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É golpe ou não é? Como o mundo vê o impeachment de Dilma

O processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff não tem sido o assunto do momento apenas no Brasil. Publicações ao redor do mundo também estão com o radar voltado para o país, principalmente, depois que a comissão parlamentar da Câmara aprovou o pedido de impedimento com 11 votos de diferença (38 a 27). À medida que o dia da votação (no próximo domingo, 17) se aproxima, o tema se torna mais recorrente.

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Na imprensa internacional, a crise política brasileira também divide opiniões. Em uma das matérias dedicadas ao Brasil, por exemplo, a “Economist” afirmou no último dia 9 que em um país com uma Câmara “tomada pela corrupção”, novas eleições gerais seriam “o melhor caminho para defender a democracia”. Já o “Financial Times” publicou quarta-feira (13) uma reportagem em que diz que o impeachment está longe de ser a solução, que “é só o começo”.

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Veja na galeria de fotos como 10 grandes veículos ao redor do mundo tem acompanhado o processo de impedimento de Dilma no Brasil:

  • The Economist

    Reino Unido

    “Quando um ‘golpe’ não é um golpe”

    A revista inglesa, que já estampou o Brasil em suas capas com manchetes positivas e negativas, publicou um artigo no último dia 9 de abril, em que classifica como “declaração emotiva” o argumento de definir este processo de impeachment como golpe, usado pelo governo federal e de seus aliados.

    No texto, a publicação afirma que não há evidências de que a presidente Dilma seja corrupta, ao contrário de seu principal acusador, Eduardo Cunha, presidente do Congresso. “Nem ela, nem ninguém de sua família têm contas na Suíça ou empresas offshore no Panamá”, escreve.

    “Seu vice-presidente também assinou algumas das medidas fiscais questionadas e pode ser impedido também. Se isso acontecer, o melhor caminho são novas eleições.” A revista não poupa o Congresso: diz que o país precisa de novos deputados, visto que a Casa está “tomada pela corrupção.”Esse seria o melhor caminho para defender a democracia.”

  • Corriere Della Sera

    Itália

    “Brasil pede o Impeachment da presidente Dilma Rousseff”

    Após a decisão da comissão especial na Câmara, na última segunda-feira (11), o principal jornal da Itália definiu esta semana como decisiva. “A Chefe de Estado está na reta por causa da sua excessiva despesa pública e por violar a lei de responsabilidade fiscal, o que não é um comportamento tão raro para um governo.”

    De acordo com o jornal, as razões para os opositores quererem a cabeça da presidente, na verdade, são outras: uma crise econômica sem saída, o escândalo da Petrobras cada vez mais perto do poder, a pressão do mercado e a grande impopularidade de Dilma.

    O “Corriere Della Sera” diz ainda que a acusação de corrupção soa “instrumental” para um país com tantos políticos envolvidos em casos condenáveis, incluindo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. A publicação fala sobre a possibilidade de eleições antecipadas, nas quais o ex-presidente Lula, “sob investigação por lavagem de dinheiro e ocultação de bens”, seria o favorito.

  • Le Monde

    França

    “Brasil: Michel Temer vê seu tempo chegar”

    O jornal francês publicou ontem (14) um perfil do atual vice-presidente. “Os brasileiros mal o conhecem”, começa o artigo. “Discreto, elegante, glacial”, assim o define a publicação. “Este é o homem das sombras, filho de imigrantes libaneses, profissional da política e das intrigas parlamentares”, completa.

    O jornal aponta que o vice poderá assumir o governo com apenas 3% de intenções de votos nas urnas. “Temer não é o homem que os brasileiros esperam”, afirma. A reportagem indica que o resultado da votação do impeachment de Dilma no próximo domingo é imprevisível, pois o governo se enfraquece cada vez mais com a debandada dos partidos de base e talvez nem sequer os esforços do ex-presidente Lula nos bastidores possam reverter o quadro.

  • Financial Times

    Reino Unido

    “O que o voto pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff significa para o Brasil”

    Em uma reportagem publicada na última quarta-feira (13), o “Financial Times” fez um panorama com oito perguntas que explicam o processo de impeachment. Na questão sobre os bastidores, a publicação diz que o processo é liderado pelo PMDB, “ex-parceiro de coalisão”, e pelo PSDB, “o principal partido de oposição, do qual o líder, Aécio Neves, foi derrotado nas eleições presidenciais de 2014”.

    O jornal destacou ainda as diferenças entre o processo de impedimento de Dilma e do ex-presidente Fernando Collor, em 1992. De acordo com a publicação, embora ambos tivessem a impopularidade em comum, a atual governante tem um grande partido por trás, além de ter apoio de militantes e organizações sociais.

    Por fim, ao se perguntar se os mercados deveriam estar com medo, o jornal é preciso: se ela ficar, o país continuará estagnado. E diz que mesmo se o vice, Michel Temer, assumir, ele também pode ser impedido. “Longe de acabar com os problemas do Brasil, o impeachment pode ser apenas o começo”, concluiu.

  • Die Zeit

    Alemanha

    “Brasil: intrigas iguais a ‘House of Cards’”

    “Nos dias atuais, não dá para entender por que as pessoas ainda se interessam por ‘House of Cards’. Elas não recebem as notícias da política brasileira?”. Com este questionamento irônico, o jornal alemão iniciou seu duro editorial sobre o Brasil, em março último. “Atualmente, o país oferece um número recorde de intrigas políticas. Há um juiz querendo colocar um ex-presidente sob custódia, que tem parte da equipe de sua gestão já atrás das grades. O presidente da Câmara, supostamente com propinas na casa dos milhões em contas bancárias na Suíça, permanece no cargo e quer enfraquecer outros políticos com acusações de corrupção.”

