32 bilionários que já foram presos

O bilionário francês Vincent Bolloré – o 207º homem mais rico do mundo, com US$ 7,4 bilhões, segundo o último ranking FORBES – foi preso na noite de terça-feira (24), perto de Paris, acusado de ter indiretamente influenciado o resultado de eleições para governos da África Ocidental em troca de contratos de portos lucrativos para sua empresa.

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Bolloré não foi o primeiro e certamente não será o último bilionário a ser preso. Pelos mais diversos motivos, que vão de corrupção a assassinato e tráfico de drogas, vários dos homens mais ricos do mundo já passaram algum tempo atrás das grades.

Um caso que ganhou muita repercussão recentemente, por ter sido retratado na popular série da Netflix “Narcos”, foi o do narcotraficante colombiano Pablo Escobar, que se entregou à polícia em 1991. Em outubro de 1987, a FORBES publicou sua primeira lista internacional de bilionários, e, entre eles, estava o rei da cocaína na Colômbia, com fortuna de US$ 2 bilhões. O traficante passou sete anos seguidos na lista da FORBES.

Veja, na galeria de fotos a seguir, 32 bilionários, por ordem alfabética, que já foram presos:

  • Alfred Taubman

    O titã dos shoppings centers e ex-presidente da Sotheby’s passou nove meses na prisão em 2004 por ter, supostamente, manipulado leilões de arte. Ele insistiu que era inocente e publicou um livro, em 2007, em que descrevia seu trajeto em direção aos bilhões e o tempo que passou na prisão. O magnata destinou US$ 56 milhões à Universidade de Michigan e se tornou o maior doador da história da instituição, tendo ofertado, no total, US$ 142 milhões. Ao todo, ele concedeu mais de US$ 250 milhões à caridade, incluindo US$ 26 milhões às escolas de Detroit. Taubam esteve na lista de bilionários da FORBES até falecer, em 2015, quando tinha US$ 3,1 bilhões.

  • Alice Walton

    Em 2011, Alice Walton foi detida por dirigir embriagada e passou uma noite na prisão. Essa não foi a primeira vez que a herdeira do fundador do Walmart Sam Walton foi detida por esse motivo – isso já havia acontecido em 1998, no Arkansas. A bilionária foi liberada na manhã seguinte depois de pagar fiança de US$ 1.000. Atualmente, Alice é a 19a pessoa mais rica do mundo, bilionária do mundo, com fortuna de US$ 41,5 bilhões.

  • Alwaleed bin Talal Al Saud e Saleh Kamel

    O príncipe saudita Alwaleed bin Talal Al Saud, pessoa mais rica do Oriente Médio na lista de bilionários da FORBES de 2017, com US$ 18,7 bilhões, foi preso em novembro do ano passado como parte de uma ação anticorrupção liderada pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman que prendeu 11 príncipes sauditas. Na mesma operação, Saleh Kamel, bilionário presidente do Dallah al Baraka Group, um dos maiores conglomerados do Oriente Médio, também foi detido. No ranking de 2017, Kamel tinha US$ 2,3 bilhões. Diferente dos demais bilionários desta lista – que realmente passaram dias atrás das grades -, os sauditas tiveram uma prisão diferente: ficaram confinados no luxuoso hotel Ritz-Carlton de Riad. Em janeiro, Salman decidiu libertar os prisioneiros. Por causa do episódio – que exigia grandes doações em dinheiro ao estado – e da total falta de informação sobre quem contribuiu ou não (graças às leis de privacidade do país), todos os bilionários sauditas ficaram de fora da edição 2018 do ranking da FORBES.

  • André Esteves

    Em novembro de 2015, o banqueiro brasileiro André Esteves foi preso sob acusação de obstrução de justiça, por supostamente participar de um esquema para evitar a delação do ex-diretor de Petrobras Nestor Cerveró. O empresário saiu da prisão em dezembro daquele ano e ficou em recolhimento domiciliar até abril de 2016, quando foi liberado das medidas cautelares e voltou ao BTG Pactual, onde é o maior acionista. Em setembro de 2017, o Ministério Público Federal pediu sua absolvição no processo, por falta de provas. Na edição 2018 da lista da FORBES, ele ocupa o 1.020º lugar, com US$ 2,4 bilhões.

