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Empresa oferece voo sobre a Europa em avião clássico

Reprodução/Donat Achermann

Reprodução/Donat Achermann

Relembrar essa fase agora é possível, pelo menos no que diz respeito ao tipo de avião. A Super Constellation Flyers Association (SCFA), com sede em Basileia, Suíça, promove viagens a bordo da lendária aeronave. Está na programação deste ano (maio a setembro) um tour por 17 lagos na Suíça. O voo a apenas 150 metros de altitude — um Boeing ultrapassa 13 mil metros — promete surpreender os passageiros. Há também um sobrevoo pelos Alpes de Berna e uma viagem a Speyer, na Alemanha, que inclui um pouso na pista ao lado do museu de tecnologia da cidade e uma visita a sua exposição de aviões, locomotivas e carros antigos. Na sequência, a aeronave sobrevoará castelos e o autódromo de Hockenheim.

O Constellation foi reformado e teve algumas poltronas removidas para que os viajantes pudessem circular livremente entre as janelas em busca da melhor vista. Para ocupar um de seus 34 assentos é necessário ser associado à SCFA e pagar uma anuidade de € 100. Já os preços das viagens são cobrados de acordo com a distância, sendo € 280 o valor médio de um voo curto. Atualmente, a SCFA possui 3 mil membros: 85% deles residentes na Suíça e o restante proveniente de outros 19 países.

Fundada em 2000 pelo piloto Francisco Agullo e um pequeno grupo de entusiastas que sonhavam em devolver o Constellation aos céus dominados por modelos de Airbus e Boeing, a associação realizou o primeiro voo apenas quatro anos depois, quando concluiu a reforma da aeronave, comprada da companhia aérea Aerochago. O Constellation da SCFA é um dos poucos existentes e o único do tipo no mundo liberado para o transporte de passageiros. Atualmente, a aeronave leva a marca Breitling, um dos patrocionadores da SCFA, em sua fuselagem.

Produzido entre 1943 e 1958 por uma companhia americana chamada Lockheed Aircraft, o Connie, forma como ainda costuma ser chamado, era considerado o avião transatlântico mais rápido e confortável de sua época, mas começou a perder o brilho no início da década de 1960 com o surgimento do jato. Ele também chamava a atenção pelo design diferenciado: cauda dividida em três partes e corpo semelhante a um golfinho.

Porém, nem tudo era luxo com esse quadrimotor. A aeronave sofria panes frequentes, obrigando a Varig a deixar motores reservas nas cidades onde eram feitas as escalas. Por essa razão, o modelo passou a ser conhecido como o “melhor trimotor do mundo”. O apelido irônico não foi suficiente para abalar sua reputação entre os endinheirados viajantes dos anos 1950, menos ainda com os entusiastas do século 21.

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