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13 dicas para tirar seu negócio do papel antes dos 30

Felipe e Henrique Castellini e Victor Santos, fundadores da Liv Up (Divulgação)

Felipe e Henrique Castellani e Victor Santos, fundadores da Liv Up (Divulgação)

Comer bem e de forma saudável não precisa significar pagar caro. A ideia é a premissa de uma startup brasileira de alimentos congelados, com uma proposta ousada: unir praticidade e sabor a uma alimentação nutricionalmente correta e com preço acessível.

Fundada por um trio de sócios na casa dos 20 anos, a paulistana Liv Up começou a operar no início deste ano com 60 opções de pratos, dos mais variados: de lombo de pirarucu grelhado com arroz negro e creme de abóbora a iscas de file mignon com purê de mandioquinha e couve refogada.

Todos os alimentos estão disponíveis no site da empresa, com opções de compra dos alimentos separadamente ou harmonizados em um único prato. O preço médio das refeições, com três ingredientes, é de R$ 22.

“A preferência é sempre por produtos orgânicos”, afirma Felipe Castellani, 23 anos. Com 18 fornecedores ativos, cerca de 85% dos alimentos entram nesta categoria. Devido à sazonalidade dos alimentos e a questões climáticas que afetam a produção, não é possível atingir a totalidade. Mas os sócios dizem garantir que todos os produtos são naturais, sem conservantes ou aditivos. “Molho de tomate, por exemplo, fazemos o nosso. Não é algo simples, traz muito mais complexidade à cadeia, mas faz toda a diferença.”

Saint Peter com crosta de castanha do Pará, lascas de abóbora grelhadas e couve refogada (Divulgação)

Saint Peter com crosta de castanha do Pará, lascas de abóbora grelhadas e couve refogada (Divulgação)

A startup surgiu de uma necessidade de empreender por parte dos sócios aliada a uma visão de oportunidade. Formados em engenharia de produção na USP, Victor Santos e Henrique Castellani, ambos com 27 anos, trabalhavam no mercado financeiro quando, no final de 2014, o primeiro notou que havia engordado 10 kg. “Procurei por opções de comida prática e saudável e não achei”, conta. “Chamei o Henrique e falei: ‘Dá uma olhada nessa área’. Não havia nada nos moldes que queríamos”, conta Victor.

Inicialmente, a ideia era fornecer comida fresca e saudável na casa das pessoas. A logística, no entanto, seria mais cara e difícil, além de atrapalhar uma possível expansão. “Nós teríamos de ter uma loja em cada cidade”, explica Henrique.

Depois de visitar cozinhas industriais e feiras da área, a dupla descobriu a técnica de ultracongelamento, desenvolvida na Itália. “A máquina congela em microcristais, que não estouram fibras e mantêm as características nutricionais do produto”, explica. Eles, então, deixaram seus empregos no meio de 2015 e chamaram Felipe, irmão mais novo de Henrique, para ajudar na operação. Juntos, os três fizeram um investimento inicial de R$ 200 mil para montar o modelo de negócio, criar um site e formar um cardápio.

Em janeiro deste ano, o trio começou a fazer testes com amigos e conhecidos e procurou por novas formas de capitalização. Doze investidores-anjo se interessaram pelo modelo e, até o início de fevereiro, a startup já levantou mais R$ 700 mil.

Hoje com 10 funcionários, entre eles uma chef e uma nutricionista, a startup tenta otimizar cada vez mais o processo de produção. A matéria-prima chega dos fornecedores, e a comida é preparada e ultracongelada. O cliente faz o pedido pelo site e as entregas são feitas por agendamento nos períodos da tarde e da noite, com taxa de R$ 7,90 para uma demanda inferior a R$ 200. “O nosso foco não é exatamente de compras pontuais, mas pedidos maiores, para o mês”, explica Victor. A validade de todos os produtos é de seis meses.

Atualmente, a Liv Up atende sete cidades da Grande São Paulo. O perfil do público é variado: de clientes com foco fitness a solteiros entre 25 e 35 anos em busca de praticidade. Há até mesmo casais de 60 anos cujos filhos já saíram de casa e que desejam diminuir o ritmo na cozinha.

