Como a tecnologia vai mudar o futuro do sono

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Nós passamos um terço de nossas vidas dormindo, mas apenas agora estamos nos dando conta da importância do sono. (iStock)

Nós passamos um terço de nossas vidas dormindo, mas apenas agora estamos nos dando conta da importância do sono. Em 2016, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos descobriu que cerca de 33% dos adultos não dormem o suficiente – pessoas que, privadas do sono, custam ao país mais de US$ 400 bilhões por ano.

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Segundo um relatório do instituto de pesquisa Rand Europe, cerca de 1,2 milhão de dias de trabalho são perdidos nos EUA todos os anos devido ao cansaço dos funcionários. Na estimativa do prejuízo financeiro estão os custos com a saúde gerados pelos impactos de longo e curto prazos que a privação de sono causa sobre cérebros e corpos. O aumento crescente nas pesquisas e na consciência fizeram com que o tema passasse a ser recorrente. Isso desencadeou uma indústria dedicada a ajudar as pessoas a dormirem.

Conforme a sociedade fica cada vez mais cansada, as empresas estão percebendo que há uma oportunidade crescente para inovação no segmento. A tecnologia, em particular, pode ser utilizada para resolver problemas que, por décadas, ninguém na indústria do sono foi capaz de resolver.

A maneira como dormimos não mudou fundamentalmente em mais de 50 anos. A última grande inovação nesse mercado foi o travesseiro feito de espuma com memória, inventado em 1966. Desde então, não aconteceu muita coisa. Nós temos carros autônomos nas ruas, mas ainda dormimos sobre camadas de espuma. A indústria global de colchões deve alcançar US$ 38 milhões até 2022, mas todos os colchões do mundo não serão capazes de impactar radicalmente nosso sono, porque não se adaptam às nossas necessidades específicas. Sob a embalagem elegante e o marketing sólido, há apenas um pedaço de espuma e tecido.

Trazer a tecnologia para nossos quartos é algo que pode realmente transformar a experiência de sono. Ela já avançou em quase todos os aspectos das nossas vidas – das viagens de avião a robôs limpadores, passando pelos pedidos feitos com um toque dos dedos. Como abraçamos a inovação mais rapidamente do que nunca, parece que nossos gadgets não precisam mais ser reservados apenas para as horas em que estamos acordados.

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Uma vasta gama de produtos está sendo introduzida para resolver problemas comuns de sono causados por temperatura imprópria do quarto, barulho, luz excessiva ou distúrbios como apneia e insônia. Se a tecnologia puder regular a temperatura, minimizar distrações e tratar distúrbios, então o sono vai melhorar significativamente. Além disso, produtos que prometem estimular o sono profundo restaurador ou sensores que podem detectar fatores de saúde importantes também nos beneficiarão. Regular a tecnologia para otimizar e melhorar o sono vai permitir que, finalmente, possamos atingir o máximo de recuperação e descanso.

Executivos e especialistas em bem estar do Vale do Silício concordam que a tecnologia tem de enfrentar o sono. O site de notícias “Well + Good” até nomeou a ciência de sono de alta tecnologia uma grande tendência para 2018. A revista “Inc” diz que gadgets inovadores do sono definirão as bases tecnológicas deste ano.

Dormir bem é um dos pilares da saúde que não pode mais ser ignorado. Estudos mostraram que dormir pouco pode aumentar o risco de Alzheimer, causar ganho de peso e tornar os adultos até 200% mais vulneráveis a ataques cardíacos e derrames. Ao ajudar as pessoas a dormirem melhor, a tecnologia do sono pode ser o próximo passo no desenvolvimento humano e na longevidade. Ela tem potencial de adicionar horas em nossos dias e anos em nossas vidas.

Com base nos muitos dispositivos expostos no Consumer Electronics Show deste ano, o sono restaurador está ao alcance dos nossos dedos. Novos gadgets podem revolucionar seriamente a maneira como dormimos. Da faixa SmartSleep, apresentada pela Philips, à almofada com sensores da Nokia, o mercado da tecnologia do sono parece cheio de novos produtos. A feira de Las Vegas também mostrou a Dreamlight, uma faixa que cobre os olhos e utiliza luz, cor e sons para manter o usuário dormindo. Na cena dos aplicativos, há o Shleep, uma plataforma única de coach de sono que entrega conselhos sob medida toda noite.

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Apesar de sua crescente popularidade em 2018, a tecnologia do sono não é uma novidade. Uma das pioneiras foi a Zeo, empresa estabelecida em 2003 para monitoramento do sono. Seu produto principal era uma faixa que media as ondas cerebrais para detectar com precisão cada um das fases. A Zeo, infelizmente, encerrou suas operações em 2013, provavelmente porque os consumidores ainda não estavam prontos para abraçar a tecnologia do sono naquele momento. Agora, porém, o sono está finalmente pronto para uma disruptura.

O mercado está sendo invadido por produtos e soluções para o problema e não mostra sinais de arrefecimento. Globalmente, espera-se que o segmento alcance mais de US$ 76 bilhões em 2019. E, conforme a qualidade do sono melhora, aumentam a energia, a produtividade, a saúde e, consequentemente, a felicidade das pessoas.

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