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Ponta dos Ganchos, um dos resorts mais exclusivos do mundo

Não, não fica em Florianópolis. Nove entre dez pessoas que já ouviram falar sobre a reputação do Ponta dos Ganchos Resort, acreditam que ele fica na ilha. O que é natural, porque, embora muito movimentada, Floripa é um dos mais aclamados destinos de praia do Brasil, apesar de não ter calor o ano inteiro, como o Nordeste, por exemplo. Mas fica perto: apenas 40 quilômetros ao norte da capital catarinense, na extremidade de uma longa península chamada Ponta dos Ganchos.

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A rigor, situa-se em frente ao extremo norte de Floripa (é até possível ver a ilha de certos ângulos), mas voltada à outra ponta longínqua, onde se localiza o munícipio de Bombinhas. Há de se falar mais da localização um pouco adiante. Antes, porém, é preciso que você entenda o motivo pelo qual este pequeno resort — com apenas 25 cabanas — é um tema para FORBES Brasil. Há várias razões que se autoexplicam. Ponta dos Ganchos tem a exclusiva chancela da Leading Hotels of the World. É, também, membro da Virtuo­­so, que só aceita os melhores hotéis do mundo. E até o ano passado era membro da Relais & Cha­teaux, outra coleção de propriedades sofisticadas e exclusivas — que abandonou, segundo sua diretora de marketing, Virginia Peluffo, “para optar pelo selo da Leading, que tem uma ótima operação de reservas internacionais”.

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Veja na galeria de fotos mais detalhes deste pequeno paraíso:

  • Paul McCartney e Beyoncé, por exemplo, passaram alguns dias por lá. Além de dezenas de outras personalidades, incluindo empresários, artistas, príncipes e desportistas de nomeada. A relação de nomes é um segredo de Pirro (não é preciso ir longe para ouvir), mas Virginia, o gerente geral, Julio Jost, e os proprietários insistem na tese da privacidade — utilizada, aliás, por estabelecimentos desse padrão — e, portanto, vamos respeitar sua discrição.

    Ponta dos Ganchos usa o nome resort. Os técnicos em turismologia definem que a diferença entre um hotel e um resort é que o primeiro destina-se apenas à hospedagem. O segundo, portanto, ofereceria serviços e prazeres mais amplos.
    A definição é discutível porque hoje é quase impossível encontrar um hotel digno de menção que não tenha, ao menos, um spa, um bom restaurante
    e um business-center.

  • Em um entendimento mais amplo, porém, o resort é aquele destino completo que oferece motivos para você não deixá-lo sequer um momento, não importando se você está na Jamaica, em Cancún ou perto de Florianópolis.

    Esse é o caso de Ponta dos Ganchos, que, para decepção de alguns, não aceita crianças, exceto em feriados familiares (Natal, Réveillon, Dia dos Pais e das Mães). E mesmo nessas datas, pequenos com menos de 12 anos não podem entrar.

  • É preciso mencionar que muitos hotéis em todo o planeta professam essa política para preservar a paz de seus hóspedes. E, no caso de Ponta dos Ganchos, há, também, um aspecto de segurança envolvido: os 80 mil metros quadrados que ele ocupa têm uma topografia acidentada, com rochas e outros obstáculos capazes de ferir os infantes.

    Os bangalôs, que vão de 80 a 300 metros quadrados, são, todos, luxuosos, bem equipados e têm vista para o mar. Os da série Esmeralda (os últimos que foram construídos) vão ainda mais longe na mordomia. Vamos aos itens que chamam a atenção: sauna, jacuzzi interna, piscina externa, lareira, home theater, adega, banheiros duplos, áreas internas e externas para relaxamento e um colchão especial com infravermelho interno, para dar aos hóspedes um sono quase terapêutico. É dispensável mencionar os lençóis de linho egípcio, o tamanho king-size dos leitos e todo o resto que um resort dessa categoria oferece.

  • A vegetação bem cuidada, duas trilhas internas — chamadas Casqueiro e Veleza —, um salão com piscina e academia, um cinema para sessões conjuntas ou privativas, tendas de massagem à beira-mar e carrinhos que levam os hóspedes para cima e para baixo são alguns dos outros serviços disponíveis. O café da manhã, oferecido como uma degustação de vários itens (delicioso, mas nada farto), é servido no salão das Bateiras — um nome local para barcos artesanais que, em outras partes, têm outros nomes. E o jantar, com receitas do chef José Nero, é outro motivo para não deixar o resort. Pratos modernos e elegantes fazem parte do amplo cardápio, que dá destaque aos peixes e frutos do mar. Aliás, as ostras e os mariscos são produzidos pelo próprio hotel em uma fazenda marinha ao lado de sua costa.