  • Chey Tae-Won

    O presidente do SK Group, terceiro maior conglomerado da Coreia do Sul em ativos, passou sete meses na prisão em 2003 por fraudes na contabilidade. Chey Tae voltou ao comando da companhia depois de ser libertado e foi absolvido em 2008. Condenado novamente por fraude em 2013, recebeu uma pena de quatro anos de prisão no ano seguinte. Ainda assim, sua fortuna é de US$ 4,5 bilhões, o que lhe garantiu a 466a posição no mais recente ranking da FORBES.

  • Eike Batista

    Eike Batista, que foi o homem mais rico do Brasil por cinco anos, viu sua fortuna despencar nos últimos cinco anos. Sua última aparição na lista de bilionários da FORBES foi em 2013, quando acumulava US$ 10,6 bilhões. Em janeiro do ano passado, o então bilionário foi preso depois que dois doleiros disseram que ele teria pago propinas milionárias a Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro. O empresário teve sua prisão preventiva revogada cerca de quatro meses depois, quando foi determinada a prisão domiciliar. Em outubro, o STF autorizou que Eike ficasse recolhido em casa apenas à noite e durante feriados e finais de semana. Atualmente, o ex-bilionário prepara a documentação necessária para selar um novo acordo de delação premiada.

  • Hans Kristian Rausing

    O problemático herdeiro do império sueco de embalagens de US$ 10 bilhões Tetra Pak foi preso em 2012 depois que sua esposa foi encontrada morta em casa. O bilionário manteve o corpo da mulher, que morreu por overdose, escondido por dois meses. O casal tinha um longo histórico de abuso de drogas. Eles haviam conseguido se livrar de acusações de posse de crack e heroína em 2008. Rausing foi transferido pouco tempo depois para uma instituição psiquiátrica e então libertado.

  • Jay Y. Lee

    Em fevereiro do ano passado, a corte de Seul aprovou um mandado de prisão para o vice-presidente da Samsung Electronics, Jay Y. Lee, por seu papel no escândalo político que estourou na Coreia do Sul em outubro de 2016. Foi a primeira vez que um executivo da Samsung deste nível foi preso, desde a fundação da empresa há quase oito décadas. O herdeiro do maior conglomerado do país foi acusado de pagar cerca de US$ 38 milhões em propina para assegurar a controversa fusão da Samsung com a Cheil Industries em 2015. Lee foi libertado um ano depois e tem, atualmente, US$ 8,2 bilhões.

  • Jim Irsay

    Em 2014, o bilionário dono do time de futebol norte-americano Indianapolis Colts foi detido por posse de substâncias controladas e por operar um veículo enquanto intoxicado. Irsay, que hoje vale US$ 2,3 bilhões, foi abordado pela polícia após dirigir muito devagar. Na sequência, foi reprovado em diversos testes de sobriedade. Além disso, os oficiais encontraram medicamentos controlados no interior do carro. O bilionário saiu da prisão no dia seguinte após pagamento de fiança.

  • John Kapoor

    John Kapoor, o bilionário fundador da fabricante de sprays opióides Insys Therapeutics, foi preso em Phoenix no fim do ano passado e acusado de conspiração para violar diversas leis, na tentativa de que sua empresa fosse beneficiada. Em março, Kapoor, que hoje tem US$ 1,2 bilhão, foi condenado a quatro anos de prisão.

  • Jorge Luis Ochoa

    Com Pablo Escobar, Jorge Luis Ochoa, que também fez parte do cartel de Medellín, foi um dos dois colombianos a aparecerem na primeira lista FORBES de bilionários, em 1987. Em 1991, entregou-se à polícia e foi liberado em 1996, depois de cumprir cinco anos de prisão. Jorge e seus irmãos permaneceram no ranking por seis anos.

  • Maan al-Sanea

    O caso de al-Sanea não faz parte da principal campanha anticorrupção que recentemente tomou conta da Arábia Saudita. O empresário, que em 2007 foi classificado pela FORBES como uma das 100 pessoas mais ricas do mundo, foi detido pelas autoridades no final do ano passado por não ter pago uma dívida de 2009, quando sua empresa, o Saad Group, passava por uma crise. O ex-bilionário segue em um centro de detenção civil.

