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Coleções de carros antigos aumentam entre ricos e famosos

Já pensou em ter um carro raro na sua porta? Quem sabe um Corvette ou um Delahaye? Não importa se seu estilo é mais esportivo ou luxuoso. Agora já tem quem corra atrás da sua tão sonhada máquina, seja lá em qual garagem deste mundo ela esteja. O músico e empresário Luiz Schiavon acaba de inaugurar uma loja de carros antigos na capital paulista. Além de oferecer um acervo inicial de 20 preciosidades, entre elas um Cadillac Brougham 1957 avaliado em R$ 500 mil, o colecionador de carros está disposto a vasculhar os Estados Unidos e a Europa para satisfazer os mais improváveis desejos.

É em um sítio na região metropolitana de São Paulo que ele guarda sua coleção particular de carros clássicos iniciada há 30 anos. A garagem de 850 metros quadrados é uma espécie de parque de diversão para meninos crescidos. Em um dos cantos, uma sala de estar decorada com móveis antigos abriga uma máquina de fliperama, uma jukebox e uma mesa de sinuca vintage. Outra surpresa é uma enorme maquete de estação de trem em miniatura. Apesar da idade dos objetos, tudo parece novo, restaurado.  Esta é uma característica de boa parte dos chamados antigomobilistas: respirar o passado por meio de objetos. “É uma forma de recordar bons momentos da vida”, diz.

As estrelas da garagem, é claro, são os carros antigos. As paredes pintadas com tinta preta fosca servem de pano de fundo para a coleção de raridades ficar ainda mais colorida e reluzente. Seu predileto é um Sunbeam Alpine 1962, vermelho como o exemplar usado pelo ator Don Adams no papel de Maxwell Smart, o Agente 86, mas sem a metralhadora embutida no capô ou o assento ejetável, é bom deixar claro. O empresário também é fã de clássicos como o Bel Air, o típico carro de luxo da família americana dos anos 1950. “Esse modelo, de 1957, tem câmbio automático, motor V8 e vidros elétricos. Era o automóvel do sonho americano.”

Schiavon diz não ser muito fã dos modelos de corrida, mas não escapou de um certo consumismo comum entre os colecionadores. “Exagerei em abraçar as oportunidades e quando vi minha coleção tinha 20 carros.” Ele não resistiu, por exemplo, a um poderoso Corvette Sting Ray 1971 e a um Ford Shelby Cobra com sua marcante dupla de faixas no capô. Na verdade, esse roadster é uma réplica e, ao que consta, o Brasil nunca teve um original rodando pelas ruas. “Havia fábricas no país que faziam cópias muito boas.
Um Shelby Cobra original vale entre US$ 1,5 milhão e
US$ 2 milhões”, diz. A réplica de Schiavon chega a R$ 100.000. Na década de 1960, a Ford viu na criação do texano Carroll Shelby uma maneira de concorrer com o Corvette da GM, que logo depois lançou o modelo Stingray. 

A garagem do empresário revela mais surpresas como um DeLorean 1981, o veículo transformado em máquina do tempo no filme De Volta para o Futuro, de 1985; um caminhão de bombeiro norte-americano e um jipe Dodge Command 1942 da Segunda Guerra Mundial. Schiavon gosta de carros desde os 6 anos. Ele passava horas brincando na oficina mecânica do tio toda vez que viajava de São Paulo a Três Pontas, em Minas Gerais. Só comprou seu primeiro carro antigo, um Pontiac GT conversível, 20 anos depois. Era 1984 e a banda RPM começava a estourar. Sim, Schiavon é o tecladista e fundador, ao lado de Paulo Ricardo, de uma das bandas de maior sucesso da década de 1980. Entre idas e vindas, o RPM decidiu pegar a estrada novamente em 2010 e atualmente faz shows de divulgação do CD Elektra. As apresentações acontecem nos fins de semana, e durante os demais dias o músico divide seu tempo entre o estúdio e a loja Advance Clássicos, na qual tem como sócio o empresário e também colecionador Ricardo Romaris.

Com tantas atividades não sobra tempo para restaurar carros, até porque essa atividade comum entre os apaixonados por modelos antigos não é a sua praia. Mas é a brincadeira predileta do empresário Mauricio Marx, de 33 anos. Ele herdou a coleção de automóveis vintage do pai e, após cursar as faculdades de filosofia e direito, decidiu ganhar dinheiro com seu maior hobby. Há cerca de um ano, Marx abriu a loja Universo Marx, na capital paulista, onde comercializa motos e automóveis clássicos. Seu passatempo é ressuscitar latarias aparentemente com pouco valor para competir em concursos de elegância, nos quais ele já conquistou alguns prêmios. Marx mantém uma equipe de sete pessoas apenas para restaurar os carros de seu acervo. “Meu funileiro mais antigo me carregou no colo”, diz.

Um dos destaques de sua coleção é um Karmann Ghia Porsche usado pelos pilotos Emerson Fittipaldi, José Carlos Pace e Wilson Fittipaldi Jr. na época em que pertenciam à equipe Dacon. O veículo participou de corridas em 1966, 1967 e 1968. “Costumo dizer que esse carro não tem banco e sim trono; afinal, grandes pilotos brasileiros correram nele. Ele estava totalmente depenado quando o comprei, em 2001”, afirma. Sua coleção também carrega histórias de família. O queridinho é um charmoso Austin-Healey 100, de 1955, usado no casamento de seus avós. “Esse não vendo por nada!”

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