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Como aprimorar e baratear a saúde nos Estados Unidos

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Permitir que as pessoas comprem seguro de saúde no país inteiro vai criar um mercado nacional mais competitivo (iStock)

Há três medidas que precisam ser tomadas para transformar a saúde de um passivo sempre crescente em um mercado superinovador, rico em produtividade e baseado em patentes, no qual os custos das curas, dos remédios e dos equipamentos cairiam rapidamente.

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• Aquisição de seguros de saúde no país inteiro. Permitir que as pessoas comprem seguro de qualquer empresa em qualquer estado dos EUA. Isso criaria um mercado nacional mais competitivo. Mais empresas e planos concorreriam para ter você como cliente. No momento, se você mora em Nova Jersey e quer comprar uma apólice oferecida em Wisconsin, está impedido de fazê-lo. Essa mudança também estimularia o crescimento dos planos de seguro e das redes de atendimento médico multiestaduais. Os deputados republicanos prometem um dia achar uma maneira de realizar essa mudança crucial. O Senado deveria acrescentá-la agora à sua versão do projeto de lei.

• Tratamento tributário equitativo. Tanto as pessoas físicas como os empregadores deveriam obter deduções de impostos por comprarem seguro de saúde (até que tenhamos o imposto proporcional). Por que só empresas e autônomos devem obter deduções de impostos ao comprarem seguros? Por que não as pessoas físicas? Se quisermos ter um mercado robusto e sadio para as pessoas físicas que compram seguros – e isso é absolutamente fundamental se quisermos evitar o sistema socialista de atendimento inferior e a falta de inovação –, devemos acabar com essa diferenciação tributária. Mesmo que uma empresa ofereça seguro, por que isso deve ser uma proposta do tipo “pegar ou largar” para os trabalhadores? Se você não gosta do plano do empregador, deveria poder abrir mão dele e contratar um plano melhor com seus dólares isentos de impostos.

• Liberdade para comprar os planos que você quiser. Os deputados republicanos deram passos tímidos no sentido de possibilitar que os estados ofereçam alguma flexibilidade às seguradoras – caso obtenham a permissão do Tio Sam – nas determinações de cobertura. As amplas determinações do Obamacare aumentaram enormemente os prêmios dos seguros. A eliminação da maioria, senão da totalidade, dessas imposições reduziria os custos para as pessoas físicas contratantes. Além disso, a liberalização do mercado facilitaria o surgimento de novos tipos de apólices e de opções para o consumidor. O governo Trump também deveria promulgar duas enormes mudanças na legislação.

• Fazer com que o Medicare exija que hospitais e clínicas divulguem os preços de todos os procedimentos e serviços. Na região norte da Nova Inglaterra, por exemplo, o preço de um teste de esforço nuclear para pacientes com problemas cardíacos pode variar entre US$ 1.450 e US$ 7 mil. Cinquenta milhões de norte-americanos já têm apólices de seguro com franquias altas, a maior parte fornecida pelos empregadores. A transparência nos preços está se tornando essencial.

• Exigir que os hospitais divulguem, a cada mês, quantos pacientes morreram devido a infecções contraídas após serem internados. O número de mortes no país inteiro chega a quase 100 mil por ano, e você pode apostar que a grande maioria poderia ter sido evitada por meio de medidas internas rigorosas. Isso também eliminaria os custos substanciais relacionados ao tratamento dessas infecções secundárias.

Em frente com as USAs!

Os deputados republicanos vão focar agora nos cortes de impostos, e há uma boa ideia para um excelente veículo de poupança do consumidor que o Partido Republicano deveria incorporar a qualquer legislação que venha a aprovar. Teria ótima aceitação e seria um grande gerador de capital. Chamados de Contas de Poupança Universais (Universal Savings Accounts, ou USAs) por seus responsáveis – o senador Je Flake (pelo estado do Arizona) e o deputado Dave Brat (Virgínia) –, esses planos têm as virtudes das contas individuais de aposentadoria (IRAs) do tipo Roth, mas sem suas desvantagens.

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Todos os maiores de 18 anos, independentemente da renda, poderiam abrir uma USA e contribuir com até US$ 5.500 por ano em dinheiro após impostos. Esse dinheiro renderia isento de impostos. Você poderia investi-lo em ações ou títulos ou aplicá-lo em fundos do mercado financeiro. Agora o melhor de tudo: você poderia fazer saques sempre que quisesse, por qualquer motivo, sem pagar impostos ou multas. Não haveria nenhuma babá de Washington, da receita federal ou do Congresso microgerenciando suas escolhas.

As USAs seriam tão procuradas que o Congresso logo sofreria pressão para aumentar os limites de depósito, talvez incluindo outros veículos de poupança, como IRAs do tipo Roth, planos 401(k) com reinvestimento (quando você sai de uma empresa) e Contas de Poupança para Educação Coverdell. (Congresso, veja bem: o teto das contribuições na Grã-Bretanha é de US$ 25 mil por ano.)

