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Sete erros dos empreendedores novatos no Vale do Silício

Estive em uma conferência muito bacana na semana passada no Vale do Silício, com grandes nomes de empreendedorismo, tecnologia e inovação. Vou compartilhar aqui o que acredito ser a melhor mensagem para os empresários do setor, especialmente os que pretendem levantar fundos internacionalmente.

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Guy Kawasaki, um dos nomes mais reconhecidos do mercado de tecnologia, deu a dica de como fazer os investidores “swipe right” (fazerem a melhor escolha) e explicou os dez erros que os empreendedores não se cansam de repetir por lá. Porém, eu simplifiquei para sete.

Veja abaixo os sete erros de empreendedores novatos no Vale do Silício:

  • Erro 1: Mercado de US$ 1 bilhão e 1% de market share. Solução: focar no primeiro cliente e em uma estratégia de crescimento real e sólida.

    Em primeiro lugar, é difícil conseguir sequer 1% de um mercado, não tome isso como garantido. Em segundo lugar, nenhum investidor quer ouvir que você está indo para “apenas” 1%. Em vez disso, o cálculo é de baixo para cima. Você deve fazer o protótipo do seu produto, ver onde ele está e começar o seu cultivo. Os investidores querem ver o sucesso que você tem agora, não ouvir um monte de estatísticas calculadas sobre onde você pode estar um dia.

  • Erro 2: Foco em escalar muito rapidamente. Solução: foco em escalar de forma sólida.

    Eu nunca vi uma empresa morrer porque não poderia escalar muito rápido. Isso é o que chamamos no Vale do Silício de “um problema de alta qualidade”. Não pense que você precisa começar apoiando a multidão que ainda não adquiriu seu produto, mas pode vir a adquirir no futuro (veja o Erro 1). Guy enfatizou: “eat what you kill”. Foco sobre o que você tem, apenas pense em escala quando você realmente precisar escalar.

  • Erro 3: Foco nas coisas erradas. Solução: foco em vendas.

    Foco errado é aquele que se dá em parcerias, em discursos, em patentes e em seu conjunto de slides, em suma, nada que interessa. Os investidores se preocupam com o seu produto, sua visão e o propósito e com os clientes que afetam sua conta bancária. Então, coloque o seu esforço no protótipo, obtenha vendas e apresente o que você realmente tem, seguindo a regra “10/20//30”, ou seja, “10 slides, 20 minutos, fonte tamanho 30”. “Uma imagem vale mais que mil slides, mas um protótipo e uma demo valem mais que mil apresentações para venture capitals (capital de risco)”.

  • Erro 4: Foco em escalar em série. Solução: crescer paralelamente.

    Em vez de proceder em série, é mais interessante evoluir em paralelo. Guy admite que “o ideal seria fazer as coisas em série, mas a vida entra no caminho”. No mundo real não é possível: levantar dinheiro, contratar equipe, construir o produto, fazer dinheiro e ir para um IPO. Se você faz essas coisas de uma só vez, acaba colocando o carro na frente dos bois. Então, aprenda a trabalhar com sucesso em paralelo.

  • Erro 5: Manter o controle. Solução: esqueça essa possibilidade e pense no bolo maior.

    Você está fundando uma empresa no mundo real. Assim que captar dinheiro de terceiros ou tiver investidores de fora, vai perder o controle total. Mas Guy garante que “o controle é subestimado.” Se você tem uma grande percentagem de uma empresa que quebra, quem se importa? “É muito melhor possuir 0,05% do Google do que 51% de um pedaço de porcaria”. Em vez de ficar com todas as fatias para você, pense em distribuí-las e fazer um bolo maior.

  • Erro 6: Contratar pessoas similares. Solução: contratar pessoas complementares.

    Empreender significa sair da zona de conforto, dessa forma muitas vezes os empreendedores preferem se cercar de pessoas que pensam e executam de forma parecida, assim o desafio parece menos difícil. Bullshit! A verdade é que o fundador da startup precisa ter clareza de que além de visão é necessário execução! E execução só acontece com pessoas, construindo um bom time, lembrando que quanto mais complementar forem os talentos mais chance da empresa ser bem sucedida.

  • Erro 7: Ser amigo dos seus investidores. Solução: exceda expectativas e mantenha um bom relacionamento.

    Eles querem te dar um dólar e obter 50 de volta. Você é um meio para um fim. Sim, os investidores disseram que eles acreditam em você, enfatizaram que “investem em pessoas”, mas a verdade é que eles se preocupam com o sucesso de sua empresa e sobre quanto retorno você pode gerar. Corte o papo furado, mantenha o foco nas vendas do seu produto e mostre que você pode ser bem-sucedido e superar suas expectativas. A relação é amigável, mas eles nunca serão seus amigos. Achei fantástica a forma como Guy colocou a obsessão dos empreendedores em ir discursar para os venture capitals (capitais de risco), acreditando que munidos de Power Point, Word e Excel podem conquistar o mundo. Mais importante do que sonhar com valorizações de mercado megalomaníacas é conquistar o primeiro cliente e manter um crescimento sólido. Prometer menos e exceder as expectativas deveria ser a meta de todos que estão se propondo a montar um novo negócio e trabalhar com capital externo.

Erro 1: Mercado de US$ 1 bilhão e 1% de market share. Solução: focar no primeiro cliente e em uma estratégia de crescimento real e sólida.

Em primeiro lugar, é difícil conseguir sequer 1% de um mercado, não tome isso como garantido. Em segundo lugar, nenhum investidor quer ouvir que você está indo para “apenas” 1%. Em vez disso, o cálculo é de baixo para cima. Você deve fazer o protótipo do seu produto, ver onde ele está e começar o seu cultivo. Os investidores querem ver o sucesso que você tem agora, não ouvir um monte de estatísticas calculadas sobre onde você pode estar um dia.

Bárbara Minuzzi é fundadora e CEO da INVESTHAUS: boutique de investimentos e conexões, fundada no Brasil e hoje com presença nos EUA e China. Bárbara é também advisor da startup holandesa Spinn.Coffee (www.spinncoffee).

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