    Mas o melhor de tudo é o serviço, genuinamente simpático e impecável. São 85 funcionários no inverno e 120 no verão, cerca de quatro por bangalô. Basta um ventinho na praia e, aparentemente do nada, um deles aparece com mantas felpudas para os mais friorentos. “Quase todos os que trabalham conosco vêm da cidade. Nós fazemos treinamentos no inverno, mas nem é preciso incentivá-los. Sua cortesia é inata”, garante Virginia.

  • Talvez seja necessário voltar ao tempo da caça às baleias para entender esse fenômeno. Foi por volta de 1740 que pescadores açorianos se instalaram na penín­sula que chamaram de Ganchos — devido às suas pontas retorcidas como anzóis. As baleias sustentaram a pequena população por cem anos e, então, acabaram. O povoa­- do ficou, então, com apenas 208 moradores. Hoje, com o nome sem encanto de um antigo governador catarinense, não é mais Ganchos. E tem 12 mil habitantes, 70% dos quais seguem vivendo da pesca.

    A “cortesia inata” deve originar-se do fato que, por muitos anos, os habitantes locais viveram isolados, felizes e ingênuos. Muitos deles seguem sendo assim: têm uma linguagem peculiar, cultuam lendas antigas como a do Boitatá e a do Bicho da Orelha Mole. Rezam para Nossa Senhora dos Navegantes, cantam o boi do mamão, dançam o pau de fita e praticam a (condenada) Farra do Boi. Pescam de tudo, enquanto as mulheres confeccionam crivo (uma renda local), redes, tarrafas e balaios de bambu.

    São discretos e alegres. Mas não foi por esse motivo que dois amigos decidiram investir em um belo terreno nesse lugar esquecido. O uruguaio Daniel Peluffo,
    ex-corretor de imóveis em Floripa, e o investidor inglês Nicholas Razey compraram a área ao redor da caipirinha e em função da amizade. Pretendiam fazer um hotel confortável no local, uma fonte de renda, não muito mais que isso.

  • Abriram-no com essa finalidade em 2001, mas o próprio capricho foi levando a clientes mais exigentes e a mais capricho por consequência. Entre 2003 e 2004, ficaram convencidos de que valeria a pena transformar o Ponta dos Ganchos em um resort muito caro e exclusivo. Deu certo. O projeto original da arquiteta Elianne Klenner, esposa de Daniel, prematuramente falecida aos 54 anos, indicou o caminho a ser seguido na busca da sofisticação. Hoje é a gaúcha Carla Michel, ex-aprendiz de Elianne, que cuida dos retoques, dos benefícios e das pequenas reformas. Nem é preciso dizer que o projeto é impecável como proposto. São 5 mil metros de área construída e a firme determinação de não criar novos bangalôs para não comprometer a qualidade.

    A ocupação, de acordo com a diretora de marketing, anda por volta de 75% — e
    o preço das diárias varia entre R$ 1.800 na baixa temporada — julho e agosto — pelo chalé mais simples (que nunca é simples!) e R$ 5.500 para o mais sofisticado na alta temporada. Números de faturamento não são revelados. Pode-se supor, grosseiramente, que a ocupação multiplicada pelo valor médio das diárias resulte em algo como R$ 25 milhões a R$ 30 milhões ao ano, com o restaurante e os demais serviços pagos incluídos na estimativa.

  • Hoje, a família Peluffo está na cabeça do empreendimento, porque o inglês Razey, embora ainda sócio, voltou para Londres, onde conduz uma empresa de telecomunicações. Sua esposa, também britânica, não se habituou ao cotidiano mais suave de Florianópolis. Ambos, com filhos e amigos, costumam passar uma temporada por ano no resort de que são coproprietários. São parte dos 32% de
    estrangeiros que se hospedam na Ponta dos Ganchos — menos, portanto, que os 68% de hóspedes brasileiros, paulistas em sua maioria.

  • Eles sabem, evidentemente, que, em qualquer guia internacional, o hotel é classificado como romântico e indicado para casais — sobretudo aqueles em lua de mel. Para eles, aliás, há um espaço exclusivo na ilhota próxima, separada por uma ponte sobre o mar. Ali, à luz de velas e ao sabor de jantares requintados, muitos amores se engancharam. Para sempre.

Paul McCartney e Beyoncé, por exemplo, passaram alguns dias por lá. Além de dezenas de outras personalidades, incluindo empresários, artistas, príncipes e desportistas de nomeada. A relação de nomes é um segredo de Pirro (não é preciso ir longe para ouvir), mas Virginia, o gerente geral, Julio Jost, e os proprietários insistem na tese da privacidade — utilizada, aliás, por estabelecimentos desse padrão — e, portanto, vamos respeitar sua discrição.

Ponta dos Ganchos usa o nome resort. Os técnicos em turismologia definem que a diferença entre um hotel e um resort é que o primeiro destina-se apenas à hospedagem. O segundo, portanto, ofereceria serviços e prazeres mais amplos.
A definição é discutível porque hoje é quase impossível encontrar um hotel digno de menção que não tenha, ao menos, um spa, um bom restaurante
e um business-center.

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