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O que o caso do bilionário Daryl Katz nos ensina sobre gerenciamento de crise

(Reprodução/FORBES)

Daryl Katz (Reprodução/FORBES)

Uma batalha judicial envolvendo difamação e extorsão nos oferece um vislumbre dos escândalos de reputação que acontecem – até com certa frequência – em Hollywood e a importância que o gerenciamento de crise exerce nesse mundo. De acordo com uma reportagem exclusiva publicada pelo site da revista “Variety”, a modelo e atriz brasileira Greice Santo, da série “Jane The Virgin”, alega que o bilionário canadense dono de um time da liga de hóquei NHL, Daryl Katz, lhe ofereceu um papel de protagonista e milhões de dólares em troca de sexo. Greice afirma que teve alguns encontros rápidos com Katz, que foram seguidos de uma remessa de dinheiro (“dezenas de milhares de dólares”) por intermédio de Michael Gelmon, primo de Katz. De acordo com a atriz, depois de se recusar a encontrá-lo com objetivos sexuais, Gelmon começou a ameaçá-la, dizendo que o bilionário a impediria de trabalhar em Hollywood.

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Em resposta às ameaças, R. J. Cipriani, marido de Greice, teria procurado a ajuda de advogados para tentar encerrar a questão. Segundo o casal, a tentativa falhou depois que Greice recebeu uma generosa oferta para ficar calada. Em contrapartida, Daryl Katz acusa a dupla de extorsão, dizendo-se vítima de uma chantagem de US$ 3 milhões para não ser alvo de uma acusação sexual.

O marido de Greice alega que foi desacreditado perante o editor de um jornal - a pedido de Katz - para que o caso da esposa não fosse publicado

A alegação de Greice tornou-se pública depois que Cipriani entrou com uma ação judicial de difamação contra a G. F. Bunting Co, a empresa de relações públicas e gerenciamento de crise que representa Katz. Cipriani afirma que o presidente da empresa, Glenn Bunting, arruinou sua reputação e seu relacionamento com um editor do “New York Post” para impedir que uma reportagem sobre o assédio sofrido por Greice fosse publicada.

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O ponto crucial desse caso sórdido é o papel que o gerenciamento de crise exerce durante esse tipo de conflito, que tem potencial para se espalhar como rastro de pólvora e chegar ao grande público. Supostamente, Katz pediu que Bunting desacreditasse a imagem de Cipriano, impedindo-o de manter um contato mais estreito com o jornal que o levasse a publicar a história de Greice. Como estratégias agressivas como essa podem ser um tiro no pé, é importante fazer de tudo para assegurar a confidencialidade e que tudo que seja dito em público ou fora do controle do grupo não crie uma responsabilidade a mais para a equipe encarregada de gerenciar a crise.

Por exemplo: se existir qualquer evidência de que Katz realmente mandou Bunting dizer certas coisas sobre Cipriani – como uma conversa entre eles – essa evidência poderia ser usada na ação judicial movida pelo marido de Greice. Ou seja, mesmo que as alegações da atriz sejam falsas e que ela e o marido estejam tentando extorquir o bilionário, a maneira usada para combater a tentativa de extorsão pode ter criado um problema a mais para Katz e sua equipe de gerenciamento de crise.

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A lição que fica de casos como esse é que é necessário ser extremamente cuidadoso ao empregar certas estratégias de crise, sob pena de colocar fogo em uma situação que já é bastante complicada. Além disso, incluir um advogado no caso o mais cedo possível também não é uma má ideia.



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