CSN quer vender mais R$ 4 bi em ativos neste ano

Companhia passou anos rejeitando ofertas que considerava abaixo do preço

A Companhia Siderúrgica Nacional parece ter embarcado decididamente em um processo de redução de dívida, esperando vender mais R$ 4 bilhões em ativos até o final deste ano.

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Após ter anunciado na noite de ontem (14) a venda da usina LLC nos EUA para a Steel Dynamics por US$ 400 milhões, a CSN deve vender mais R$ 2 bilhões em ativos até o fim de junho e outros R$ 2 bilhões na segunda metade do ano, disse o presidente-executivo da empresa, Benjamin Steinbruch.

Em teleconferência com analistas, Steinbruch disse que a CSN, que passou anos rejeitando ofertas que achava abaixo do preço que considerava justo por seus ativos, quer reduzir o endividamento este ano “em pelo menos 1 Ebitda”.

A empresa teve no primeiro trimestre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 1,24 bilhão. No fim de março, a relação dívida líquida sobre Ebitda ajustado era de 5,82 vezes, ante 5,45 vezes de um ano antes. Segundo Steinbruch, com as vendas dos ativos, a alavancagem vai cair para abaixo de 3 vezes até o fim do ano.

O executivo citou como possíveis vendas ações preferenciais da Usiminas detidas pela CSN, o porto de contêineres no Rio de Janeiro (Tecon), a usina Lusosider (Portugal) e ativos de mineração fora da unidade Congonhas Minérios.

Sobre a participação na Usiminas, Steinbruch comentou que cerca de 50% da fatia em ações PN da rival foram dadas em garantia ao alongamento de dívida da CSN acertado com o Banco do Brasil em fevereiro. Enquanto isso, o diretor financeiro, Marcelo Ribeiro, afirmou que as ações da Usiminas valem R$ 1,2 bilhão e, no caso do Tecon, “as transações recentes mostraram múltiplos de duplo dígito alto”.

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“Vai ser muito pouco Ebitda que sai para muito caixa que vai entrar”, acrescentou Ribeiro, referindo-se às vendas de ativos da CSN. Ele acrescentou que o valor de venda da LLC pode subir entre US$ 90 milhões e US$ 100 milhões com ajustes relacionados a itens como estoques até a conclusão da transação.

Steinbruch fez uma ressalva na esperada campanha de venda de ativos da CSN. Segundo ele, as vendas serão “uma questão de momento e questão de valor. Todos esses ativos são bons e estão dando Ebitda positivo”, afirmou o executivo.

Steinbruch afirmou que, apesar de ainda ser rentável, atualmente a Lusosider está sendo penalizada por tarifas de exportação de bobinas de aço do Brasil para a União Europeia e que, por isso, “pode ser um ativo que interesse para a siderurgia norte-americana”. Sobre o Tecon, que chegou a ser posto à venda em 2016, ele disse que “pode ser um ativo para disponibilizar se chegarmos a um preço justo”. Sobre as ações da Usiminas, Steinbruch comentou que a CSN não vendeu até agora “porque acreditamos que a ação tem potencial de alta”.

Com a esperada redução na dívida, a CSN está aproveitando também a melhora no desempenho operacional para convencer a Caixa Econômica Federal a fechar até junho acordo semelhante ao acordado com o BB, disse Ribeiro, sem dar detalhes. “Estamos negociando para que as novas condições [de financiamento] possam materializar o menor risco da CSN”, disse o executivo.

PREÇOS DE AÇO

Em paralelo ao esforço para melhorar os indicadores financeiros, a CSN também pretende elevar seus preços de aço no Brasil mais uma vez, em junho, desta vez entre 7,5% e 10%, disse o diretor comercial, Luis Fernando Martinez, na teleconferência.

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O executivo comentou que, no início do ano, a CSN elevou seus preços de aço para montadoras de veículos em entre 18% e 20% e em 12% para o restante da indústria.

“Na última teleconferência, em março, o dólar estava em RF$ 3,25 e os prêmios entre 3% e 5% para um preço de partida entre US$ 580 e US$ 610 a tonelada…Hoje os preços na China tiveram um repique e o dólar está em R$ 3,50”, afirmou Martinez ao justificar a necessidade do reajuste em junho.

Na avaliação dele, a diferença de preços entre o aço vendido no Brasil e o importado, o chamado “prêmio”, é entre 5% negativo e zero em bobinas a quente e de negativa em 2% a 3% nos laminados a frio.

“A questão é recuperar custo e margem…Queremos voltar a ter 30% de margem bruta no mínimo, é nossa prioridade”, disse Martinez. A margem bruta no primeiro trimestre da CSN foi de 27% abaixo dos 30% de um ano antes.

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