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Alexandre Won: costurando ideias

Letícia Moreira

Letícia Moreira

É dia de gravação de seu programa na Record e Roberto Justus chega a tempo de receber Alexandre Won em seu camarim. O casamento com a modelo Ana Paula Siebert está marcado para 30 de abril e será do alfaiate paulistano a assinatura do terno do noivo. “O Alexandre é detalhista, moderno e atual. Ele molda a roupa no corpo do cliente. Eu nunca tinha visto isso antes. Com certeza ele é um dos maiores talentos dos últimos tempos”, diz Justus. O publicitário e apresentador vai celebrar sua quinta união no dia de seu aniversário de 60 anos. Escolheu para a ocasião uma produção monocromática, tecido mohair canonico e não vai usar gravata.

Aos 34 anos, Won caiu no gosto das celebridades. São dele também, por exemplo, os ternos que Erick Jacquin, jurado do programa de TV MasterChef, vai usar na próxima temporada. Em seu ateliê no bairro de Moema, em São Paulo, Won leva ao extremo o conceito bespoke (personalizado, feito sob medida): só atende com hora marcada e conversa com o cliente por até duas horas. “Preciso entender o que ele busca em termos de alfaiataria e o que não encontrou no mercado”, diz. Won tira as medidas, desenha, faz a modelagem e coordena a produção.

O cliente tem controle de tudo: do peso do tecido à cor da linha mais discreta no paletó. Angulações e curvaturas do corpo são rigorosamente respeitadas pelo alfaiate. Um processo altamente artesanal e, claro, para poucos. Para ter um terno assinado por ele é preciso desembolsar a partir de R$ 6,9 mil e esperar por até quatro meses.

Há algum tempo, Won vem estudando uma maneira de levar esse conceito de alfaiataria sob medida para mais pessoas. E parece que ele finalmente encontrou a fórmula. O empresário acaba de lançar uma nova marca, a Bespoke AW. O serviço funciona assim: após agendamento on-line, um consultor vai até a casa do cliente, tira suas medidas e presta todo o atendimento. O terno com sua chancela, mas sem sua participação direta, custa a partir de R$ 2.900.

Outro projeto recente de Won foi a inauguração de uma fábrica, em meados do ano passado, para atender companhias interessadas em terceirizar a produção. Com 15 funcionários, entre alfaiates e operadores de máquinas, a empresa tem capacidade para produzir 50 ternos por dia. “A fábrica trabalha com os conceitos de alfaiataria sob medida. Ela também é uma maneira de manter viva a chama dessa profissão, que está praticamente extinta”, desabafa.

Won cresceu usando roupas sob medida feitas pela mãe, uma estilista craque em modelagem. Por essa razão, sempre foi muito exigente quando o assunto é vestuário. Formou-se em direito, mas decidiu seguir seu caminho na moda. Além do grande aprendizado na confecção da mãe, ele aprimorou seus conhecimentos com um alfaiate, hoje bem velhinho, cuja identidade prefere manter em segredo. “O resto foi praticamente sozinho. Sou muito ligado à estética e sempre tive boa noção de proporção, geometria…”, afirma.

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