“Sair na lista da FORBES colocou luz sobre a minha liderança”, diz Eduardo Lyra sobre o UNDER 30

Marcelo Spatafora
Eduardo Lyra ministra palestras nas escolas públicas do país e leva aos jovens de baixa renda motivação e exemplos de superação pessoal (Marcelo Spatafora)

Eduardo Lyra apareceu em FORBES como um dos jovens mais influentes abaixo dos 30 anos em 2014, ano de estreia da lista no Brasil, graças ao seu empreendedorismo social. Porém, sua história inspiradora e cheia de superação começou muito antes: Edu cresceu em uma favela em Guarulhos, na Grande São Paulo.

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Apesar de o pai ter optado pelo caminho do crime e, por isso, ter passado boa parte da infância de Edu na cadeia, o jovem encontrou na mãe a força para continuar estudando –
Eduardo Lyra publicou, inclusive, o livro “Jovens Falcões”, no qual conta casos de sucesso de jovens brasileiros que servem de inspiração.

Em 2011, o livro batizou a iniciativa criada por Eduardo Lyra, que, por meio de aulas e oficinas, utiliza a edução com foco em esporte, cultura, qualificação profissional e geração de renda para moradores de periferias e favelas. Atualmente, um de seus principais programas é a formação de jovens programadores e a colocação deles no mercado de trabalho.

Entre as outras conquistas de Edu está o fato de ter sido escolhido, pelo Fórum Econômico Mundial, como um dos 15 jovens brasileiros que podem mudar o mundo, fazendo parte do Global Shapers.

Veja, a seguir, a entrevista concedida por Eduardo Lyra a FORBES, quatro anos depois de sua participação no UNDER 30:

FORBES: Como foi participar do UNDER 30? O que você sentiu e qual foi a importância na sua vida?

Eduardo Lyra: Quando vocês me colocaram na lista eu já era um cara sonhador, um líder na favela, mas não tinha recursos. Minha sede ficava em uma salinha de 4 m². Quando chegou a notícia, eu quase caí para trás. Eu pensei: ‘Pô, não tem ninguém mais influente para esse povo botar não?’. Mas entrar na lista me ajudou muito. FORBES colocou luz sobre a minha liderança, fez o Brasil enxergar o que eu estava fazendo e até ajudou a acelerar o crescimento da própria Gerando Falcões.

Para muitos jovens, ver um cara multimilionário, que está ganhando milhões seja pela música, pelo esporte etc., na lista FORBES é esperado. Agora, quando um cara da favela, que nasceu na comunidade e está travando uma luta social na periferia por meio do empreendedorismo sai na lista, automaticamente acende uma luzinha na cabeça do outro jovem da comunidade. É como se ele falasse: “Opa! Se o Edu chegou lá, eu acho que eu também posso”. Então muita gente foi inspirada e passou a acreditar mais em si.

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Eu utilizei essa lista, o fato de aparecer entre os mais influentes do Brasil abaixo dos 30 anos, para tentar tirar um pouco do teto que existe sobre os jovens da periferia. Porque eles recebem um teto que indica aonde podem chegar, em quais salas não devem entrar, em qual andar não podem subir. Eu usei isso para tirar o teto delas e falar que a sua história é você quem faz.

Para mim, sair na lista significou empoderar milhares de jovens das periferias e favelas e provar que eles podem entrar em qualquer lista, seja em FORBES ou em outra. É possível e todo mundo pode: branco, negro, rico, pobre, dos Jardins e da favela. As listas estão aí e os recordes estão aí para serem quebrados… Então, vai que dá!

FORBES: Participar da lista também teve impacto em seus negócios como palestrante?

Edu: Teve impacto em todos os sentidos, inclusive como palestrante, sobretudo no meio corporativo do país.

Você saiu na lista de 2014. O que mudou na Gerando Falcões desde então?

Edu: A Gerando Falcões cresceu por uma série de coisas. A lista também colaborou, principalmente porque fez com que a gente chamasse a atenção da classe empresarial do país. Hoje, a ONG é muito maior do que naquele momento.

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Eu praticamente não tinha apoio. Hoje, nós temos apoio da Microsoft, da Oracle, da Ambev e da Motorola, fomos auditados pela KPMG e acabamos de receber um investimento do Jorge Paulo Lemann, Flávio Augusto da Silva, Carlos Wizard e Daniel Castanho para criar a rede Gerando Falcões, um modelo de franquias sociais. Nós vamos replicar a iniciativa em favelas do Brasil inteiro. Temos um plano de ter dez unidades nos próximos cinco anos, pulando de 1,2 mil para 18 mil famílias atendidas.

Que conselho você daria para um jovem que tenha como ambição participar dessa lista?

Edu: O conselho que eu daria para ele é o mesmo que a minha mãe me deu quando eu morava em um barraco na favela e meu pai estava na cadeia. O conselho é: não importa da onde você vem, na vida o que importa é para onde você vai.

O jovem que quer sair nessa lista pode estar agora na lista das pessoas que foram mandadas embora do emprego. Mas a vida muda. É possível, e isso não é só para o Edu e para o Neymar. É difícil e dói, mas a gente tem de se agarrar ao 1% de possibilidade. E não tem problema sonhar grande, não faz mal sonhar com a lista. Às vezes, esse jovem pode não chegar na lista de FORBES – mas chega na lista dos próximos aprovados do Enem, na lista dos próximos que vão ser contratados, e consegue ser maior e melhor na vida.

FORBES: Você foi convidado para palestrar em Harvard, no evento Brazil Conference, em abril. Como você se sentiu?

Edu: Eu senti uma responsabilidade. Agora tenho uma oportunidade de representar o meu sonho. O Elon Musk sonha em morrer velho com Marte colonizado. Eu sonho em morrer bem velho, em um Brasil sem favela. Eu quero mandar a atual favela para o museu e construir comunidades empreendedoras que entreguem renda e dignidade às pessoas.

Eu vou dedicar os meus próximos 30, 40 anos para mudar as favelas do Brasil. Não faz sentido! O homem já fez tudo: já fez o Facebook, o Twitter, as estradas, o Elon vai pra Marte, e a favela continua sem saneamento básico, escola e esperança. Eu vou mobilizar a elite do país para levar riqueza para as favelas e mudar essa realidade.

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