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Theresa May pede a proibição da criptografia na web

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Primeira-ministra britânica visa combater o terrorismo (Getty Images)

Mais uma vez, a primeira-ministra britânica Theresa May está reivindicando uma nova regulamentação para a internet que permita a extinção da criptografia. “Nós não podemos dar a essa ideologia o espaço e a segurança que ela precisa para se desenvolver. E é exatamente isso que a internet e as grandes empresas que fornecem serviços de rede oferecem”, disse ela depois do ataque terrorista de sábado (03/06), em Londres.

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“Precisamos trabalhar com governos democráticos aliados para alcançar acordos internacionais que regulamentem o ciberespaço, prevenindo o aumento do extremismo e o planejamento do terrorismo. E temos que fazer tudo que pudermos para reduzir os riscos do extremismo online.” O discurso de May reforçou os comentários de dias antes da secretária de Estado para Assuntos Internos, Amber Rudd, que descreveu a criptografia de ponta a ponta utilizada em aplicativos como WhatsApp como “completamente inaceitável”.

Uma alternativa seria proibir completamente esses aplicativos - o equivalente ao Grande Firewall da China. E isso não funcionaria melhor do que no país asiático, onde as pessoas rotineiramente evitam as barreiras com redes virtuais privadas

Algumas pessoas não entendem o que há de errado com essa declaração, afinal a criptografia é vital para tudo: de compras online a ações bancárias. “Não existe um registro que prove que a restrição à internet poderia evitar qualquer acontecimento terrível de acontecer. Se um backdoor (recurso que permite acesso a sistemas e redes por meio de softwares de forma ilícita) for construído, ele, na verdade, poderá ser usado pelas mesmas pessoas que o governo quer controlar”, comentou Marty P. Kamden, CMO da rede virtual privada NordVPN. “Um backdoor revela muitas informações privadas sobre os cidadãos e deposita um grande poder nas mãos de qualquer um que queira tirar vantagem disso.”

A criptografia também é, com certeza, crucial para a privacidade de pessoas que não são suspeitas de nenhum crime.
Ao mesmo tempo em que Theresa May está percebendo que não tem jurisdição sobre empresas estrangeiras, ela se comporta como se o que estivesse pedindo não fosse algo muito grande. Com certeza é, e poucas pessoas apostariam que empresas como Facebook e Whatsapp consentiriam com a medida.

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A alternativa de May seria proibir completamente esses aplicativos – o equivalente ao Grande Firewall da China. Dizer que isso seria impopular é um grande eufemismo. E não funcionaria melhor do que no país asiático, onde as pessoas rotineiramente evitam as barreiras com VPNs (redes virtuais privadas).

De qualquer maneira, em todos os casos, não há comprovação de que os episódios ligados ao terrorismo surgiram a partir de serviços de mensagem convencionais.

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Entretanto, nos sete anos desde que Theresa May se tornou secretária de Estado e, posteriormente, primeira-ministra, dezenas de milhares de policiais desapareceram das ruas. Em geral, os orçamentos da polícia caíram mais de 20% entre 2010 e 2015.

E, enquanto o orçamento contra o terrorismo aumenta, as forças especiais que operam fora do Reino Unido estão recebendo quatro vezes mais do que as forças internas – e é justamente no Reino Unido que os acontecimentos eclodiram.

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No fim, Theresa May sabe perfeitamente o quão absurdas são suas demandas e está consciente de que é algo improvável de acontecer. O que eles estão conseguindo, entretanto, já que os ataques terroristas continuam, é um desvio de culpa.

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