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Como a ciência trabalha para hackear o cérebro humano

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Pesquisadores investem cada vez mais em novas técnicas (iStock)

O que a ciência tem feito para hackear a mente nos dias de hoje? Essa questão apareceu no website Quora, no qual os usuários fazem, editam e organizam perguntas e respostas, e foi respondida por Adam Piore, autor do livro “The Body Builder” (ainda sem edição no Brasil), que aborda o tema da bioengenharia.

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Piore afirma que as pessoas tentam estudar a mente e corpo humano desde que a civilização existe. A diferença é que, agora, é possível saber por que algumas técnicas antigas ainda são muito eficazes.

Ao longo de sua carreira, Piore, muitas vezes, apoiou-se na cafeína e na nicotina. Segundo ele, as pessoas têm utilizado o fumo para conseguir foco desde, pelo menos, 600 a.C.. Enquanto a cafeína bloqueia uma substância química do cérebro chamada adenosina, que promove o sono e inibe estímulos, a nicotina imita a molécula neurotransmissora acetilcolina, que estimula o córtex sensorial e áreas envolvidas na atenção.

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Em seu livro, o especialista detalha alguns esforços inovadores. Há um homem chamado Tim Tully, que tenta desenvolver uma “pílula de memorização”. Ele e sua equipe são financiados pelo bilionário Kenneth Dart, herdeiro do império da Dart Styrofoam, maior empresa de copos e embalagens de isopor. Eles estão atrás de indivíduos com alta capacidade de memorização. Quando acharem um número suficiente, a ideia é sequenciar seus genomas para ter ideias para possíveis drogas sintéticas. Piore conversou com um menino de 11 anos, descoberto por eles, que conseguiu contar o que fazia no dia do seu aniversário, nos últimos quatro anos.

Tully já foi bem-sucedido ao criar geneticamente moscas de frutas com memória fotográfica. Ele conseguiu isso ao manipular pequenas moléculas conhecidas como ativadores de CREB, um tipo de proteína.

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Enquanto escrevia o livro, Piore conheceu ainda pessoas envolvidas em um projeto controverso para mapear todos os genes relacionados à inteligência, no intuito de descobrir maneiras alterá-la. É um grande desafio. Por isso, muitos não acreditam que esses pesquisadores serão bem-sucedidos.

Segundo o especialista, outros cientistas também experimentam estimulação cerebral profunda (DBS), que promove a implantação de uma espécie de marcapasso no cérebro para gerar estímulos, com o objetivo de desenvolver uma nova geração de dispositivos que podem não apenas mudar os padrões de queima de neurônios com pulsos de eletricidade, mas monitorar a atividade cerebral. Se bem-sucedidos, eles irão conseguir detectar quando algo está errado (como no caso de um ataque de pânico ou um estado cerebral que precede um episódio de depressão ou mesmo psicótico) e colocar o cérebro de volta ao modo normal de funcionamento.

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