“Brasil só será uma economia de Primeiro Mundo com continuidade a longo prazo”

Agência Brasil
Durante o jantar, Meirelles também falou sobre o que acredita ser necessário para o próximo governo: apostar na produtividade da economia e, claro, na reforma da Previdência. (Agência Brasil)

Para que um dia o Brasil se torne uma economia de Primeiro Mundo, é necessário apostar na continuidade de longo prazo. O diagnóstico é do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, estrela de um jantar oferecido pela Associação Brasileira de Estilistas (ABEST), ontem (22).

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“É necessário continuar a fazer as reformas que propusemos, continuar a política econômica. Em resumo, é uma continuidade com o que dá certo. O país vai crescer na medida em que isso for feito constantemente, como aconteceu com países como a Coreia do Sul. Isso tem de ser feito durante muito tempo. Não existe mágica. O que existe é a política certa aplicada consistentemente durante um longo tempo”, falou com exclusividade à FORBES Brasil.

Durante o jantar, Meirelles também falou sobre o que acredita ser necessário para o próximo governo: apostar na produtividade da economia e, claro, na reforma da Previdência.

Com a indústria da moda como exemplo, o ministro defendeu que o Brasil aposte em setores com potencial de competir globalmente. “O país vai aumentar o padrão de renda e entrar no grupo de países desenvolvidos quando tiver indústrias com condições de exportar e competir com as importações.” Segundo ele, por muito tempo, o Brasil adotou medidas protecionistas e incentivos a setores errados, que não tinham potencial competitivo.

Entre as mudanças defendidas por Meirelles, está a simplificação tributária: “Uma empresa média gasta 2.600 horas por ano para pagar impostos. Estamos com um projeto de simplificação tributária para baixar para uns 40% desse tempo em um primeiro momento.” O ministro também defende a redução do tempo médio de abertura de empresas, de 101 dias para 10 dias. “Essas são algumas das chamadas reformas da produtividade, que visam a simplificar a vida de quem quer e está produzindo no Brasil”, explica.

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Ainda sobre tributação, Meirelles pontuou também que o total de impostos no Brasil é muito alto, o maior entre todos os países emergentes. O grande problema, para ele, é que apesar disso, o Governo Federal teve um déficit público de R$ 159 bilhões. “Desse total, 57% foi para a previdência social, principalmente de ex-servidores públicos. Em dez anos, a previsão é que 80% da arrecadação vá para a aposentadoria, o que significa que irá faltar dinheiro para saúde, educação e segurança”, explica.

“Acho que existe uma boa possibilidade de fazer a reforma fiscal ainda neste governo. A reforma da Previdência acho difícil, possivelmente, ficará para o ano que vem.” Por isso, Meirelles defende que, independentemente de quem seja o próximo governo, deve haver comprometimento com essa questão. “Não adianta tapar o sol com a peneira.”

Sobre uma possível candidatura, Meirelles despista. “Tenho duas semanas para decidir. Se eu decidir, vocês irão saber.” Mas disse avaliar positivamente o movimento de empresários e executivos para a política. “Acho bom porque eles levam outra visão para a vida pública, uma experiência administrativa e gerencial.”

Em termos de previsão, o ministro é otimista: “Neste ano, o Brasil deve crescer 3% e criar 2,5 milhões de empregos. O poder de compra está aumentando e vai continuar a aumentar”.

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