    A publicação lembra que, no meio desse “sistema político desorganizado”, ainda há protestos e até pessoas que pedem o retorno da ditadura militar. “Nesta história da política brasileira, falta, na verdade, uma única coisa: a moral.” O jornal, no entanto, poupa a presidente ao falar que ela não estava envolvida diretamente com os escândalos. “Claro que é possível dizer categoricamente que todos os políticos sob suspeita deveriam cair. Mas não sobraria quase ninguém no Brasil. A única exceção possível seria apenas Dilma Rousseff, a presidente.”

  • The New York Times

    Estados Unidos

    Um dos principais jornais dos Estados Unidos tem acompanhado de perto o processo de impeachment. Na reportagem publicada na última segunda-feira (11), em que fala da aprovação do relatório que recomenda o impedimento da presidente, o jornal também destacou que “Rousseff é uma raridade entre as principais figuras políticas do Brasil que não encara acusações de enriquecimento ilícito”.

    Ainda assim, o jornal afirma que o governo, que se mantém incrivelmente impopular, terá de correr para impedir que a oposição conquiste o voto de dois terços dos 513 deputados federais no próximo domingo (17).

  • The Guardian

    Reino Unido

    “A visão do Observer do Brasil”

    “The Observer”, a versão de domingo do jornal inglês “Guardian”, publicou no dia 20 de março um editorial que não pega nada leve com a atual situação nacional. “Países que vão sediar Olimpíadas geralmente tentam se apresentar da melhor forma para a audiência global. Mas não o Brasil”, afirmou a publicação. “O caminho para o Rio 2016 está traçado com crise econômica, pânico de zika, protestos e um escândalo de corrupção que tem chacoalhado o governo de Dilma Rousseff, a oposição e o establishment brasileiro.”

    Ao lembrar que faz pouco tempo que o país saiu de uma ditadura militar, eles oferecem como solução que Dilma deixe o cargo. “O dever de Rousseff é evidente: se ela não consegue reestabelecer a calma, deve chamar novas eleições ou renunciar”.

    Além disso, a publicação faz um link com a queda de outros governos de esquerda na América Latina. “Como o Brasil mostra, líderes de esquerda cometeram muitos erros. Mas não são as suas ideologias que estão sendo rejeitadas, e sim sua incompetência e ilegalidade”, conclui o jornal.

  • L’Express

    França

    “Brasil: Dilma Rousseff destituída? Um cenário recomendado pelos deputados”

    Em uma reportagem publicada na última terça-feira (12), o jornal francês definiu a derrota sofrida pela presidente na comissão da Câmara na segunda (11) foi “um revés esperado, mas preocupante”. A publicação repercute as declarações de Dilma, que chama o processo de impeachment de “golpe institucional”, e alerta que nem situação, nem oposição têm os votos necessários para barrar ou aprovar o impedimento no próximo domingo (17).

  • El País

    Espanha

    “Comissão parlamentar aprova que o Congresso julgue Rousseff”

    O conhecido jornal espanhol, em reportagem publicada na última terça-feira (12), diz que a votação de segunda-feira (11) foi “quase uma formalidade”, já que poucos acreditavam na vitória do governo. No entanto, “a diferença de 11 votos foi maior do que a esperada, o que mostra a Rousseff e seus aliados que eles estão piores do que imaginavam”.

    O “El País” ressalta, por fim, que, com 50 votos de indecisos, “ou que se dizem indecisos”, ainda não se pode saber o resultado da votação do próximo domingo (17), mas a presidente deu “mais um passo rumo ao abismo político”.

  • The Washington Post

    EUA

    “3 partidos abandonam a presidente do Brasil à medida que a votação do impeachment se aproxima”

    O “Washington Post” publicou na última quarta-feira (13) que as chances de a presidente Dilma “sobreviver ao impeachment diminuíram consideravelmente” depois que PP, PRB e PSD decidiram declarar apoio ao impedimento. A publicação norte-americana disse que a debandada dos membros de partidos centrais para a oposição “provocou um desânimo crescente entre os apoiadores e membros do PT”.

The Economist

Reino Unido

“Quando um ‘golpe’ não é um golpe”

A revista inglesa, que já estampou o Brasil em suas capas com manchetes positivas e negativas, publicou um artigo no último dia 9 de abril, em que classifica como “declaração emotiva” o argumento de definir este processo de impeachment como golpe, usado pelo governo federal e de seus aliados.

No texto, a publicação afirma que não há evidências de que a presidente Dilma seja corrupta, ao contrário de seu principal acusador, Eduardo Cunha, presidente do Congresso. “Nem ela, nem ninguém de sua família têm contas na Suíça ou empresas offshore no Panamá”, escreve.

“Seu vice-presidente também assinou algumas das medidas fiscais questionadas e pode ser impedido também. Se isso acontecer, o melhor caminho são novas eleições.” A revista não poupa o Congresso: diz que o país precisa de novos deputados, visto que a Casa está “tomada pela corrupção.”Esse seria o melhor caminho para defender a democracia.”

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