Pesquisadores discutem RMN no campo e na indústria

RMN de baixo campo permite a análise química de amostras grandes, como frutas inteiras

As aplicações da ressonância magnética nuclear (RMN) em diversos segmentos, da academia à indústria, estiveram no centro de um debate que ocorreu neste mês na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba (SP), com a participação de pesquisadores da Embrapa, universidades e empresas.

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A ressonância magnética nuclear (RMN) já vem sendo utilizada há mais de 50 anos na área agrícola para determinar a estrutura química dos princípios ativos dos agroquímicos, mas os equipamentos utilizados para as análises ainda são muito caros. Essas barreiras podem ser superadas com o uso de ressonância magnética de baixo campo, cerca de dez vezes mais barata do que as usadas em medicina e laboratório. Essa é a proposta que o pesquisador da Embrapa Instrumentação, Luiz Alberto Colnago, apresentou na abertura do evento.

Além de Colnago, dois representantes da Fine Instrument Technology (FIT) – empresa parceira da Embrapa Instrumentação no uso da metodologia e desenvolvimento de equipamentos de RMN –, o diretor de Tecnologia Daniel Consalter e Douglas Flores, demonstraram a tecnologia e apresentaram a aplicação industrial dos aparelhos, a convergência para a indústria 4.0 e os métodos não invasivos de análise de frutas e outros alimentos.

Colnago tem conduzido estudos alternativos aos métodos trabalhosos e demorados e desenvolvido equipamentos de custos inferiores para identificar teores de óleo em grãos e alterações em alimentos in natura – frutas e carne bovina – e industrializados – azeite de oliva, maionese, molhos de salada e até vinho, de forma pioneira, desde 1986. O emprego de RMN de baixo campo vem permitindo a análise química de amostras grandes, como frutas inteiras, e alimentos embalados, investigando e monitorando a qualidade dos produtos que fazem parte da mesa do consumidor.

“Em análise de frutas, carnes frescas e produtos comerciais embalados não há competidores diretos, com aparelhos de baixo custo. Na Universidade da Califórnia, um professor utiliza um equipamento de alto custo para estudar vegetais – abacate, ameixas e azeitonas –, mas o princípio de análise desenvolvido por ele é diferente do método brasileiro – é mais demorado”, explica.

O aparelho utilizado por Colnago tem princípio de funcionamento similar aos de uso médico e laboratorial. Mas esse tipo não gera imagem como os aparelhos de uso médico, nem um espectro, como nos aparelhos de uso laboratorial. O que se mede nos aparelhos de RM em baixo campo é o tempo de desaparecimento do sinal de ressonância. Esse sinal é comparado com um banco de dados por programas estatísticos que transformam essa informação na composição química dos produtos agroalimentares.

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RMN monitora processo on line

Os aparelhos e métodos da Embrapa Instrumentação ainda estão em fase de testes, mas já atraíram a atenção da empresa privada Fine Instrument Technology (FIT), que aposta na tecnologia de forma comercial. Segundo Daniel Consalter, a primeira revolução industrial nasceu com a máquina a vapor, a segunda veio com as linhas de montagem e a terceira, com a robótica e automação. A indústria 4.0 seria a quarta revolução industrial que está sendo impulsionada pelos novos equipamentos que se comunicam entre si. “Como ressonância magnética realiza análises rápidas e precisas, ela já vem sendo utilizada para monitorar processos. Ao conectar o equipamento de RMN com uma nuvem de dados e, até mesmo, com as próprias máquinas da agroindústria, eles se comunicariam entre si e podem até ter automação de melhoria do processo implementada, o que são os princípios da indústria 4.0.”, diz.

Consalter explica que clientes da FIT utilizam a RMN para monitorar o processo de extração de óleo vegetal e de suco de laranja. “Ao subir estes dados para a nuvem, os operadores e diretores das indústrias podem monitorar o processo online, trabalhar e acompanhar o histórico de eficiência da usina. Uma outra possibilidade é instalar o equipamento na linha de produção. A ressonância magnética é usada para monitorar o processo remotamente, o que permite ajustes automáticos e a garantia de máxima eficiência”, finaliza.

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