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Bill Gates e Mark Zuckerberg doaram milhões à escola polêmica

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Até 2015, a Bridge havia levantado US$ 100 milhões. O dinheiro foi destinado, em parte, por Bill Gates e pela Chan Zuckerberg Initiative, empresa formada por Zuckerberg e sua esposa. (Divulgação)

A aprendizagem personalizada é uma das teorias educacionais em alta no Vale do Silício atualmente. O modelo prega que cada estudante deve aprender de acordo com o seu próprio ritmo, geralmente por meio da ajuda da tecnologia, e é defendido publicamente por bilionários como Bill Gates e Mark Zuckerberg.

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No entanto, de acordo com o site de notícias “Business Insider”, Gates, Zuckerberg e outros grandes nomes do Vale do Silício estariam apoiando uma escola com modelo educacional de abordagem contrária, que persegue ganhos de aprendizado com grade curricular padrão de acordo com o país.

Apesar de ter como missão a oferta de educação de alta qualidade e baixo custo para todos, a instituição atraiu críticas de alguns especialistas e entidades de professores por causa do modelo utilizado para alcançar sua meta.

A Bridge International Academies, tema de um artigo recente do “The New York Times”, opera em centenas de escolas em Uganda, Quênia, Nigéria, Índia e Libéria. Apesar de ter como missão a oferta de educação de alta qualidade e baixo custo para todos, a instituição atraiu críticas de alguns especialistas e entidades de professores por causa do modelo utilizado para alcançar sua meta.

As escolas Bridge empregam professores locais para conduzir planos de aulas digitais pré-produzidas que são distribuídos pela rede de instrutores internacionais da empresa. A porcentagem de professores que precisam de certificação varia de acordo com o país, disse um porta-voz. No Quênia, por exemplo, 30% deles precisam ser certificados. Segundo a fonte, 51% dos professores quenianos atendem ao requisito.

Todos os estudantes da Bridge em um determinado país recebem a mesma educação ao mesmo tempo – coisa que os advogados da aprendizagem personalizada classificam como insuficiente ou, pior ainda, ineficaz.

Até 2015, a Bridge havia levantado US$ 100 milhões, diz uma reportagem do “Wall Street Journal”. O dinheiro foi destinado, em parte, por Bill Gates e pela Chan Zuckerberg Initiative, empresa formada por Zuckerberg e sua esposa, Priscilla Chan, para doar 99% de suas ações do Facebook a iniciativas que promovam avanços na ciência e na educação. Além disso, a empresa de investimentos filantrópicos Omidyar Network, o Banco Mundial, outras investidores de risco e o fundo Pershing Square também contribuíram.

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Gates, contudo, já manifestou sua opinião de que o modelo antigo de aprendizado não é o ideal. “É incrível quão pouco a sala de aula clássica mudou ao longo dos anos”, escreveu o CEO da Microsoft em seu blog “Gates Notes”. Por séculos, professores do mundo todo davam aulas expositivas em frente a uma sala de estudantes sentados em fileiras. “Esse sistema foi desenhado há décadas”, continuou o bilionário, “e não reflete o que os educadores aprenderam sobre ajudar os alunos e os professores a fazerem um trabalho melhor.” Isto é, estudantes aprendem de maneira muito mais eficiente quando a instrução é adaptada a suas necessidades específicas.

A filosofia de aprendizagem personalizada fundamentou a educação especial quando ela começou a ser empregada há mais de 40 anos, e continua a caminhar em direção às escolas públicas dos Estados Unidos. Zuckerberg também já defendeu a personalização, inclusive do tempo, como a melhor abordagem para ensinar.

O fato de Gates e Zuckerberg apoiarem a Bridge do ponto de vista financeiro provavelmente reflete seus objetivos primários de tirar as pessoas da pobreza. Detalhes sobre o estilo específico talvez sejam irrelevantes se os dados mostrarem que o método está funcionando. E a Bridge tem dados para mostrar isso.

Em 2015, a empresa publicou um artigo técnico que comprovou que 2.737 estudantes do jardim da infância, primeiro e segundo anos da Bridge produziram o dobro e, às vezes, o triplo dos ganhos em leitura e matemática em comparação com as crianças de escolas públicas convencionais.

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As críticas apontam para um conjunto de outros fatores como desvantagens, no entanto. O custo é a primeira – e talvez maior – barreira, já que a Bridge exige que os pais paguem mensalidade, almoço e, em alguns casos, materiais escolares. A rede de escolas tem altas taxas de atrito e várias situações de inadimplência.

A fundadora da Bridge, Shannon May, informou a “New York Times Magazine” que sua empresa está considerando parcerias com instituições de microfinanciamento para ajudar as famílias a arcarem com os custos.

Um advogado de uma união local de professores também expressou preocupação com a qualidade da educação, argumentando que a Bridge foca menos em educar estudantes pobres do que em atrair estudantes de escolas públicas.

Em dezembro de 2016, o secretário geral Wilson Sossion e a União Nacional de Professores do Quênia (Knut) publicaram uma crítica negativa sobre a Bridge, alegando que a empresa estava operando um negócio ilegal com fins lucrativos. Em junho, a escola processou a Knut e Sossion por difamação.

Mas, de acordo com o modelo de pensamento das pessoas do Vale do Silício como Gates e Zuckerberg, o modelo parece estar preenchendo uma necessidade de mercado genuína. A Bridge está no caminho de educar 4,1 milhões de crianças até 2022, com receita anual de US$ 470 milhões.

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