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Conheça os bilionários envolvidos com offshores do Panamá

Um dos maiores vazamentos de informação sobre o financiamento offshore mundial, o chamado Panama Papers, descobriu uma das grandes portas de entrada dos paraísos fiscais. O documento também cita nomes de algumas das personalidades mais ricas e poderosas do mundo. As informações supostamente vieram de uma fonte anônima ao Süddeutsche Zeitung, um jornal alemão investigativo, responsável por compartilhar com o resto do mundo.

Depois de um trabalho de investigação de um ano, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) e mais 100 parceiros começaram a publicar cerca de 11,5 milhões de arquivos. Entre eles, e-mails, notas fiscais, extratos bancários, etc. Alguns dos vazamentos vieram do escritório de advocacia Mossack Fonseca, do Panamá, que é, declaradamente, um dos maiores escritórios do mundo. De acordo com o ICIJ, os arquivos abrangem o período de 1977 a dezembro de 2015 e incluem detalhes de 214.000 entidades, 140 políticos, incluindo a presidência da Argentina, o primeiro ministro da Islândia e o rei da Arábia Saudita.

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Os arquivos também têm detalhes de, pelo menos, 33 pessoas e empresas que já estavam na lista negra dos Estados Unidos, incluindo barões da droga mexicanos e organizações terroristas. Além disso, o relatório inclui 29 bilionários da lista dos 500 mais ricos de FORBES, bem como a estrela do cinema Jackie Chan e o astro do futebol Lionel Messi, que ficou em quarto lugar dos atletas mais bem pagos de 2015 listados por FORBES. Mas muitos dos 29 bilionários ainda não foram identificados, no entanto, nós encontramos algumas referências capazes de apontar alguns nomes não tão surpreendentes aos leitores.

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Os EUA agora têm exigido que bancos e governos estrangeiros entreguem dados secretos sobre os seus depositantes. Fora do país, bancos e instituições financeiras de todo o mundo devem revelar detalhes sobre as contas de norte-americanos sob risco de grandes penalidades.

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Veja na galeria de fotos abaixo alguns dos nomes de bilionários ou ex-bilionários que são mencionados nos relatórios ou têm ligações com entidades mencionadas, apesar dos documentos oficiais ainda não terem sido disponibilizados:

  • Dmitry Rybolovlev

    Por muitos anos, fontes sugeriram o envolvimento do bilionário russo Dmitry Rybolovlev com offshore, em parte para esconder ativos de sua ex-esposa Elena. Ela o processou, em 2012, dizendo que o apartamento de US$ 88 milhões dado a filha do casal, de 22 anos, foi, na verdade, uma manobra para disfarçar ativos arrecadados no processo do divórcio. Hoje, os relatórios públicos do Panamá comprovam o que antes era apenas especulação. Os documentos, segundo o ICIJ, mostram que Rybolovlev escondia sua riqueza. Xitrans Finance, por exemplo, é o escritório criado nas Ilhas Virgens Britânicas para Rybolovlev acobertar as obras de Picasso, Van Gogh e Monet além de alguns itens mobiliários de Luís XVI. Segundo o escritório de advocacia Mossack Fonseca, todos esses artigos foram levados para a Suíça, onde sua ex-esposa não tem acesso. Dmitri e Elena Rybolovlev não comentaram ao ICIJ.

  • Bidzina Ivanishvili

    Ivanishvili, que vive em um complexo de aproximadamente 10.000 m² nas montanhas de Tbilisi, foi eleito o primeiro ministro da Geórgia em outubro de 2012. Cerca de 13 meses depois, ele deixou o cargo, depois de seu partido ter vencido as eleições presidenciais e ter se tornado a pessoa mais rica do país. De acordo com os vazamentos, a British Virgin Island’s Financial Investigation Agency (Agência de Investigação Financeira das Ilhas Virgens) pediu para que o escritório de advocacia Mossack tomasse a frente das propriedades e atividades da gestão do Lynden Management em 2011. O escritório de Singapura confirmou que Ivanishvili foi um beneficiário de um trust instituído pelo Credit Suisse. Dois anos mais tarde, de acordo com o ICIJ, Mossack Fonseca identificou Ivanishvili como uma pessoa politicamente exposta e pediu ao escritório de Singapura documentos que comprovem a identidade dele como pessoa e as origens de seus fundos para a gestão do Lynden Management. Singapura, por sua vez, de acordo com o relatório do ICIJ, foi incapaz de obtê-los, depois de questionar o Credit Suisse sobre a forma de lidar com a questão. A companhia suíça, representando Ivanishvili, aparentemente respondeu ao ICIJ que está disposta a ser transparente sobre os dados e empresas que o banco regularmente auxilia.

  • Irmãos Arkady (foto) e Boris Rotenberg

    Boris Rotenberg e seu irmão mais velho, Arkady, são donos do banco SMP e do grupo SGM, uma gigante do setor da construção que presta serviços à estatal russa Gazprom. Por conta do relacionamento próximo com o presidente Vladmir Putin, os Rotenberg tiveram parte de seus bens congelados em 2014 pelas sanções norte-americanas. Boris não foi, assim como o irmão, afetado pelas sanções da União Europeia, por ter cidadania finlandesa. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos alegou que Putin pagou bilhões de dólares aos irmãos por contratos da Gazprom e das Olímpiadas de Inverno de Sochi, já que Boris é vice-presidente da federação russa de judô.

