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“Em um mundo em que só 1% controla a riqueza, não haverá estabilidade política”, diz Obama em evento em São Paulo

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“Países que não educam mulheres, negros e crianças no mesmo ritmo do que os homens não são bem-sucedidos porque metade de sua força está sendo deixada para trás e talentos estão sendo desperdiçados”, disse Obama. (GettyImages)

“Temos de nos certificar de que a nova economia funcione para todas as nações e todos os povos”, afirmou o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante sua palestra no Fórum Cidadão Global, organizado pelo jornal “Valor Econômico”. Segundo Obama, ao mesmo tempo em que o capitalismo propicia riqueza, inovação e criatividade, o sistema também pode dificultar que trabalhadores consigam situações justas. “Em um mundo em que só 1% controla a riqueza, não haverá estabilidade política”, afirmou.

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O ex-presidente apontou, ainda, que a desigualdade vai além das diferenças que existem entre os cidadãos dos nossos próprios países. “Assim como trabalhamos para reduzir a desigualdade em nossos países, temos de trabalhar para diminuir a diferença entre países ricos e pobres. Essa não é a coisa certa a se fazer – é a inteligente”, disse Obama, que utilizou as mudanças climáticas como um exemplo de problema que só poderá ser resolvido a partir da cooperação internacional.

Outro assunto que requer uma força-tarefa entre as nações, sob o ponto de vista de Obama, é a ameaça real que a Coreia do Norte representa. Ele afirmou que é importante que os Estados Unidos sigam desenvolvendo seu poderio tecnológico e militar – no entanto, tão importante quanto isso, é a cooperação entre os países e as alianças baseadas em ideologia, capazes de trazer uma perspectiva de esperança.

Outro tema alvo de discussões constantes na mídia abordado por Obama foi a questão migratória. “Precisamos de um consenso renovado de abertura para pessoas de culturas diferentes e que tenham aparência física diferente da nossa. A minha esperança é que nós vejamos isso como uma fonte de força e não de fraqueza”, disse. Segundo o ex-presidente, a migração ordenada pode ajudar uma nação a avançar, com novas ideias e pontos de vista.

Além dos refugiados, Obama defendeu a inclusão de mulheres, negros e crianças no sistema educacional. “Países que não educam mulheres, negros e crianças no mesmo ritmo do que os homens não são bem-sucedidos porque metade de sua força está sendo deixada para trás e talentos estão sendo desperdiçados.”

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Obama explicou que um dos motivos para a rejeição de imigrantes e refugiados é o fato de que, no momento de colisão entre culturas, as pessoas se preocupam que suas raízes, valores e ideais sejam afetados. Isso causa o aumento do nacionalismo e da xenofobia, que têm como uma de suas consequências as políticas populistas, tanto da extrema esquerda quanto da extrema direita.

A situação, segundo ele, é agravada pela internet, que “tem potencial de espalhar conhecimento, mas também dá poder aos que espalham ódio e morte”. A tecnologia muda a maneira como as pessoas consomem informação, o que pode levar a tendências de divisão. “Estamos mais conectados do que nunca, mas é mais fácil ficar preso em nossas próprias bolhas, onde só ouvimos pessoas que pensam igual a nós mesmos e nunca desafiamos as nossas premissas. Tudo o que lemos é o que um algoritmo disse que deveríamos ler”, disse. O ex-presidente defendeu como possíveis soluções para esse problema o cultivo do jornalismo independente e o estímulo à concorrência entre veículos de mídia. Segundo ele, nenhum tipo de censura governamental sobre a mídia pode ser positiva.

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