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Por que o chocolate pode deixar de existir em 40 anos

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Os cacaueiros parecem ser cada vez mais vítimas de doenças fúngicas e mudanças climáticas. (iStock)

Como lidar com uma notícia terrível quando ela afirma que iremos perder uma das melhores maneiras de lidar com notícias terríveis?

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Um artigo de Erin Brodwin para o portal de notícias “Business Insider” chocou com a seguinte manchete: “O chocolate está a caminho de ser extinto em 40 anos”. A preocupação é que os cacaueiros, que produzem o cacau, fonte natural do chocolate, possam desaparecer até 2050.

Os cacaueiros parecem ser cada vez mais vítimas de doenças fúngicas e mudanças climáticas, que podem aumentar as enchentes costeiras e a incidência de incêndios em florestas e furacões, além de promover a dispersão de doenças transmitidas por insetos, destruir recifes de coral, ameaçar centenas de espécies animais e minar nosso estilo de vida atual.

A ameaça de doenças fúngicas não é nova. Em 2010, Michael Moyer escreveu para a publicação científica “Scientific American” sobre como a dispersão de vassoura-de-bruxa, de monilíase e de outras doenças fúngicas destruíram cacaueiros na América Central, seu habitat natural. Os cientistas estão preocupados que essas doenças fúngicas possam ir a outras partes do mundo e causar estragos semelhantes na amada árvore produtora do fruto que nos dá o chocolate.

O problema é que os cacaueiros são muito sensíveis. O site da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) descreve como essas árvores precisam de condições muito específicas de floresta tropical: temperaturas razoavelmente uniformes, alta umidade, chuva abundante, solo rico em nitrogênio e proteção do vento. Essas condições existem atualmente apenas 20° ao norte e ao sul da linha do Equador (ou, talvez, em ainda menores 10°).

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Atualmente, Costa do Marfim, Gana e Indonésia são os líderes na produção de chocolate, mas os dois países da África Ocidental geram mais da metade do produto do mundo. Isso torna o suprimento mundial de chocolate mais vulnerável ainda a qualquer pequena mudança no clima. Na verdade, os modelos climáticos preveem um aumento de 2,1°C nas temperaturas até 2050 e condições mais secas nessas áreas, o que pode diminuir ainda mais as possíveis áreas de cultivo.

Ainda que as previsões de extinção possam ser um pouco prematuras, estas tendências sugerem que o futuro do chocolate pode estar ameaçado caso nada seja feito. Uma opção é agir de verdade em relação às mudanças climáticas, o que começa por admitir que elas existem e controlar substancialmente a poluição.

Preocupada com o futuro, a Mars, empresa que produz, entre outras coisas, chocolate, comprometeu-se a reduzir suas emissões de carbono como parte de seu programa “Sustainability in a Generation”. Também afirma trabalhar com cientistas para desenvolver cacaueiros mais resistentes. Isso inclui colaborar com a Dra. Jennifer Doudna, cientista da Universidade da Califórnia, em Berkeley, vencedora do Prêmio Japão e uma das inventoras da CRISPR, um conjunto de técnicas que permitem “editar” genes e criar plantas capazes de resistir a doenças fúngicas e viver em um conjunto de condições mais amplo.

De qualquer maneira, as ameaças ao chocolate mostram quão precário nosso fornecimento de alimentos realmente é. Apenas porque nosso super mercado local parece ter muita comida, não significa que nosso suprimento será capaz de acompanhar a população crescente e as condições mutáveis. Há evidências de que as mudanças climáticas têm afetado de forma negativa diferentes aspectos de nosso fornecimento de alimentos, como campos de culturas-chave, como o trigo.

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