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Filho de Salvatore Ferragamo produz os luxuosos iates Nautor’s Swan

Leonardo, quinto filho de Salvatore, o célebre designer de sapatos, une tecnologia, artesanato e moda para produzir os luxuosos iates da Nautor’s Swan (Divulgação)

Leonardo, quinto filho de Salvatore, o célebre designer de sapatos, une tecnologia, artesanato e moda para produzir os luxuosos iates da Nautor’s Swan (Divulgação)

O equilíbrio perfeito entre tecnologia e talento artesanal – essa é a eterna meta da fabricante finlandesa de veleiros Nautor’s Swan. A laminação dos cascos, feita em processo totalmente informatizado, e a construção dos interiores, realizada à mão por carpinteiros que aprenderam a profissão com seus ancestrais, resultam em embarcações de até € 15 milhões. Soma-se a essa receita um nome de peso na moda: Leonardo Ferragamo. O quinto dos seis filhos de Salvatore Ferragamo, o lendário designer italiano de sapatos, está no comando da Nautor’s Swan desde que a comprou, em 1998.

Leonardo iniciou a carreira aos 20 anos de idade na empresa do pai, mas sua paixão por veleiros, por fim, falaria mais alto – e o levaria para bem longe.

Sua primeira primeira experiência em um veleiro foi ao lado do irmão Ferruccio, na Toscana. Hoje seu porto seguro fica em Jakobstad, no Golfo de Bótnia, norte da Finlândia. A cidade de 19 mil habitantes tem forte tradição na construção naval. “Nos anos 1700, Jakobstad era a maior construtora de barcos do país. Gerações de trabalhadores têm prestado serviço à Nautor’s Swan ao longo dos anos. Entre todos há uma sensação de continuidade e companheirismo, além do compartilhamento de conhecimento e da paixão pelo que fazem”, diz Leonardo.

O empreendedor Pekka Koskenkyla teve essa mesma percepção quando fundou a companhia, em 1966. Ele instalou a empresa na região apostando na boa fama de seus moradores como construtores de barcos.

O Swan 115 foi um dos quatro lançamentos da marca neste ano

O Swan 115 foi um dos quatro lançamentos da marca neste ano

Hoje a Nautor’s Swan constrói iates de 36 a 131 pés. Em Jakobstad funciona o estaleiro para montagem dos modelos maiores (do Swan 60 ao Swan 115). A unidade também possui uma marina privada para testar as embarcações. Perto dali, em Kallby, fica a planta de produção dos cascos. Essa unidade possui uma instalação de água interna para que os iates possam ser testados durante o rigoroso inverno, que atinge até 30 graus negativos e pode congelar o mar por meses. Parte desse estaleiro também é dedicada à montagem dos iates de menor porte, como o Swan 53. A terceira propriedade da Nautor’s Swan na região fica em Kronoby. É lá que carpinteiros altamente qualificados constroem à mão os interiores de madeira das embarcações.

A companhia cuida de todas as etapas de produção – molde, laminação, marcenaria e montagem –, além dos sistemas elétrico e hidráulico. “A maioria dos estaleiros terceiriza alguma parte da produção, mas nós fazemos questão de ter o controle completo de cada componente do barco e de cada etapa do processo. Decidimos fazer tudo em casa para garantir a qualidade”, diz o CEO.

De pai para filho: equipe é formada por artesãos que aprenderam o ofício em casa (Divulgação)

De pai para filho: equipe é formada por artesãos que aprenderam o ofício em casa (Divulgação)

É na parte de criação da Nautor’s Swan, ao lado dos designers, que ele mais se envolve. “Minha contribuição vem da experiência que tenho como marinheiro e proprietário de iate. Ela também está relacionada aos meus gostos e estilo de vida”, afirma. Juntos, eles trabalham para que o layout, o mobiliário e a iluminação sejam únicos. Os desenhos iniciais são feitos à mão e, quando o processo está mais adiantado, ilustrações em 3D são executadas no computador. A equipe tenta atender cada detalhe exigido pelo cliente: dos revestimentos da embarcação à escolha de louças, talheres e bordado dos lençóis de algodão egípcio.

Assim como no mundo da moda, tão presente na família de Leonardo, o mercado de iates também precisa estar atento às tendências. “O desenho de iates e o desenho dos itens de moda devem manter o equilíbrio entre funcionalidade e aparência, como se esses dois elementos sempre estivessem em contraste um com o outro. É necessário se reinventar constantemente. Essa é a realidade em qualquer mercado, mas com diferente escopo e timing.”

Desde os anos 1980, quem desenha os iates da companhia é o escritório Frers Naval Architecture & Engineering, do renomado designer argentino Germán Frers. “Ele é o designer que melhor entende a filosofia da marca e é capaz de criar linhas especiais com sua enorme criatividade e experiência”, afirma Leonardo. Apesar da longa parceria com Frers, em 2015 a Nautor’s Swan escolheu outro designer para seu iate de aniversário de 50 anos, o ClubSwan 50. A companhia realizou um concurso com a ajuda da BMW e da North Sails, no qual foram avaliados vários projetos. A proposta vitoriosa foi a do também argentino Juan Kouyoumdjian.

O ClubSwan 50, da linha 2016, comemora os 50 anos da empresa (Divulgação)

O ClubSwan 50, da linha 2016, comemora os 50 anos da empresa (Divulgação)

Leonardo é reticente sobre a estratégia da empresa para os próximos anos. Apesar de um histórico de aquisições, ele diz que não há intenção de voltar às compras. Em 2001, adquiriu a inglesa Camper & Nicholsons, também construtora de iates de luxo. Seis anos depois, comprou a Marina di Scarlino, na Toscana. O complexo conta com resort, marina e um estaleiro que presta serviço a iates multimarcas. O empresário também está contente com o número de lançamentos anuais.

Com os ventos aparentemente soprando a favor, para 2017 a empresa prevê três novidades: o Swan 95, o Swan 115.004 e o Swan 78. “Também estamos trabalhando em novos projetos com superiates personalizados acima de 100 pés”, diz.

Dos revestimentos aos móveis: o interior dos iates é personalizado  e segue o gosto de cada cliente (Divulgação)

Dos revestimentos aos móveis: o interior dos iates é personalizado e segue o gosto de cada cliente (Divulgação)

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