  • Manuel Moroun

    O bilionário de Michigan construiu sua carreira esticando a lei até o limite para proteger seu lucrativo investimento na Ambassador Bridge, a mais importante ligação econômica entre os Estados Unidos e o Canadá. Em 2012, após anos de litígio, um juiz considerou que Moroun obstruiu a lei vezes demais e o condenou à prisão. Porém, o bilionário – que atualmente detém US$ 1,6 bilhão – permaneceu pouco tempo detido.

  • Michael Milken

    Milken construiu sua fortuna no setor de aquisições alavancadas na década de 1980 e chegou a ocupar o 458o lugar no ranking da FORBES. Em 1989, foi mandado para a prisão. Ele se declarou culpado de fraudes de segurança como parte de um acordo no qual o governo norte-americano concordou, em contrapartida, em não prestar queixa contra seu irmão mais novo, Lowell. Depois de cumprir 22 meses de pena, o ex-executivo da Drexel Burnham Lambert tomou um caminho completamente diferente e é hoje um conhecido filantropo, com um patrimônio atual estimado em US$ 3,7 bilhões.

  • Mikhail Khodorkovsky e Platon Lebedev

    Khodorkovsky, que já foi o homem mais rico da Rússia, com US$ 15 bilhões e a 15a posição no ranking global, e seu sócio, Platon Lebedev, estão atrás das grades desde 2003. Foi neste ano que os dois homens foram presos e condenados por fraude e evasão fiscal. Ambos deveriam ter sido libertados em 2011 mas, em vez disso, foram condenados uma segunda vez em dezembro de 2010 por desviar mais de 200 milhões de toneladas de petróleo e lavar o rendimento da operação, o que adicionou mais seis anos ao tempo de condenação. Muitos acreditam que o presidente Vladimir Putin e seus apoiadores orquestraram as decisões para manter Khodorkovsky, um potencial adversário político, preso.

  • Pablo Escobar

    Em 1991, o narcotraficante Pablo Escobar se entregou à polícia depois de anos de perseguição. Em outubro de 1987, a FORBES publicou sua primeira lista internacional de bilionários – entre eles, estava o rei da cocaína na Colômbia Na época, o cartel de Medellín movimentava uma quantidade absurda de dinheiro. Entre 1981 e 1986, estima-se que o grupo tenha sido responsável pela circulação de US$ 7 bilhões. A fatia de Escobar no cartel era de cerca de 40%. Na lista de bilionários de 1987, FORBES estimou que o colombiano movimentava US$ 3 bilhões enquanto sua fortuna estava avaliada em US$ 2 bilhões. O traficante passou sete anos seguidos na lista da FORBES.

  • R. Allen Stanford

    O ex-bilionário texano do setor de investimentos foi pego por comandar um esquema Ponzi – sofisticada operação fraudulenta de investimentos do tipo pirâmide – de estimados US$ 7 bilhões. Condenado a 110 anos de prisão, está em cárcere desde 2009.

  • Raj Rajaratnam

    O ex-bilionário de fundos hedge, que já comandou o Galleon Group, foi condenado culpado em 14 acusações de fraude no que foi classificado como o maior esquema de informações privilegiadas de todos os tempos. Ele foi sentenciado a 11 anos de prisão, aparentemente a mais longa condenação por informação privilegiada, e multado em US$ 10 milhões. Rajaratnam está em uma prisão federal no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, desde dezembro de 2011.

  • Raymond, Thomas e Walter Kwok

    Em 2012, os irmãos da Sun Hung Kai Properties, de Hong Kong, foram presos por suas conexões com as investigações de suposto pagamento de propina. Os três foram condenados e seguem cumprindo suas penas de prisão, porém continuam bilionários: Raymond e Thomas têm US$ 16,3 bilhões cada e Walter acumula um patrimônio de US$ 7,9 bilhões.

  • Robert Durst

    Em 2016, o ex-bilionário Robert Durst, que confessou ser culpado por posse ilegal de armas, foi condenado a sete anos de prisão. O excêntrico herdeiro da Durst Organization estava na mira da justiça há mais de três décadas como suspeito de vários crimes. Em 1983, sua esposa, Kathleen McCormack, desapareceu após manifestar seu desejo de se divorciar. Já em 2000, a escritora Susan Berman, amiga de Durst, foi encontrada morta pouco antes de ser interrogada sobre o desaparecimento de Kathleen. Um ano mais tarde, Durst foi acusado de assassinar uma pessoa em uma cidade do Texas.

