Colunas

Cientistas descobrem mineral que pode tornar a internet 1.000 vezes mais rápida

Um raro mineral descoberto na Rússia em 1830 pode ser a chave para acelerar a velocidade da internet (Reprodução / Wikipédia)

Um raro mineral descoberto na Rússia em 1830 pode ser a chave para acelerar a velocidade da internet em até mil vezes. A perovskita (CaTiO3) tem um número de propriedades incríveis, muitas das quais os cientistas estão percebendo apenas agora.

LEIA MAIS: 10 países onde a internet é mais rápida

A substância é um mineral de óxido de cálcio e titânio, mas a mágica está na habilidade de deter diferentes cátions em sua estrutura física, o que oferece a possibilidade de ser modificado da forma que os engenheiros acharem necessário. Apesar de os cientistas já conhecerem o mineral há algum tempo, originalmente descoberto nos Montes Urais, na Rússia, em 1839, pesquisadores continuam encontrando nele características muito úteis.

A perovskita é encontrada no manto da Terra e tem sido minada no Arkansas, nos Montes Urais, na Suíça, na Suécia e na Alemanha. Cada variedade tem composições químicas diferentes, o que permite características físicas variadas. Uma dessas características, descoberta em 2009, é a habilidade do mineral de absorver raios solares e gerar eletricidade, uma forma natural de célula solar. Atualmente, a perovskita está em desenvolvimento para uso em células solares, displays e conversores catalíticos.

A próxima geração de transferências de dados terahertz

Agora, cientistas descobriram a habilidade do mineral de usar o espectro de terahertz na transferência de dados. O tipo específico de perovskita usada é tanto inorgânico quanto orgânico, e pode ser colocado como uma fina camada em uma pastilha de silicone. A habilidade única desse sistema é que ele usa luz em vez de eletricidade para transferir dados, possibilitando que a velocidade da transferência seja 1.000 vezes mais rápida do que a da tecnologia atual.

A banda terahertz está entre a luz infravermelha e a frequência de rádio (100 a 10.000 Gigahertz). Isso se compara à faixa de 2.4 gigahertz da maioria dos celulares atualmente. A camada de perovskita pode transferir dados através de leves ondas na banda terahertz usando uma simples lâmpada de halogênio. Ao usar essa lâmpada, os pesquisadores descobriram que poderiam modificar as ondas de terahertz à medida que elas passam pela perovskita. Isso permitiu que a equipe de pesquisadores codificasse dados nas ondas e os transferisse 1.000 vezes mais rápido do que o  método eletrônico tradicional.

VEJA TAMBÉM: 10 países onde a maior parte da população não imagina a vida sem internet

A pesquisa se baseia nas descobertas anteriores de modulação de ondas em perovskita. Entretanto, os estudos anteriores usaram lasers caros e potentes, o que encareceu muito o processo para uso comercial. A nova descoberta utiliza lâmpadas de halogênio simples e baratas. Além disso, a equipe descobriu que é possível especificar a cor da luz para modular dados simultaneamente em frequências diferentes. Ou seja, eles não só podem transferir dados mais rapidamente usando ondas terahertz como também ativar múltiplas transferências usando diferentes lâmpadas coloridas ao mesmo tempo.

Esse avanço abre caminho para o uso de transferência de dados terahertz nas futuras gerações da computação e da comunicação. Com uma velocidade 1.000 vezes maior, esse processo simples e barato de transferir dados apresenta uma infinidade de oportunidades de transformar nossas vidas digitais. Infelizmente, teremos que esperar, no mínimo, 10 anos até que o método se torne, de acordo com os autores, viável comercialmente. Quando esse momento chegar, poderemos vivenciar uma grande mudança tecnológica.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil (copyright@forbes.com.br).

Comentários
Topo