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A derrota de US$ 1 bilhão

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A seleção dos Estados Unidos Perder para Trinidade &Tobago na partida decisiva (Getty Images)

Os norte-americanos nunca tiveram tanto interesse por futebol quanto em 2017.

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O time masculino dos Estados Unidos jogou todas as Copas do Mundo da FIFA desde 1990, o feminino é o atual campeão do mundo, o soccer é o esporte mais praticado por meninos e meninas e a liga profissional, a MLS, atrai mais torcedores para os estádios do que o Campeonato Brasileiro.

Por tudo isso, a surpreendente não classificação para a Copa do Mundo da FIFA da Rússia, em 2018, causou tanta revolta entre torcedores e mídia.

Perder para Trinidade & Tobago na partida decisiva não estava, definitivamente, nos planos do Team USA nem nos planos de todos que investem no esporte.

A ausência dos Estados Unidos terá um impacto financeiro de centenas de milhões de dólares para patrocinadores e canais de televisão. Em 2014, quando o México corria o risco de não se classificar para a Copa do Mundo do Brasil, a estimativa era de US$ 600 milhões para o futebol mexicano. Mantidas as proporções, o impacto estimado agora passará de US$ 1 bilhão.

A não classificação é um desastre para todos.

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As emissoras de TV perdem muito. Estima-se que a Fox e a NBC Telemundo, detentoras dos direitos nos Estados Unidos, pagaram US$ 425 milhões e US$ 600 milhões, respectivamente, pelos direitos até 2026. Ambas tinham planos comerciais agressivos de investir na promoção da Copa do Mundo e a expectativa de faturar alto vendendo as cotas de patrocínios. Depois do vexame do time norte-americano, o preço dos pacotes terá que ser reduzido significativamente.

Os patrocinadores globais perdem muito. Todos os patrocinadores FIFA, com exceção da empresa estatal de energia russa Gazprom, têm importantes negócios nos Estados Unidos. Todos esperavam beneficiar-se com o interesse dos torcedores em ver seu time jogando contra os grandes do futebol mundial na Rússia para promover seus produtos e serviços.

Os patrocinadores locais perdem ainda mais. Sem o Team USA em campo, fica praticamente impossível ativar o patrocínio. Sem direitos às marcas e logos do evento, exclusivos dos patrocinadores globais, não há o que fazer.

A Federação Americana de Futebol perde nas finanças, pois deixa de receber os bônus pagos pela FIFA, que variam entre US$ 2 milhões e US$ 50 milhões, dependendo da classificação final no torneio.

Além de não ganhar, a Federação ainda terá que desembolsar muito mais do que havia planejado para divulgar o esporte. Em um país com tantas modalidades esportivas, promover o soccer não é tarefa fácil. Não jogar a principal competição do mundo fará com que muitos jovens percam o interesse e mudem de esporte. Atraí-los de volta terá um custo ainda não estimado, mas certamente bastante alto.

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A Major League Soccer e seus clubes perdem. A primeira divisão do futebol nos Estados Unidos tem feito um excelente trabalho na construção dos times, torcidas e da liga como um todo. Sem a seleção na Copa, o interesse pelo esporte cairá e, muito provavelmente, a frequência nos estádios, a venda de produtos licenciados e a compra de pay-per-view também.

Os jogadores perdem. Perderão em potenciais contratos com clubes europeus, na renovação de seus acordos atuais, nos patrocínios individuais, em aparições públicas etc. Isso sem falar na marca que carregarão pelo resto de suas carreiras como a seleção que não se classificou.

Finalmente, a FIFA perde. Todos os fatores acima têm uma influência muito negativa no potencial de atrair investimentos. E sem os investimentos do mercado norte-americano, fica muito difícil fechar as contas globais da federação e continuar a desenvolver o esporte na América do Norte.

A ausência do país nos campos pode ser irrelevante para o sucesso da Copa do Mundo da Rússia, mas é uma tragédia para o business do futebol. O negócio é começar agora a preparação para 2022. Ouvi dizer que a disputa não será fácil, pois a nova geração de jogadores de Trinidade & Tobago vem com tudo!

 

Ricardo Fort (@SportByFort) é executivo de marketing internacional baseado em Atlanta, Geórgia. Sua opinião é pessoal e não reflete a visão editorial de FORBES Brasil.

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