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Qual o significado da compra da Time Warner pela AT&T para a indústria da mídia?

O acordo da aquisição da Time Warner, proprietária da HBO, Warner Bros e CNN, pela gigante das telecomunicações AT&T por US$ 85,4 bilhões foi anunciado na noite deste sábado (22) e o mega-negócio já está criando movimentação na indústria da mídia. A negociação pode reforçar a justificativa para uma eventual ligação entre a Disney e a Netflix.

A aquisição da Time Warner irá transformar instantaneamente a AT&T de uma empresa que fornece serviço de telefonia, TV a cabo, banda larga fixa e móvel em uma das maiores produtoras de conteúdo nos Estados Unidos. Enquanto aquisições deste porte são arriscadas para os acionistas, dado o financiamento da dívida e o capital necessário para fechar o negócio, o CEO da AT&T, Randall Stephenson, vê a manobra como uma forma de adaptar-se à mudança rápida dos hábitos do consumidor.

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“Com grande conteúdo, você pode construir serviços de vídeo verdadeiramente diferenciados, tanto de TV tradicional, como OTT (via internet diretamente nos dispositivos dos usuários)”, diz Stephenson. “É uma abordagem integrada e acreditamos que é o modelo que ganha no longo prazo”.

Para o CEO da Time Warner, Jeff Bewkes, a ação a US$ 107,50 é o coroamento para uma das grandes reestruturações societárias na história norte-americana.

Sob a vigilância de Bewkes, a Time Warner foi desmembrada em AOL, Time Warner Cable e Time Inc. e a Warner Music foi vendida. Duas das empresas independentes sob o comando de Bewkes, a AOL e a Time Warner Cable, foram adquiridas a preços premium nos últimos 24 meses, mas se mantiveram firmes em ativos de mídia e recusaram uma oferta de aquisição em 2014 da Fox. “Este é um grande dia para a Time Warner e seus acionistas”, afirma Bewkes.

O valor de mais de US$ 100 por ação foi provavelmente bom demais para deixar passar. “[Nós] acreditamos que Bewkes vai acabar sendo lembrado como o CEO mais inteligente no setor por saber quando vender e não ficar além do tempo para maximizar o valor para os acionistas”, disse Rich Greenfield, analista da BTIG Research.

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Por que o acordo importa para o setor de mídia? Em certo sentido, era um dos melhores ativos disponíveis fora do mercado, além de um dos potenciais compradores mais fortes. Afinal de contas, a aquisição da Time Warner pela AT&T é um pouco de um esforço de recuperação. A Comcast tem visto um forte retorno da aquisição da NBCUniversal e do negócio mais recente com a Dreamworks Animation. A Verizon, por sua vez, está construindo sua própria pegada de mídia focada em web sob o olhar do ex-CEO da AOL, Tim Armstrong.

Agora a AT&T terá uma forte posição no mercado. Se o negócio de TV cabo quebrar ou acelerar, o CEO da empresa ainda terá alternativas. O que o negócio significa para gigantes de conteúdo como a Disney, a Fox, a Viacom e a CBS, e o que isso significa para as concorrentes da AT&T? Greenfield, da BTIG, analisa como ficará o mercado.

Veja na galeria de fotos a análise de como o mercado de mídia ficará após a aquisição da Time Warner pela AT&T:

  • Disney

    Muita grande para ser comprada, a não ser por uma empresa de tecnologia como a Apple ou a Google. Além disso, a Disney já sinalizou que está pensando em investir em distribuição para além da sua participação na 1/3 BAMTECH, da MLB (Liga de Beisebol dos Estados Unidos). A Disney está pensando em corrigir a sua falta de presença no mercado de distribuição se aliando à Netflix.

  • Fox

    Dado o controle da família Murdoch, a Fox não está à venda. A empresa queria comprar a Time Warner, mas não conseguiu e agora não está em posição para fazer outra corrida financeira. A Fox cortou sua recompra e está olhando para fazer aquisições estratégicas. Ao contrário da Disney, eles não são capazes de uma grande aquisição, como comprar a Netflix.

  • Comcast/NBC

    A Comcast já comprou este ano mais conteúdo através da aquisição da DreamWorks Animation e tem conversado sobre o valor do conteúdo para crianças sugerindo que eles querem ainda mais. Temos que imaginar se a Comcast será ainda mais focada em aparelhos sem fio em 2017 se a fusão da AT&T Time Warner for aprovada. Poderá a Comcast resistir a adquirir a T-Mobile?

  • Viacom/CBS:

    Dado controle familiar Redstone, o grupo não está à venda. Continuamos esperando uma fusão destas duas empresas para aumentar a sua escala. Suspeitamos que uma das razões da AT&T estar se movendo tão rapidamente é que a CBS estava esperando para ir atrás da Time Warner na sequência da sua fusão com a Viacom. Acreditamos que, assim como a Fox e a Disney, a Viacom/CBS também vai procurar ativos adicionais.

  • Discovery

    Enquanto temos a certeza de que a companhia gostaria de ser vendida, tal como a Time Warner pela AT&T, a empresa não tem ativos como a HBO ou a Warner Bros e nem direitos de transmissões esportivas, pelo menos no mercado norte-americano, que ajuda a distribuição segura. Difícil ver uma grande empresa de distribuição querer adquirir a Discovery.

  • AMC Networks

    Acreditamos que os Dolans gostariam de vender a AMC prontamente. Walking Dead é ainda uma série valiosa que a AMC produz e distribui, mas sem uma grande variedade de conteúdo imprescindível, é difícil ver como a aquisição de AMC ajudaria a alguém no mundo da distribuição – ela não é grande e não tem conteúdo suficiente.

  • MSG Networks

    Continuamos a acreditar que a MSG Networks, protegida por Brandon Ross foi separada da MSG com a ideia de uma eventual venda. Embora seja pequena – ela opera apenas no mercado de Nova York – poderia ser uma aquisição estratégica para a Fox ou a Comcast ou um distribuidor já com exposição no mercado nova-iorquino.

  • Scripps

    Enquanto a Scripps (desenvolvedora líder de conteúdo de lifestyle para a televisão e a Internet) não é bem executada no celular, o seu conteúdo poderia ser valorizado em um mundo de distribuição de conteúdo direto para o consumidor. Além disso, com as taxas baixas, a empresa perde menos e vai direto ao consumidor. Dito isto, dado o seu tamanho, também é difícil ver como ela realmente tenha conteúdo significativo para um distribuidor.

Disney

Muita grande para ser comprada, a não ser por uma empresa de tecnologia como a Apple ou a Google. Além disso, a Disney já sinalizou que está pensando em investir em distribuição para além da sua participação na 1/3 BAMTECH, da MLB (Liga de Beisebol dos Estados Unidos). A Disney está pensando em corrigir a sua falta de presença no mercado de distribuição se aliando à Netflix.

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