elabore uma estratégia nacional que seja fundamentada na inovação da economia.

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Quais seus planos para 2016? Onde pretende investir?

Meu objetivo atual é ver os negócios da rede Mundo Verde, da Ronaldo Academy, da Topper e Rainha – empresas onde sou proprietário ou coproprietário – crescerem, gerando mais empregos e oportunidades de desenvolvimento e crescimento para milhares de pessoas. O Mundo Verde vem se expandindo e vai continuar em 2016. O mesmo acontece com a Ronaldo Academy, que fundei no ano passado em sociedade com o jogador Ronaldo. Acabamos de fechar um contrato para abrir 30 escolas da rede na China, estamos com 25 unidades no Brasil e mais 5 nos EUA. Nossa meta é chegar em 2018 com mais de 200 escolas abertas. Em relação à Topper e Rainha, já é possível adiantar que queremos que a primeira se torne uma marca protagonista no cenário de roupas e equipamentos esportivos, enquanto a Rainha terá mais foco em moda fitness, com produtos inovadores e de alta qualidade.

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