Astronautas terão de lidar com gelo da Antártica para missão em Marte

iStock
Paisagem gelada da Antártica

Uma viagem para Marte começa muito antes da partida. A jornada da NASA para o planeta vermelho inclui preparar os astronautas para lidar com vários meses de isolamento, confinamento e um ambiente extremo (mais conhecidos como ICE). Uma das melhores maneiras de estudar isso na Terra é observando aqueles que passaram muito tempo na Antártica.

A NASA e a National Science Foundation (NSF), que coordena o U.S. Antarctic Program, têm um novo acordo colaborativo para estudar os efeitos que viver em um ambiente polar causa aos pesquisadores. Em um estudo criado e liderado pela dra. Candice Alfano, uma psicóloga clínica e professora associada da Universidade de Houston, ela analisará pessoas que trabalham em locais inóspitos por longos períodos de tempo.

LEIA MAIS: Nasa cria supercâmera para estudar decolagem de foguete

Os cientistas escolheram a Antártica pois, no treinamento para viver nessas condições, achar os dois primeiros fatores (isolamento e confinamento) é fácil. Um ambiente extremo, nem tanto. Comumente chamada de “Marte Branco”, a Antártica é perfeita, pois não dá para escapar do frio congelante, do gelo e da neve. “Esteja você tendo um problema de saúde, de comportamento ou pessoal, não dá pra fugir”, disse Lisa Spence, coordenadora do Human Research Program. “Coincidentemente, isso se assemelha muito ao voo no espaço. Ele muda seu modo de pensar”.

O quão extremo é o ambiente da Antártica no Polo Sul? 98% do continente está coberto de gelo, além de ter ventos extremos e uma temperatura média de – 26°C a – 49°C, tornando-o o lugar mais frio da Terra. Lá, também, o sol desaparece durante meses, causando “A Noite Polar”.

LEIA MAIS: Nasa anuncia minissatélite que irá monitorar atmosfera terrestre

Uma vez que o sol some, a pessoa pode ficar presa lá. É muito perigoso para aviões e helicópteros sobrevoarem essa área devido a grande quantidade de gelo no mar e as temperaturas extremas.

A astronauta da NASA, Christina Hammock Koch, passou várias temporadas em diversas estações na Antártica e no Ártico, ajudando os cientistas a conduzirem a pesquisa remotamente. Ela também passou um ano no Polo Sul.

LEIA MAIS: Cientistas ficam a um passo de mandar o homem a Marte

Em uma situação difícil assim, ela achou mecanismos para lidar com a vida no gelo. Criou hobbies, se exercitou e socializou com as outras pessoas da estação. “A melhor estratégia que eu desenvolvi não foi pensar em todas as coisas que eu estava perdendo, mas sim nas experiências únicas que teria naquele lugar”, disse.

Esses fatores se combinam para criar uma atmosfera adequada para a NASA, a NSF e o estudo UH – com início marcado para fevereiro de 2017, que vai incluir aproximadamente 110 voluntários, que ficarão nas estações em McMurdo e no Polo Sul.

LEIA MAIS: Nasa divulga novas fotos da missão a Júpiter da nave Juno

Junto com a equipe de voluntários, a NASA está desenvolvendo um sistema de treinamento de médicos, que vão aprender a cuidar de pacientes em ambientes extremos.

“McMurdo é uma estação com uma população de 250 pessoas durante o inverno ou o verão do Hemisfério Norte. Evacuar o local, embora difícil, é possível. Em contraste, o Polo Sul fica no coração do continente e pode ter temperaturas de -73.3°C. A evacuação é simplesmente impossível no inverno”, afirma a dra. Alfano.

LEIA MAIS: Cometa maior do que o que extinguiu dinossauros já tem data para chegar

Estudando voluntários das duas estações, pesquisadores esperam entender mais precisamente as maiores fontes de estresse. Os voluntários vão responder questionários online, vão fornecer amostras de saliva e usar um monitor que registra ciclos de sono de seus usuários.

O plano é refinar e finalizar uma checklist que “fornece meios eficientes de monitorar sinais e sintomas de uma possível condição comportamental em desenvolvimento, permitindo a detecção e intervenção precoce dos médicos”, diz Lauren Leveton, Ph.D. da equipe de performance comportamental da NASA. Esta lista será útil para a NASA para futuras viagens espaciais.

LEIA MAIS: Por que a Terra tem a atmosfera diferente dos outros planetas

O projeto de Alfano, formalmente chamado de “Caracterizações de Riscos Psicológicos, Sobrepostos à Saúde Física e Performance Associada em Ambientes Isolados, Confinados e Extremos”, utilizará dados coletados durante o inverno de 2017.

À medida em que a NASA se prepara para missões tripuladas para Marte, manter os astronautas seguros durante a viagem é prioridade. O continente mais meridional da Terra vai fornecer aos pesquisadores uma comparação perfeita para estudar os efeitos na saúde e no comportamento em um ambiente extremo.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil (copyright@forbes.com.br).