  • Vincent Bolloré

    O bilionário francês Vincent Bolloré – que lidera o Bollore Group, que atua nos setores de construção, logística, mídia, publicidade e transporte e é o principal acionista da Vivendi – foi preso neste mês, perto de Paris, acusado de ter indiretamente influenciado o resultado de eleições para governos da África Ocidental em troca de contratos de portos lucrativos para sua empresa. Hoje, Bolloré tem uma fortuna estimada em US$ 7 bilhões.

  • Vinod Goenka

    Em 2011, no mais notável escândalo de corrupção na área de telecomunicações da Índia, Vinod Goenka foi preso em Nova Deli. Integrante da lista de bilionários da FORBES até 2010, quando ocupava a 880a posição, foi absolvido em 2017.

  • Werner Rydl

    O ex-bilionário austríaco foi condenado pela Justiça Federal em Mato Grosso por transportar, sem autorização, uma barra de ouro avaliada em R$ 73,6 mil. Ele foi preso em março de 2015 ao tentar embarcar em um aeroporto da região metropolitana de Cuiabá com a barra de ouro. Em 2017, Rydl foi condenado a dois anos de prisão. Alguns dias mais tarde, o bilionário foi solto e teve sua pena substituída por prestação de serviços à comunidade.

  • Wesley e Joesley Batista

    Os irmãos empresários Wesley e Joesley Batista, donos da JBS – uma das maiores empresas alimentícias do mundo -, foram presos em setembro de 2017. Joesley foi acusado de omitir informações em seus depoimentos de delação premiada (no âmbito da operação Lava Jato), enquanto Wesley foi acusado de ter manipulado o mercado financeiro e se aproveitado de informações privilegiadas decorrentes de seus próprios acordos com a Procuradoria Geral da República para obter lucros milionários. A prisão preventiva de ambos foi substituída por medidas cautelares e ambos deixaram a carceragem da Polícia Federal entre fevereiro e março deste ano. Os irmãos estiveram na lista de bilionários da FORBES Brasil até 2016, com R$ 3,1 bilhões cada.

  • Wong Kwong Yu

    O bilionário já foi um dos empreendedores mais celebrados e ricos da China e deteve o título de homem mais rico do país em 2006. Dois anos mais tarde foi detido e, em 2010, condenado a 14 anos de detenção por suborno, acesso à informação privilegiada e manipulação do mercado. Mesmo na prisão, Wong Kwong Yu continua sendo bilionário. Ele é dono de uma fortuna de US$ 1,5 bilhão, apesar de ter visto a queda das ações da Gome Electrical Appliances, a varejista que ele fundou.

  • Zhu Xingliang

    O bilionário chinês acionista da maior empresa de decoração de interiores do país, a Suzhou Gold Mantis, foi mantido em prisão domiciliar em 2014 depois de ser acusado de pagar propina a Ji Jianye, então prefeito da cidade chinesa de Nanjing. Hoje, sua fortuna é de US$ 2,4 bilhões.

  • Ziyavudin Magomedov

    O russo Magomedov, dono de uma fortuna atual de US$ 1,1 bilhão, foi preso em março depois que os tribunais se recusaram a aceitar um acordo onde o bilionário se dispunha a pagar uma fiança de US$ 44 milhões – valor que, segundo a polícia, ele teria desviado de contratos de infraestrutura com o governo. O empresário de 49 anos detém o Summa, um conglomerado que atua nas áreas de energia, infraestrutura, construção e agricultura. Assim como no caso de outros empresários russos, muitos acreditam que o presidente Vladimir Putin e seus apoiadores mantêm Magomedov preso para deixá-lo fora do cenário político.

Alfred Taubman

O titã dos shoppings centers e ex-presidente da Sotheby’s passou nove meses na prisão em 2004 por ter, supostamente, manipulado leilões de arte. Ele insistiu que era inocente e publicou um livro, em 2007, em que descrevia seu trajeto em direção aos bilhões e o tempo que passou na prisão. O magnata destinou US$ 56 milhões à Universidade de Michigan e se tornou o maior doador da história da instituição, tendo ofertado, no total, US$ 142 milhões. Ao todo, ele concedeu mais de US$ 250 milhões à caridade, incluindo US$ 26 milhões às escolas de Detroit. Taubam esteve na lista de bilionários da FORBES até falecer, em 2015, quando tinha US$ 3,1 bilhões.

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