Com capacidade de produção de até 1.000 refeições por dia, a startup busca girar 100% de seus produtos quinzenalmente. “Estamos no começo, há dias em que as vendas chegam a 200 refeições, enquanto em outros esse número é mais baixo”, conta Henrique.

Trabalho é o que não falta. “Hoje trabalhamos mais do que na época em que estávamos no mercado financeiro. Empreender significa fazer as coisas com mais intensidade”, afirma Victor. “Você tem um grande sonho e, a cada dia, tem de dar um jeito de chegar mais perto dele. Só depende de você.”

Veja na galeria de fotos como tirar sua ideia do papel e empreender com menos de 30 anos:

  • Pesquise (e procure pelo melhor)

    Por mais que você conheça seu mercado, pesquisar nunca é demais. Vá a lugares e procure aprender com pessoas mais experientes, que entendem do assunto. “Procuramos por estudos e documentos da Europa, onde há as cozinhas mais produtivas. Que técnicas eles usam?”, conta Felipe. Dessa pesquisa, surgiu a técnica de ultracongelamento, um dos principais diferenciais da Liv Up.

    O mesmo serviu na hora de mapear os melhores produtos. Eles ligaram e visitaram pessoalmente os fornecedores e cobraram certificados e provas de qualidade.

  • Se possível, delegue

    Mesmo que a sua equipe seja enxuta, procure identificar as áreas que precisam de um especialista e delegue o serviço. Para a criação e manutenção do cardápio, por exemplo, a Liv Up contratou uma chef e uma nutricionista em período integral.

  • Coloque todos os gastos no papel

    “Nós visitamos diversas cozinhas industriais e percebemos que muitas delas não têm noção do gasto final na hora de produzir”, conta Felipe. Isso, invariavelmente, atrapalha na hora de precificar seu produto e serviço.

    A Liv Up calcula seus gastos na prática. “O quilo médio da cenoura orgânica é de R$ 3,50 no ano. Mas ela perde 20% quando é limpada, mais 4% na hora de cozinhar e 7% ao ultracongelar.” Essa estimativa foi feita com todos os produtos.

    “A gente tem uma planilha que inclui até mão de obra, quantos minutos leva para fazer algo.” A conta extremamente complexa faz com que eles não tenham gastos desnecessários, algo essencial para uma empresa em início de atividade.

  • Considere os imprevistos

    Imprevistos são algo constante na vida de uma empresa. A Liv Up, por exemplo, havia fechado o fornecimento de 18 itens com um agricultor na região de Porto Feliz, no interior de São Paulo. “Choveu absurdos em janeiro nessa região, ele não teve como plantar e perdeu tudo”, conta Felipe. O mesmo aconteceu com um fornecedor de arroz negro em Sergipe, por conta da seca.

    Se eles dependessem apenas de três ou quatro fornecedores, teriam de adiar a entrega desses produtos. Em vez disso, trabalham com até 18 produtores. Imprevistos vão acontecer, o importante é estar preparado, principalmente quando se trata de uma startup.

  • Pense na logística a longo prazo

    A primeira ideia da Liv Up era entregar comida fresca diariamente na casa do consumidor. Mas isso, além de dificultar a logística inicial, poderia atrapalhar os planos de expansão. “Nós teríamos de ter uma loja em cada cidade”, explica Henrique. “Congelado, facilita a distribuição.”

    No modelo atual, eles podem expandir sem haver a necessidade de uma cozinha física nos novos locais. É importante pensar no futuro e nas possibilidades de expansão desde o começo.

  • Adeque-se ao seu cliente

    As necessidades da empresa devem se adequar aos seus clientes, não ao contrário. A Liv Up, por exemplo, identificou que a maior parte dos seus consumidores não estavam em casa para receber os produtos no horário da manhã ou da tarde. Então, fugiram dos cronogramas tradicionais e as entregas podem ser agendadas para até as 23h. “E, se o cliente precisar que seja depois desse horário, damos um jeito”, afirma Victor.

