Os degraus de cada um

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Os obstáculos são minimizados depois que o sucesso já foi alcançado (iStock)

Há uma frase inspiradora de Winston Churchill que diz: “O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder entusiasmo”.

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Mas cabe perguntar: quantas vezes é preciso fracassar para se conquistar um objetivo na vida? Essa não é, sem dúvida, uma ciência exata, um número ou uma linha a se cruzar. Está mais para uma fórmula de erros e acertos, que desafia, muitas vezes, a lógica e a razão.

Vale ressaltar que a maioria das histórias de sucesso empresarial começa com uma avalanche sucessiva de fracassos. Estão aí as histórias da Disney, da Harley-Davidson, de Steve Jobs, Oprah Winfrey e tantas outras que se tornaram cases de superação. E estão sempre aí para nos lembrar que o sucesso não vem sem uma farta dose de persistência. Independentemente do placar adverso, é preciso ter muito entusiasmo para se reerguer depois de inúmeras tentativas fracassadas. Tantas vezes quantas forem necessárias.

Há quem não sofra nenhuma derrota antes de vencer na vida (Parabéns! Vocês confirmam a regra.) E existem aqueles que, mesmo saindo de um ponto de partida adverso, persistem por uma longa jornada até alcançar uma grande conquista. Então, as histórias de superação não passam necessariamente pelo número de fracassos, que envolvem dificuldades financeiras ou profissionais.

O fracasso ou as condições adversas não são a ruína ou o triunfo da derrota

Os obstáculos são minimizados depois que o sucesso já foi alcançado. Hoje, quem vê as histórias de vida de Howard Schultz, dono da Starbucks; de Lirio Parisotto, um dos homens mais ricos do Brasil; do cantor Andrea Bocelli; e até da ministra Delaíde Alves Miranda, do Tribunal Superior do Trabalho brasileiro, não imagina exatamente como foi a trajetória de incertezas e fracassos de cada um.

Howard Schultz, por exemplo, nasceu em uma família humilde. Morava no bairro do Brooklyn, em Nova York. Seu pai era motorista de caminhão. Graças a uma ideia rejeitada, virou dono da Starbucks. A empresa vendia grãos de café, e Schultz era um de seus funcionários. Numa atitude ousada, ele tentou persuadir seus superiores para que a empresa passasse a vender também o café pronto e se tornasse um espaço de convivência social. A ideia foi recusada. Decepcionado, assim que pôde abriu sua própria cafeteria (hoje qualquer um faria isso no lugar de Schultz, não é mesmo? Mas nem todo mundo enxerga o óbvio ou tem coragem de partir para uma nova empreitada). Posteriormente, ele comprou a Starbucks e abriu lojas em todo o mundo com um modelo refinado de negócios.

A vida do empresário brasileiro Lirio Parisotto também é cheia de referências. Nasceu em uma família de pequenos agricultores. Sua casa era de madeira, cheia de frestas. Trabalhava na roça com seus nove irmãos. Aos 22 anos, tornou-se sócio de uma pequena loja de som de carros. No fim da década de 80, criou a Videolar, que produzia fitas cassete e VHS. Posteriormente, entrou no mercado de ações e ficou bilionário. Perdeu dinheiro com a crise financeira de 2008, mas segue sendo muito rico.

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A história da família da ministra do TST não é muito diferente. Ela também ajudava os pais na roça – coincidentemente, com seus nove irmãos. Tinham plantação de feijão, arroz e milho. Aos 14 anos, Delaíde Alves Miranda saiu da zona rural e passou a trabalhar como empregada doméstica em Goiás para poder estudar. Também trabalhou como recepcionista em um consultório médico, em um escritório de advocacia e em uma revendedora de tratores. Advogou por mais de 30 anos. Em 2011, foi indicada para o cargo de ministra no TST pela Ordem dos Advogados do Brasil.

Obstáculos e fracassos não afrouxaram o entusiasmo de Delaíde. Da mesma maneira, não sufocaram a voz e a música de Andrea Bocelli. O tenor fazia faculdade de direito e se apresentava em bares da Itália para pagar os estudos e as aulas de canto. Chegou a terminar a faculdade, na década de 1980, e trabalhou durante um ano como advogado. Para o bem de nossos ouvidos, optou pela música e passou a ter aulas com o maestro Luciano Bettarini. Quando tinha mais de 30 anos, conheceu Luciano Pavarotti, que se tornou seu padrinho na carreira.

Essas histórias mostram que o fracasso ou as condições adversas não são a ruína ou o triunfo da derrota, que os degraus podem ser muitos e de tamanhos diferentes para cada um, mas podem ser galgados com o mesmo entusiasmo que Churchill ensinou.

*Nelson Wilians é CEO do Nelson Wilians & Advogados Associados

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