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“A educação é uma ferramenta poderosa para quebrar o ciclo de pobreza”, diz Rodrigo Santoro

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Ator começou parceria com a Montblanc no ano de 2015 (Foto: Divulgação)

A primeira parceria entre a joalheria Montblanc e o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) foi em 2004. Desde então, já foram mais de US$ 10 milhões revertidos para melhorias na educação – a Etiópia, por exemplo, tem atualmente cerca de 85% das crianças em idade escolar matriculadas no ensino primário.

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A campanha deste ano tem como foco o poder da escrita, um dos principais pilares da educação. Para angariar fundos, a joalheria lançou uma coleção especial composta por canetas, um modelo de relógio, acessórios em couro e joias. Cada peça vendida entre 1º de abril de 2017 e 30 de março de 2018 terá fundos revertidos para o UNICEF.

Desde o início do programa, mais de US$ 10 milhões já foram revertidos para melhorias na educação

Para promover a iniciativa, foi organizado um evento no Lounge One do Shopping JK Iguatemi, em São Paulo. Na ocasião, Rodrigo Santoro, embaixador da marca desde 2015, conversou com FORBES sobre educação e as iniciativas individuais e coletivas necessárias para promover mudanças. A noite contou também com o coral de crianças refugiadas da Síria e apresentação do músico Toquinho.

Confira, a seguir, a entrevista com o ator Rodrigo Santoro, embaixador da Montblanc.

Qual sua visão sobre a educação como fator transformador para o futuro?

Eu acredito que a educação é uma ferramenta poderosa para quebrar o ciclo de pobreza, de miséria. É chave para o desenvolvimento social e econômico. Temos, no Brasil, mais ou menos 13 milhões de pessoas que não sabem ler ou escrever. Então é difícil falar de desenvolvimento social, de evolução, sem pensar nessas 13 milhões de pessoas, no impacto que esse déficit terá na vida delas. Qualidade de vida, autoestima, a própria capacidade de exercer cidadania – tudo fica comprometido. Não se pode exigir isso dessas pessoas. Eu acho que o investimento na educação e a formação dos nossos educadores deveriam ser questões centrais da administração pública.

Você apoia iniciativas privadas na educação pública?

Olha, eu acho que, contanto que a iniciativa tenha como objetivo ajudar, contribuir de forma incondicional, essa ajuda será muito bem-vinda, ainda mais em um setor tão carente e essencial como a educação. Mas precisa ser dessa forma. A gente está vendo milhares de eventos que não são feitos assim. Mas, partindo do ponto de que é uma função social, claro que a ajuda é fundamental.

Pensando agora apenas no Brasil. O que é fundamental para o país evoluir?

Evidentemente que precisamos de uma série de reformas políticas e sociais, mas eu acho que não menos urgente é a necessidade de uma reforma individual. Uma reforma interior nos nossos valores. Eu acho que é necessária uma mudança concreta na forma de pensar e agir, na forma como nos relacionamos uns com os outros. Respeito, cidadania, respeito aos direitos humanos e por aí vai… Porque, caso contrário, a gente acaba tratando das consequências e esquece a causa. Acredito que essa reforma interior é extremamente necessária. E, claro, a educação é o pilar central para a mudança.

Como a combinação do UNICEF, Montblanc e você, como pessoa pública, pode beneficiar a divulgação e a arrecadação de fundos?

Falando por mim: eu estou aqui para apoiar essa iniciativa, que se inicia esta noite mas vai até março de 2018. Os recursos arrecadados vão ajudar o UNICEF a apoiar os padrões de qualidade da educação – desde pedagogia, leitura, escrita até o financiamento da formação de professores, que eu acho absolutamente fundamental. É uma das coisas sobre as quais precisamos pensar: além da baixa remuneração que os professores têm no nosso país, a gente precisa prestar muita atenção nos educadores, em quem está ali. A forma de ensinar e o que ensinar, como esse professor chega na sala de aula. Isso é muito importante.

Você já participou diretamente de alguma iniciativa na área da educação?

Diversas vezes, normalmente com instituições de ensino de crianças carentes. Já tive algumas experiências interessantes, algumas frustrantes, mas há muito tempo que eu participo e me interesso pelo assunto. A família da minha namorada (a atriz Mel Fronckowiak) também é envolvida com instituições no Rio Grande do Sul, minha mãe foi pedagoga. Eu acho fundamental, tenho gosto por isso e pelo assunto. Às vezes eu apoio, outras sou padrinho, para angariar fundos. Eu visito, já fiz locuções para alguns documentários. Desde que comecei a me tornar público, as pessoas começaram a se aproximar de mim para pedir algum tipo de apoio, para as mais variadas demandas. Mas esse foi um tema para o qual eu sempre tentei colaborar, chamar a atenção. E é sempre importante checar bem o trabalho que está sendo feito. Quando houve o boom das ONGs, há mais ou menos 10 anos, eu tive experiências negativas. Por isso, passei a pesquisar cada vez mais, a investigar antes de me envolver. Às vezes, a gente fazia algo e via a verba indo para outro lugar. Com a Montblanc, de quem sou parceiro há dois anos, tenho me surpreendido com o compromisso sério, sempre com a criação de novas iniciativas para apoiar a arte e a cultura. É a primeira vez que estou participando de uma parceria Montblanc e UNICEF. Ambas têm uma parceria de longa data, algo por volta de 13 anos. Já participei com o UNICEF em um futebol na Inglaterra, e também estive com eles em outra causa nos Estados Unidos. Hoje eu penso até em me aproximar mais. Entender de que forma posso me envolver, conhecer mais. Isso para mim é fundamental. Acho que nós precisamos entender o máximo possível daquilo do qual estamos participando, ainda mais no cenário atual, em que tantas coisas estão vindo à tona. É importante parar, pesquisar, se informar, perguntar antes de se envolver.

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