Por que uma ex-dominatrix deve ser sua coach profissional

Apesar das táticas para lidar com situações ameaçadoras serem vitais, os conselhos da profissional também podem ser usados em circunstâncias menos alarmantes (Reprodução/Forbes)

Se você ainda não ouviu falar de Kasia Urbaniak, provavelmente isso acontecerá em breve. Tema de uma recente matéria do “The New York Times” e de um perfil detalhado na “The Cut”, ela é uma ex-dominatrix que se tornou coach profissional. Kasia faz workshops de treinamento de mulheres na arte da “autodefesa verbal”, com ênfase em oferecer as ferramentas retóricas para inverter os papéis em situações em que elas possam se sentir impotentes, intimidadas ou sobrecarregadas.

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Na era do #MeToo, a hashtag que expõe a magnitude mundial do assédio sexual, e do aumento da raiva feminina, a iniciativa está se provando uma oferta oportuna. Lizzy Goodman escreve sobre os workshops realizados pela empresa de Kasia, a The Academy: “Lá, você não tem que atingir a pose de poder correta ou ficar prostrada em um sofá e explorar como seu pai emocionalmente reprimido prejudicou sua relação com os homens. Em vez disso, a abordagem de Kasia é similar a de Cesar Milan, cujo livro sobre treinamento de cães foi uma revelação para ela quando começou a trabalhar no calabouço: ‘O animal não pode relaxar até perceber a presença de autoridade de alguém, e todos nós somos animais’. Ao transpor isso para as relações humanas, pratica-se a arte marcial da dinâmica do poder, uma espécie de terapia comportamental cognitiva situacional para o corpo”.

Kasia argumenta que as mulheres precisam ficar confortáveis com a compreensão e o empoderamento para obter os resultados desejados.

Nas podcasts que faz na rádio Her Rules, ela impressiona com as abordagens simples e efetivas que recomenda para recuperar o equilíbrio em uma situação na qual a pessoa foi pega desprevenida. Em poucas palavras; se alguém pergunta algo que você não quer responder, faça outra pergunta. Isso tira o foco de você (que está em um estado submisso) e coloca-o na outra pessoa (uma maneira mais dominante de ser). Tudo isso desencadeia a autoconsciência da outra pessoa e dá tempo ao seu corpo e cérebro para começar a trabalhar em sua estratégia de saída.

Apesar das táticas para lidar com situações ameaçadoras serem vitais, os conselhos da profissional também podem ser usados em circunstâncias menos alarmantes. De fato, perguntar “Por que você disse algo assim?” é uma recomendação para chamar a atenção sobre a grosseria de alguém. A questão é útil quando uma tia pergunta no Natal se você está grávida ou apenas engordando, assim como quando um colega faz um comentário desagradável sobre como ele merece mais uma promoção do que você. Quando as pessoas são levadas a refletirem sobre essas observações insensíveis e inapropriadas, elas, normalmente, param de fazê-las.

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Kasia leva essas perguntas ainda além. Em vez de simplesmente chamar a atenção para a impropriedade de um comentário ou questão, ela propõe a devolução da mesma de uma maneira mais assertiva. Embora a maioria dos exemplos girem em torno do assédio sexual, a técnica pode ser usada em outros cenários nos quais a pessoa não quer abrir mão do seu poder com uma resposta. A pergunta“Qual é a sua expectativa de salário?”, por exemplo, pode ser rebatida com “Quais são as expectativas da sua empresa sobre o valor desse cargo?”. Ou a questão “Você realmente sente que tem experiência suficiente para essa posição?” deveria ser retrucada com “Você acha que o número de anos de experiência é o melhor medidor de performance?”. Você deve desafiar a presunção da pessoa de que você deve uma resposta nos termos dela.

É possível ser duro ou suave ao replicar, mas o objetivo é não ceder seu poder ao responder uma questão indesejada ou submeter-se ao enquadramento de outra pessoa, o que é especialmente difícil quando você é pego de surpresa. Responder uma pergunta com outra parece ser simples, mas faz com que as pessoas percebam que detêm os meios para mudar o caminho de uma conversa ou enfraquecer uma dinâmica desigual. Não se trata de dar a resposta “certa”, mas de perceber que, às vezes, é mais provável ganhar quando não se oferece uma resposta.

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