Braskem diz que é hora de rever acordo com Petrobras

Petrolífera tem contrato de fornecimento de nafta para a petroquímica até 2020

A Braskem avalia que já chegou o momento mais propício para iniciar longas discussões com a Petrobras sobre contrato de fornecimento de nafta da petrolífera para a petroquímica, que vence no final de 2020.

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“Essa discussão de renegociação do contrato de nafta deve acontecer a partir de agora, começou o período em que já começa a fazer sentido…Não pretendo deixar para a última hora”, disse o presidente da Braskem, Fernando Musa, em teleconferência com jornalistas.

Segundo ele, prazos de cinco anos, como o do atual contrato acertado em 2015, são “relativamente curtos” para garantir sustentabilidade da eficiência das operações da Braskem, mas ele evitou comentar qual prazo a petroquímica vai buscar quando iniciar as conversas com a petroleira. “Temos outros contratos fora do Brasil com duração bastante superior a isso, de 10, 15, 20 anos”, afirmou o executivo.

Musa disse ainda que depois dos investimentos em suas fábricas, a Braskem “está muito próxima” de atingir um nível em que as necessidades de insumos da petroquímica podem ser supridas em 50% por outras matérias-primas que não a nafta.

Já sobre o processo de venda de ativos de refino da Petrobras no Sul e no Nordeste do Brasil, o presidente da Braskem afirmou que a empresa não pretende liderar nenhum consórcio que esteja interessado nos desinvestimentos da estatal.

“Nosso foco é comercial, se formos convidados a participar de consórcios, vamos avaliar. O lado importante para nós são as oportunidades de integração operacional”, disse Musa, acrescentando que a venda dos ativos pela estatal deve fomentar o investimento em refino pelos futuros donos dos ativos “com possível integração operacional com nossos negócios nas centrais de Camaçari (BA) e Triunfo (RS)”.

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A Braskem divulgou na noite de ontem (9) que teve lucro líquido de R$ 1 bilhão no primeiro trimestre, uma queda de 42% na comparação com o resultado de um ano antes, afetada por paradas de fábricas e efeitos nos Estados Unidos.

Apesar do resultado, as ações da Braskem estavam entre as maiores altas do Ibovespa por volta das 13h, exibindo aumento de 5%, enquanto o índice tinha ganho de 1,9%.

O presidente da Braskem afirmou que a empresa mantém perspectivas para este ano em nível relativamente semelhante ao projetado no final do ano passado para 2018, de crescimento de 4% a 5% no mercado brasileiro de resinas. A estimativa foi mantida, apesar da empresa ter notado em março e abril que algumas cadeias consumidoras dos produtos da petroquímica mostraram resultados “um pouco mais fracos do que o esperado”.

Questionado sobre o impacto da alta de juros na Argentina decidida pelo governo na semana passada, Musa afirmou que ainda é cedo para fazer previsões, mas comentou que o país é responsável por cerca de 2% da receita total da Braskem.

“Nossos preços seguem paridade internacional. Por enquanto esse tipo de movimento no curto prazo cria incerteza para os clientes e é natural que eles fiquem um pouco mais nervosos”, disse Musa, afirmando que a Braskem tem condições de fazer gestões de estoque para outros destinos caso seja necessário.

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A Argentina elevou os juros da economia para 40% na semana passada e, na terça-feira (8), o presidente do país, Maurício Macri, afirmou que está buscando um acordo de financiamento com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para lidar com a recente volatilidade do mercado que levou à queda do peso.

Sobre a alta do petróleo dos últimos dias, Musa comentou que “para parte das nossas operações diminui a rentabilidade, mas a operação de propano em Duque de Caxias (RJ) e no México, ficam mais competitivas”.

Ele acrescentou que os “spreads”, diferença entre o preço de matérias-primas e o cobrado pela Braskem em seus produtos, em 2018 estão abaixo de 2017. Porém, ele ressaltou que a companhia conseguiu uma geração de caixa forte no primeiro trimestre, “o que nos dá conforto de implementar estratégia para aumentar a produtividade e a confiabilidade e diversificar matérias-primas e geografias”.

A Braskem projeta investimento de R$ 2,9 bilhões em 2018, ante cerca de R$ 2,3 bilhões em 2017, disse o executivo.

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