Azul domina lançamentos em salão de alta relojoaria em Genebra

Desde 1991, a indústria de alta relojoaria se reúne na SIHH (Salon International de la Haute Horlogerie), em Genebra, para apresentar as tendências para o ano. A última edição trouxe 35 expositores, divididos entre 18 maisons históricas e 17 marcas no “Carré des Horloges”, setor voltado a relojoarias independentes. Os estandes da edição 2018 foram invadidos por uma “onda azul” – curiosamente, grande parte das relojoarias lançou modelos dessa cor. Talvez isso seja um bom presságio – ou uma tentativa inconsciente da indústria relojoeira de se afastar do vermelho que, nos últimos anos, tem sido a cor predominante de seus balanços financeiros.

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Descontrações à parte, vamos aos fatos. Já faz algum tempo que o volume da exportação de relógios suíços vem caindo: foram 32 meses consecutivos, segundo o relatório Swiss Watch Industry 2017, divulgado pela Deloitte. Mas parece que ainda há fôlego: o 2º quadrimestre de 2017 registrou resultados melhores, com exportações que movimentaram € 4,34 bilhões, contra € 4,17 bilhões do mesmo período no ano anterior.

O mercado chinês tem sua parcela de “culpa” pelo cenário não tão positivo da indústria? É provável. Os chineses se mostraram ávidos por produtos de luxo, mas nos últimos sete anos o ritmo alucinante de crescimento de sua economia arrefeceu. Além disso, o gigante asiático elevou as taxas de importação sobre produtos de luxo e aumentou o controle de entrada de bens no país. Produtos mais caros, como os da alta relojoaria, acusaram o golpe. Por outro lado, os números chineses voltaram a crescer em 2017, assim como o otimismo do setor. Segundo o relatório da Deloitte, cerca de 50% dos executivos da indústria voltaram a apostar na China como grande mercado consumidor – assim como os Estados Unidos.

Além do azul como cor predominante, outra tendência são os smartwatches, que, segundo experts, servem como porta de entrada para os jovens no universo dos relógios mais sofisticados. Confira a seguir as minhas escolhas.

  • Royal Oak Offshore Selfwinding Chronograph
    (Audemars Piguet)

    Relançamento do modelo original, de 1993. O design inconfundível da caixa continua o mesmo: base octogonal com detalhes escovados. O mecanismo do modelo tem 365 peças.

  • Rotonde Skeleton Mysterious Double Tourbillon Platinum
    (Cartier)

    O movimento do relógio é um de seus grandes destaques: o turbilhão faz uma rotação completa a cada 60 segundos, e a caixa inteira faz uma volta completa a cada 5 minutos. Os mecanismos podem ser vistos pela caixa transparente de safira.

  • Lady Arpels Planetarium
    (Van Cleef & Arpels)

    Versão feminina – e deslumbrante – do Arpels Midnight Planetarium, lançado em 2014. A caixa de ouro branco tem tamanho delicado, 38 mm. O mostrador, uma reprodução do Sistema Solar, é o grande destaque: o “céu” é feito de pedra aventurina azul e os planetas, de pedras preciosas como madrepérola e turquesa. Cada um dos “planetas preciosos” orbita o mostrador em sua velocidade real: 88 dias para Mercúrio, 224 dias para Vênus e 365 dias para Terra.

  • Star Legacy Nicolas Rieussec Automatic Chronograph
    (Montblanc)

    É uma homenagem ao relojoeiro oficial da corte francesa, Nicolas Rieussec, que inventou um cronógrafo revolucionário em 1821. A caixa do acessório tem 44,8 mm e acabamento curvado nos lados. Sua reserva de energia é de 72 horas. Os mecanismos podem ser observados pela caixa de safira no verso.

