Já raiou a liberdade?

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Os brasileiros exigem um país que seja aberto à livre iniciativa, que respeite a liberdade de culto, pensamento e expressão (iStock)

É inspiradora a letra do belo Hino da Independência, de 1822, composta pelo poeta Evaristo de Veiga e que contou com a melodia dedilhada pelo próprio dom Pedro I. Nestes tempos estranhos que confundem o patriotismo saudável com o nacionalismo xenófobo, é sempre bom ouvir o inspirado verso “já raiou a liberdade no horizonte do Brasil”. Como brasileiro, considero esse trecho um chamado.

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O raio da liberdade poucas vezes deu o ar da graça no nosso horizonte, mas, antes tarde do que nunca, é preciso colocar a luz que emana dele como instrumento para nossa emancipação e desenvolvimento como nação soberana, justa e próspera. O bicentenário da Independência do Brasil está chegando, e o momento é de reflexão sobre os rumos do país. Quem for eleito no pleito de 2018 estará à frente da nação nesses festejos. Podemos imaginar cenários completamente opostos? Devemos!

Do solo fértil do maior evento de varejo do mundo, o NRF 2018 Retail’s Big Show & Expo, em Nova York, surgiu um movimento que já é notícia na imprensa brasileira. O Movimento Brasil 200 nasceu da inquietação da sociedade civil – e não apenas dos empresários. A sua principal mensagem é a de que precisamos de um país liberal na economia e que proteja os indivíduos e as famílias que aqui vivem e trabalham. Muito mais do que uma reunião apartidária da sociedade civil, o movimento é um grito de liberdade. Os brasileiros exigem um país que seja aberto à livre iniciativa, que respeite a liberdade de culto, pensamento e expressão.

O Brasil não precisa de aventureiros. Os brasileiros querem mudar sua realidade, definir o próprio destino e alcançar a prosperidade com seus méritos

Passou da hora de libertar o Brasil e sua brava gente do peso insuportável do dinossauro estatal. Os conflitos artificiais entre patrão e empregado, rico e pobre, branco e negro precisam acabar. A luta hoje é de quem trabalha, investe e produz em oposição aos parasitas sustentados pelos privilégios do Estado. Os trabalhadores e empresários são aqueles que puxam a carruagem do desenvolvimento. Eles levam sobre os ombros pesadas cruzes tributárias e pagam pelas mordomias injustificáveis de uma casta de apaniguados.

Depois da hegemonia das oligarquias, sindicatos, burocratas e políticos tradicionais, o Brasil chegou ao nível de exaustão. Estamos em um país que tem mais homicídios que uma nação em guerra. São mais de 60 mil mortes violentas por ano. “É o mesmo que uma bomba atômica”, lembrou o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. E, de acordo com o Unicef, o Brasil está entre as nações com mais mortes entre jovens. Além disso, tivemos anos seguidos de recessão, com um resultado tenebroso de 14 milhões de desempregados. No varejo, os efeitos foram devastadores, com 200 mil lojas fechadas. Para completar o cenário, o Brasil é o 125º do ranking do Banco Mundial para fazer negócios e o 153º em liberdade econômica pela The Heritage Foundation.

Em 15 anos de desmandos, uma quadrilha assaltou o país. Não foi, no entanto, um período perdido. Toda essa lama trouxe maior conscientização política para todos os segmentos da sociedade, que foi às ruas pedir mudanças. O eleitor está melhor e mais consciente. Com esse despertar, temos fé e esperança de que, em outubro deste ano, lançaremos as bases de um Brasil muito melhor e mais livre.

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O Brasil não precisa de aventureiros e muito menos deve dobrar a aposta em utopias retrógradas e suicidas. Os brasileiros querem mudar sua realidade, definir o próprio destino e alcançar a prosperidade com seus méritos. O Brasil 200 é resultado desse impulso para tirar o Estado das costas dos cidadãos. Do universo entre as nações, resplandece a do Brasil. É hora de ficar a pátria livre.

*Flávio Rocha é presidente da Riachuelo e vice-presidente do IDV (Instituto para o Desenvolvimento do Varejo)

Coluna publicada na edição 57, lançada em março de 2018

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