Um artigo escrito por Ryan Bourne e Chris Edwards para o Instituto Cato analisa como essas contas estão se saindo no Canadá e na Grã-Bretanha. Moral da história: elas são um tremendo sucesso. A flexibilidade nos saques as torna especialmente atraentes para pessoas de renda mais baixa. Na Grã-Bretanha, por exemplo, 55% dos titulares dessas contas têm renda anual inferior a US$ 25 mil. Bourne e Edwards observam: “Em relação à sua renda, as pessoas de renda inferior detêm mais [nessas contas] do que as de renda superior”. Além disso, está claro que esses veículos incentivam as pessoas a pouparem mais. São perfeitos para todas as idades porque podem ser usados para qualquer finalidade, desde um fundo para emergências até um pé-de-meia para dar entrada numa casa ou para a aposentadoria.

As USAs seriam favoráveis ao crescimento econômico. E, em especial, seriam interessantes exatamente para as famílias de trabalhadores que deram as vitórias de novembro último ao Partido Republicano.

Fed: um destruidor da prosperidade?

Será que o Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) continuará a prejudicar a economia? Suas mal concebidas políticas monetárias adotadas desde a crise de 2008-2009 distorceram os mercados de crédito, frustrando, assim, uma recuperação econômica vigorosa. Os empréstimos às pequenas empresas e às famílias acabaram sendo restringidos, enquanto o dinheiro para o governo federal e as grandes empresas estava disponível facilmente, a taxas de pai para filho. A Apple, por exemplo, emitiu mais de US$ 80 bilhões em títulos, mesmo tendo níveis recordes de dinheiro em caixa (US$ 257 bilhões, atualmente). A engenharia financeira das corporações recebeu anabolizantes, enquanto os gastos de capital produtivo se estagnaram. (Os desembolsos das empresas aumentaram um pouco este ano, na expectativa de cortes de impostos e outras medidas pró-crescimento tomadas pelo presidente Trump.)

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O Fed somou a esse crime um confisco sem precedentes de ativos da economia dos Estados Unidos por meio da compra de títulos e hipotecas. Seu portfólio inchado totaliza hoje cerca de US$ 4,5 trilhões. Ao devorar os títulos de longo prazo e controlar o preço do dinheiro, ele causou uma escassez de títulos para as seguradoras, os fundos de pensão e outras entidades que têm obrigações financeiras de longo prazo.

O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, está cogitando ativamente a emissão de títulos com vencimento de 50 a 100 anos. Espera-se que isso venha a fazer parte de um programa para prolongar de forma significativa o vencimento médio de nossa dívida interna, hoje escandalosamente curto. Devido às baixas taxas vigentes, a política atual é realmente perversa. Emitir mais títulos ajudará a diminuir a escassez.

Mnuchin deveria orientar nosso banco central a reduzir imediatamente seu obsceno portfólio. Quando um título ou hipoteca vence, o Federal Reserve não deveria reinvestir as receitas. O Fed também deveria ser instruído a vender grande parte de seus títulos e a comprar letras do Tesouro, além de fazer acordos de compra overnight com fundos do mercado financeiro. Essas medidas liberariam crédito para uso produtivo na economia real.

Uma série formidável sobre a guerra

A 1ª Guerra Mundial (1914-1918), merecidamente chamada de “Armagedom” por Winston Churchill, foi o maior cataclismo causado pelo homem em toda a história. Ela enfraqueceu a fé na civilização ocidental e a ideia otimista de progresso, trazendo, em sua esteira, os horrores totalitários do estado policial no comunismo, no fascismo e no nazismo. (Muitos traços da mistura venenosa dessas ideologias podem ser encontrados nos escritos dos terroristas islâmicos da atualidade.)

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Uma ótima maneira de começar a ter ideia do que o mundo viveu um século atrás é assistir no YouTube a uma série apropriadamente intitulada The Great War. A cada semana, há um segmento de nove a dez minutos de duração, habilmente apresentado por Indiana “Indy” Neidell, abordando o campo de batalha e os eventos políticos e diplomáticos que estavam ocorrendo há exatos 100 anos. Neidell, ator e músico criado no Texas, mas que mora em Estocolmo há 20 anos, não só faz a narração, como também realizou a maior parte da imensa pesquisa envolvida. Além dos episódios semanais, Neidell e equipe estão lançando diversos especiais sobre armamentos, cultura, aspectos da vida nas trincheiras, figuras notáveis e muito mais.

Trata-se de um feito impressionante. Dê uma olhada – e depois faça sua contribuição financeira.

*Steve Forbes é editor-chefe de FORBES

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