O Lego da construção

O Lego da construção (Divulgação)
Exemplo de residência da Quick House: método prático, econômico, ecológico e de alta performance

Com mais de duas décadas de tradição, a Quick House é veterana no mercado de construção modular industrializada. Já construiu mais de 500 mil metros quadrados para gigantes como McDonald’s e as redes de conveniência da Ipiranga e da BR Distribuidora, além de importantes obras do setor público, como escolas, hospitais, centros de hemodiálise e Tribunais de Justiça. Tanta experiência – inclusive no agronegócio, segmento no qual foi pioneira, em 1972, na construção de silos para armazenamento de grãos – levou a empresa a desenvolver e aprimorar seu sistema construtivo modular industrializado, que tem no aço galvanizado sua principal matéria-prima, um método de construção que utiliza menos cimento e água.

A inquietude e a inovação, presentes no DNA da companhia, fizeram com que, em 2015, a Quick House redirecionasse seu foco de negócios, mirando na construção a seco em larga escala. A construção das casas é baseada na composição de apenas quatro tipos de painéis modulares de aço galvanizado, parafusados uns aos outros, que permitem atender às mais diversas configurações de plantas. Além de utilizar materiais recicláveis – responsáveis por produzir muito menos resíduos, o que deu à empresa o certificado Selo Verde do Instituto Socioambiental Chico Mendes –, a obra consome dez vezes menos tempo do que aquelas feitas a partir de sistemas tradicionais. O método permite uma construção mais resistente, mais fácil de montar e, consequentemente, muito mais ágil do que as opções atualmente disponíveis, como steel framing, wood framing e blocos de concreto. Exemplo disso foi a doação de uma escola na cidade de Governador Newton Bello – município maranhense detentor do menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil –, que levou apenas dez dias para ser erguida, em um local sem acesso a energia elétrica e água.

As fábricas da Quick House têm capacidade para produzir 200 casas por dia

“É uma obra rápida e industrializada”, explica o presidente da Quick House, Luciano Simões Lopes, sobre o sistema de construção industrializado de casas. A companhia tem uma fábrica em Canoas (RS) – onde fica a sede –, com capacidade para construir, a um custo baixo, 200 casas por dia. Lopes desenvolveu o método – que está patenteado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e no United States Patent and Trademark Office – depois de muito pesquisar o mercado externo.

O Lego da construção (Divulgação)
Luciano Simões Lopes, presidente da companhia

Atualmente, a Quick House está presente também nos EUA, onde tem o certificado de construção do condado de Miami-Dade. “É a legislação mais rígida e mais difícil de obter no mundo”, explica o proprietário, sobre a complexidade das leis locais para liberar a construção no estado da Flórida. “Por causa dos furacões, é preciso passar nos testes de vento acima dos 250 km/h e ter paredes resistentes aos objetos perfurantes que são lançados durante a passagem dos hurricanes”, afirma Lopes, que investiu US$ 1,5 milhão na obtenção desse certificado.

O Lego da construção (Divulgação)
Sistema construtivo totalmente adaptável a qualquer projeto arquitetônico

No que diz respeito a custo, a parte estrutural do método desenvolvido pela Quick House provou-se 50% menor do que as paredes de blocos de concreto utilizadas em Miami. Todas essas qualificações abrem um imenso leque de oportunidades para a empresa gaúcha, que acaba de investir US$ 5 milhões na instalação de uma unidade em Orlando com a mesma capacidade da fábrica de Canoas – duas centenas de casas por dia.

Uma parceria com uma grande construtora de Orlando está em fase adiantada de negociação para o fornecimento de peças modulares para a construção de 1.500 casas de 500 m². “Elas ficarão prontas em prazo recorde”, explica Lopes, sobre o projeto que terá entre quatro e cinco fases e levará, aproximadamente, três anos para ser finalizado. Outra novidade é que a Quick House terá presença nos EUA como construtora – assim como no Brasil – e como vendedora de painéis modulares sob o conceito de “faça você mesmo”. “Temos todas as certificações, falta apenas começar a construir”, diz o empreendedor sobre o início das operações nesse formato, dentro de seis meses, na terra do Tio Sam.

O Lego da construção (Divulgação)
Interior da fábrica de Canoas (RS)

Ao aliar inovação, tecnologia, agilidade e empreendedorismo social, a Quick House pretende se tornar um player importante no segmento da construção civil mundial, saltando de um faturamento de R$ 30 milhões nos últimos anos para, aproximadamente, R$ 100 milhões em 2018. Um ousado incremento de 230%, que só é possível para aqueles que realmente confiam no que estão fazendo.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil (copyright@forbes.com.br).