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Investidores LatAm ainda resistem ao Vale do Silício

Investidores LatAm

Mais uma viagem para San Francisco à vista! Onde participarei de algumas reuniões e eventos em Bay Area, incluindo a DemoDay da Highway1, incubadora de startups que desenvolvem não somente software, mas também hardware. A DemoDay é como se fosse o dia da formatura após as startups terem sido incubadas por 3 meses, reunindo muitos dos principais players de venture capital do mercado, é tão estimulante e me permite refletir sobre os motivos que fazem os investidores latino-americanos ainda serem praticamente inexistentes naquela região tão peculiar da Califórnia.

No dia a dia do meu trabalho, ao transitar pelo mundo dos negócios no Brasil e nos Estados Unidos, é possível identificar diferenças muito importantes na forma como agem e pensam os investidores. Se no mercado norte-americano os angel-investors (investidores-anjo) estão mais habituados a avaliar o risco e os potenciais retornos das startups, na América do Sul esse setor ainda representa um grande ponto de interrogação.

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Os investidores LatAm criaram negócios de extremo valor em seus países nas últimas décadas, atingindo resultados gerados por meio da concentração de investimentos. Hoje, entretanto, estão alertas de que não devem centralizar tanto suas aplicações dentro do próprio país ou, ainda, somente em seus negócios. Por isso, iniciou-se a busca pela diversificação estrangeira, tanto em bancos privados internacionais quanto em bens imobiliários.

Esses investidores precisam encontrar um equilíbrio entre três objetivos conflitantes: aumentar o patrimônio, preservar o que já existe e satisfazer necessidades e interesses pessoais. Cada pessoa atribui um grau de importância diferente para cada um desses pontos, cuja relevância é mutável ao longo da vida. Percebo no mindset dos investidores brasileiros alguns pontos em comum. A obsessão por renda fixa, investindo em fatias desproporcionalmente altas nessa modalidade, seria o primeiro. O segundo ponto seria o temor sobre o mercado de ações. Uma terceira questão é que o país apresenta um ambiente economicamente severo, fazendo com que o investidor não suporte mais riscos “extras”. A falta de informação do investidor nessa modalidade está ligada diretamente à ausência de referências pessoais que passem segurança, como um amigo muito próximo que invista em startups ou participe de alguma forma deste mercado. O pensamento acaba sendo “Se ninguém fez, por qual razão eu faria?”.

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Por mais que seja unânime a admiração por startups globais e bilionárias como Uber, Facebook e Snapchat, a falta de familiaridade com o universo da tecnologia impacta bastante na decisão de segurar as apostas por parte dos investidores. Apesar de toda desconfiança, algo me diz que uma única visita a eventos de inovação no Vale do Silício torna esse um caminho sem volta. Um caminho de gratas experiências, acredite!

Bárbara Minuzzi é fundadora e CEO da INVESTHAUS: boutique de investimentos e conexões, fundada no Brasil e hoje com presença nos EUA e China. Bárbara é também advisor da startup holandesa Spinn.Coffee (www.spinncoffee).

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