  • Suleiman Kerimov

    Suleiman Krimov fez carreira investindo em empresas prestes a entrar em falência. Ele fundou uma companhia de investimentos variados, a Nafta Moskva, em 1992. Pouco antes da crise de 2008, que afetou seu país, ele vendeu quase todas suas ações em companhias russas, incluindo partes da Gazprom, do banco estatal Sberbank, e em um investimento imobiliário gigantesco nos arredores de Moscou. Kerimov fez inúmeros empréstimos do Morgan Stanley, do Goldman Sachs e do Deutsche Bank, entre outros.

    Logo após comprar uma grande parte da Uralkali, uma empresa de fertilizantes, Kerimov foi obrigado a vendê-la. O CEO da companhia foi preso por autoridades bielorrussas que o acusaram de estar envolvido com uma aliança ilegal com outras empresas. Kerimov só conseguiu se desvincular do escândalo após vender sua parte.

  • Alexei Mordashov

    Graças aos documentos vazados pelo escritório Mossack Fonseca, repórteres descobriram que o músico Sergey Roldugin, amigo de longa data do presidente russo Vladimir Putin, criou empresas que, muito provavelmente, receberam dinheiro de companhias dos bilionários citados acima, bem como de outros empresários russos. Putin e Kirill Shamalov, quem a FORBES deu como bilionário neste ano, também foi mencionado nos relatórios. Aparentemente, Ozon, uma companhia russa de tecnologia, obteve empréstimos em condições favoráveis de empresa de Roldugin e comprou um terreno para a construção de um resort de esqui na montanha de Igora, onde foi o casamento de Shamalov com Katerina Tikhonova, segundo a Reuters.

  • Petro Poroshenko

    De acordo com as análises do ICIJ dos dados do escritório de advocacia Mossack Fonseca, o presidente da Ucrânia se tornou o único acionista dos primeiros ativos da Partners Limited, criada pela Mossack Fonseca nas Ilhas Virgens Britânicas, em agosto de 2014. E isso aconteceu durante o período dos sangrentos ataques da Rússia sobre a Ucrânia.

    De acordo com um dos artigos, enquanto ele estava lutando conta a Rússia, o ex-bilionário, que era conhecido como “o rei do chocolate da Ucrânia”, por conta do sucesso de seus negócios confeiteiros, estava a procura de uma conta pública para a criação de uma empresa por debaixo dos panos. Seus representantes aparentemente responderam às acusações dizendo que os atos foram parte de uma reestruturação para aumento de venda de seus negócios de doce.

  • Beny Steinmetz

    O bilionário israelense Beny Steinmetz é dono da BSGR, uma companhia mineradora com forte presença na África. Steinmetz se mudou para a Bélgica em 1978 para controlar o negócio de seu pai no comércio de diamantes. Ele logo se tornou chairman da Steinmetz Diamond, baseada em Genebra, que vendeu para seu irmão em 2014.

    Seus negócios na África se transformaram em disputas políticas e legais depois que a companhia conseguiu o direito de explorar as minas de ferro da Guiné de graça por conta do ditador Lansana Conté, que retirou a autorização da gigante australiana, Rio Tinto. Em 2010, Steinmetz vendeu 51% das ações da companhia para a brasileira Vale por US$ 2,5 bilhões.

  • Li Ka-shing

    O homem mais rico de Hong Kong, com patrimônio de US$ 6 bilhões, Li Ka-shing chegou a seu nível mais baixo por conta das ações da Husky Energy, uma petrolífera canadense. Investidor da companhia há mais de 30 anos, Li Ka-shing sofreu danos com a queda da empresa.

    De volta à Ásia, sua lealdade ao país foi questionada pela mídia estatal por conta dos mais de US$ 28 bilhões em investimentos na Europa nos últimos cinco anos. Li negou a acusação em uma declaração de três páginas e continua a ser uma das maiores influências em vários setores do mercado, de portos a telecomunicações. Suas companhias empregam mais de 290 mil pessoas.

  • Thomas Kwok

    Com Thomas, de 64 anos, sentenciado a 5 anos de prisão em 2014 por suborno, quem assumiu seus negócios foi o irmão Reymond, de 62 anos. Os Kwok herdaram a companhia de negócios depois da morte do pai, Kwok Tak-seng, em 1990. A maior parte dos investimentos é em Hong Kong, como o International Commerce Centre, o maior arranha-céu da cidade, e o International Finance Centre.

Dmitry Rybolovlev

Por muitos anos, fontes sugeriram o envolvimento do bilionário russo Dmitry Rybolovlev com offshore, em parte para esconder ativos de sua ex-esposa Elena. Ela o processou, em 2012, dizendo que o apartamento de US$ 88 milhões dado a filha do casal, de 22 anos, foi, na verdade, uma manobra para disfarçar ativos arrecadados no processo do divórcio. Hoje, os relatórios públicos do Panamá comprovam o que antes era apenas especulação. Os documentos, segundo o ICIJ, mostram que Rybolovlev escondia sua riqueza. Xitrans Finance, por exemplo, é o escritório criado nas Ilhas Virgens Britânicas para Rybolovlev acobertar as obras de Picasso, Van Gogh e Monet além de alguns itens mobiliários de Luís XVI. Segundo o escritório de advocacia Mossack Fonseca, todos esses artigos foram levados para a Suíça, onde sua ex-esposa não tem acesso. Dmitri e Elena Rybolovlev não comentaram ao ICIJ.

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