  • Seja prático

    Geralmente, jovens startups têm poucos funcionários e otimizar o tempo é determinante para o seu crescimento. A Liv Up procurou, por exemplo, investir um pouco mais em algumas máquinas, como de cortar alimentos, em vez de designar parte da equipe para isso.

    “A gente poderia ter um funcionário que passa o tempo inteiro picando cebola e alho. No final do dia, ele ficaria desestimulado e cansado. Com o cortador, ele pode fazer [o mesmo trabalho] em uma hora e aproveitar o tempo para outras coisas”, argumenta Felipe.

  • Invista em tecnologia

    “Poucas pessoas no Brasil procuram investidor em tecnologia”, afirma Henrique. Este, no entanto, foi grande parte da aposta da Liv Up. Além de ter todo o seu serviço hospedado em um site, a eficiência da produção se deve a máquinas importadas de última geração: um ultracongelador italiano e um forno alemão, ambos com touch screen e até memória de programação para diferentes produtos.

  • Acredite no seu produto/serviço e não desista

    Nenhuma empresa vai para frente se seus criadores não acreditarem de verdade no que fazem. No segundo semestre de 2015, o trio de sócios entrou em contato com um fundo de investimentos. Eles montaram um cronograma de acordo com essa possibilidade, mas, em novembro, receberam a negativa.

    “Foi quando o dólar pulou para mais de R$ 4 e todo mundo tirou dinheiro do Brasil”, conta Henrique. “Foi um momento muito difícil, mas decidimos continuar. Existem muitas adversidades que a crise traz, mas acreditamos que tínhamos um produto muito legal para deixar a ideia morrer.”

  • Envolva sua equipe

    Tão importante quanto acreditar no que você faz, é crucial envolver a sua equipe. “Uma das insatisfações que a gente via no mercado financeira é a separação do profissional e do pessoal. Não existe isso, o relacionamento é uma coisa única. As pessoas têm de vir para cá e sentir que estão fazendo a diferença”, afirma Victor.

    “A gente tem um escritório aberto. Todo mundo pensa um pouco em tudo e tem a possibilidade de dar opinião. Além disso, há uma reunião semanal para ouvir a equipe.”

  • Converse com seu cliente

    Não há forma melhor para saber a qualidade do seu serviço do que conversar com quem o consome. “A gente vê o cadastro de um cliente novo, liga para ele e pergunta o que achou da comida, da entrega, se precisa de mais tempero…”, conta Victor.

    “Muitas vezes o cliente não fala nada, mas não comprou mais porque não gostou de alguma coisa”, completa Henrique. Procure ter um feedback para que isso não aconteça.

  • Trabalhe duro

    Se você acha que ser seu próprio chefe é uma boa oportunidade para trabalhar um pouco menos, é melhor permanecer no trabalho atual. “Quando você resolve empreender, tem de saber que só você vai resolver os problemas”, afirma Felipe. “Isso não tem só a ver com horas de trabalho, tem a ver com a responsabilidade.”

  • Depois de tudo organizado, trabalhe um pouco mais

    Nunca é demais lembrar: no início, use toda a sua energia para fazer a empresa funcionar. “Hoje trabalhamos mais do que no mercado financeiro”, conta Victor. O horário formal da Liv Up é das 8h às 23h. “Mas é normal que fiquemos depois desse horário”, completa Henrique.

    Como exemplo, mesmo com a empresa instalada na boêmia Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, o trio de sócios só saiu para tomar uma cerveja uma vez desde a fundação. “Geralmente, saímos e já está tudo fechado.”

Pesquise (e procure pelo melhor)

Por mais que você conheça seu mercado, pesquisar nunca é demais. Vá a lugares e procure aprender com pessoas mais experientes, que entendem do assunto. “Procuramos por estudos e documentos da Europa, onde há as cozinhas mais produtivas. Que técnicas eles usam?”, conta Felipe. Dessa pesquisa, surgiu a técnica de ultracongelamento, um dos principais diferenciais da Liv Up.

O mesmo serviu na hora de mapear os melhores produtos. Eles ligaram e visitaram pessoalmente os fornecedores e cobraram certificados e provas de qualidade.

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