  • Tribute to Pallweber Edition “150 years”
    (IWC Schaffhausen)

    Em 2018, a relojoaria suíça IWC comemora 150 anos lançando três modelos em tributo ao relógio de bolso Pallweber, um pioneiro na época de seu lançamento, em 1884, com os números de horas e minutos aparecendo em pequenas janelas no mostrador. Serão produzidas 500 unidades, todas de aço inoxidável. Atenção para os detalhes: as palavras “hours” e “minutes” estão em inglês para homenagear o fundador da IWC, o americano F. A. Jones.

  • Laureato Chronograph
    (Girard-Perregaux)

    A coleção Laureato, original de 1975, retornou ao mercado em 2016, mesmo ano em que a G-P comemorou 225 anos. Uma das características marcantes dessa joia é o detalhe da caixa em formato octogonal e o design atemporal – este modelo ganhou caixa de ouro rosa 18 quilates e pulseira de crocodilo com polimento fosco. O calibre tem movimento automático e a reserva de bateria é de 46 horas.

  • H20
    (HYT)

    A HYT é uma marca recente e extremamente inovadora, fundada há seis anos. Neste modelo, as horas são indicadas por meio de um módulo hidráulico patenteado pela relojoaria. Um líquido colorido (no caso, azul) documenta o “tempo passado”, o líquido transparente, o “tempo futuro” e o encontro deles, o “tempo presente”. Bastante original.

  • Moonmachine 2
    (MB&F)

    Foi o único lançamento apresentado pela relojoaria, que tem uma história interessante: em 2005, o executivo Maximilian Büsser renunciou a um cargo na Harry Winston para fundar a marca junto com amigos (o que explica a sigla MB&F, suas iniciais mais “friends”). Serão comercializadas apenas 12 unidades do modelo. Sua mecânica é feita a partir de um calibre da Girard-Perregaux e conta com um calendário lunar da Stepan Sarpaneva.

  • Polaris Chronograph Worldtime
    (Jaeger-LeCoultre)

    A inspiração para a coleção Polaris vem do Memovox Polaris, peça lançada em 1968. O modelo indicado aqui é perfeito para os viajantes graças à função Hora Mundial, que informa simultaneamente o horário das 24 maiores cidades do mundo. Sua caixa é feita de titânio e a pulseira, de couro.

  • Arceau Casaque
    (Hermès)

    2018 marcou a estreia da Hermès no SIHH. Entre seus lançamentos está o Arceau Casaque, modelo que tem o busto de um cavalo – ícone máximo da grife – desenhado no fundo do mostrador. A caixa é feita de aço, com vidro de safira. Além da cor azul, também é visto em versões com as cores amarela, vermelha e verde.

  • Métiers d’Art Aérostiers Bagnols 1785
    (Vacheron Constantin)

    Os novos modelos da linha Métiers d’Art – que representa o máximo do trabalho manual feito pela relojoaria – foram inspirados na história dos balões a gás. São cinco modelos, e cada um só terá cinco unidades comercializadas. A caixa é feita de ouro branco, assim como o fecho da pulseira (que por sua vez é feita de crocodilo).

  • Possession Steel
    (Piaget)

    A nova variação do Possession tem caixa feita de aço, o que o torna mais jovem, minimalista e affordable (com preço inicial de US$ 3.350). O modelo ao lado tem 11 diamantes, mas o cliente pode encomendá-lo com apenas um na moldura. Além da pulseira azul-escura, outras opções de cor são vermelho, turquesa e verde.

  • Royal Oak Offshore Tourbillon
    (Audemars Piguet)

    Edição especial, em comemoração aos 25 anos da icônica linha Royal Oak Offshore – na época, seu design vanguardista quebrou paradigmas. São duas versões: uma de aço escovado e outra de ouro rosa. Ideal para mergulhos, suporta até 100 m de profundidade.

Royal Oak Offshore Selfwinding Chronograph
(Audemars Piguet)

Relançamento do modelo original, de 1993. O design inconfundível da caixa continua o mesmo: base octogonal com detalhes escovados. O mecanismo do modelo tem 365 peças.

Reportagem publicada na edição 57, lançada em março de 2018

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