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Sobreviventes de abuso sexual na Índia usam Snapchat para contar casos

(Getty images)

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Um projeto de jornalismo para smartphones vem demonstrando como o Snapchat pode ser uma ferramenta nada convencional e, ao mesmo tempo, poderosa.

O editor do jornal indiano “Hindustan Times”, Yusuf Omar, escolheu o aplicativo como a plataforma oficial de uma entrevista com duas adolescentes participantes do “Primeiro Levante da Índia contra o Abuso Sexual”, perto da cidade de Mysore. O projeto é dedicado a quebrar o silêncio sobre a violência sexual. Os filtros do Snapchat permitiram às sobreviventes que narrassem suas histórias sem o medo de serem reconhecidas.

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“Eu tinha cinco anos quando isso aconteceu”, disse uma das sobreviventes. “Eles me trancaram em uma sala e me torturaram”.

As duas meninas falaram diretamente à câmera de um smartphone. Elas também escolheram os próprios filtros para mascarar sua identidade enquanto contam suas experiências traumatizantes. Coincidentemente, ambas escolheram o filtro que as transformaram em um dragão que cospe fogo.

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Omar disse ao site “Mashable” que essa ação contribuiu para o empoderamento das mulheres porque a aplicação das máscaras e a gravação do vídeo acontecem diante dos seus olhos.

Visualmente, filtros de Snapchat também se mantém fiéis às emoções de seus usuários, pois ainda é possível ver os olhos de quem está por baixo da “máscara”. “Os olhos são a janela da alma. Deixá-los à mostra cria um laço mais forte entre os espectadores e as entrevistadas”, completa Omar.

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Ele, que já usou o Snapchat como uma plataforma para fazer uma reportagem onde, camuflado, investigava o mercado de drogas no estado de Punjab, diz que o “Projeto Sobrevivente” é um bom exemplo de como o app é diferente das formas tradicionais de videojornalismo, em termos de honestidade e velocidade.

“É quase cru e completamente sem edição”. Suas vantagens jornalísticas são a sua velocidade, a facilidade de se construir uma história linear à medida que os vídeos são gravados e ter tudo guardado em uma nuvem, ao invés de estar na memória do celular, Também, com os emojis, textos e adesivos, a experiência é totalmente adaptada para públicos acostumados com o uso de dispositivos móveis”, afirma Yusuf Omar.

O uso do celular também requer menos ferramentas. Para esse projeto, Omar usou apenas seu iPhone 6, um pau de selfie, um microfone de lapela e um tripé de mesa.

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