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Bordado de elite: os itens exclusivos de Patricia Bonaldi

Patricia Bonaldi em uma de suas lojas na cidade de São Paulo (Luiz Lhacer e Diego Nata)

Patricia Bonaldi em uma de suas lojas na cidade de São Paulo (Luiz Lhacer e Diego Nata)

Vontade e inquietude talvez sejam dois dos principais motivos que levaram Patricia Bonaldi ao sucesso. Considerada uma das mais renomadas designers de moda no Brasil, a mineira de 36 anos está nas vitrines em todo o mundo, veste artistas das mais diversas áreas e, certamente, faz parte dos sonhos de consumo de muitas mulheres.

O gosto por desenhar as próprias roupas, passar a tarde escolhendo os tecidos, prová-las e, por fim, vesti-las vem desde a infância. “Cada aniversário era um grande evento. Pensar nos detalhes das roupas era o meu parque de diversões”, conta.

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Enquanto cursava o quarto ano de direito na Universidade Federal de Uberlândia, em 2002, decidiu investir o que tinha de dinheiro em uma loja multimarca de roupas. No entanto, a moda sob medida sempre esteve arraigada às tradições da cidade mineira, e o que despertava o interesse das clientes eram as criações de Patricia, sempre com influência dos bordados manuais. Ela mesma não via muita graça nas roupas que já estavam ali, prontas. E não demorou muito para que o talento e a ousadia tomassem conta de todo o seu tempo e sua criatividade. “Há pouco tempo eu encontrei uma antiga professora de direito trabalhista. Ela perguntou se eu me lembrava do que fazia durante as aulas. Na hora não lembrei, então ela me contou que eu desenhava! Passava o tempo todo esboçando vestidos no papel. E, às vezes, ainda perguntava como deveria fazer para contratar uma bordadeira”, ri.

As criações de Patricia estão no sul da França, no Oriente Médio e até na tradicionalíssima Harrods

O primeiro convite para que Patricia apresentasse uma coleção própria no Minas Trend foi a oportunidade perfeita para que mais gente conhecesse suas criações, gerando um efeito cascata. Suas peças, com valores entre R$ 3 mil e R$ 15 mil, feitas com 70% de matéria-prima importada, passaram a ocupar espaços em multimarcas de todo o país. Mesmo no segmento da moda festa – que, apesar da enorme demanda, é muito limitado –, sua assinatura passou a figurar nos eventos mais luxuosos. Patricia é confiante e acredita muito em intuição. A primeira feira da marca fora do país foi em Madri, na Espanha, em 2009, participação que abriu as portas para clientes do Oriente Médio e sul da França, por exemplo. A estilista passou a enviar suas criações para as principais multimarcas de luxo. Até mesmo na inglesa Harrods a moda mineira começava a fazer história.

No entanto, Patricia ainda sentia falta de uma pitada de desafio. Em 2012, criou a PatBo, marca de atmosfera moderna e irreverente. “A PatBo me força a observar tendências com mais atenção e, como designer, colocá-las em prática com mais ousadia”, diz.

Desfile de PatBo no SPFW Verão 2017 (Marcia Fasoli)

Desfile de PatBo no SPFW Verão 2017 (Marcia Fasoli)

As criações de Patrícia ainda estão presentes nas multimarcas pelo Brasil afora, mas muito da energia dos últimos anos foi colocada na abertura de lojas. Hoje são sete Patricia Bonaldi espalhadas por cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Uberlândia e São Paulo. As da capital paulista são responsáveis por 30% do faturamento total. Da PatBo são três. Desde novembro, as grifes Lucas Magalhães e Apartamento 03, das quais a estilista participava de uma forma mais informal, foram agrupadas sob um só nome: Nohda, a holding que agora une as quatro marcas.

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A ideia surgiu da alma empreendedora da estilista, mas também de um pouco de seu perfil de curadora deste grande celeiro da moda que o Brasil tem se tornado. “Já conhecia e vinha trabalhando com Lucas Magalhães e Luiz Cláudio, do Apartamento 03. Estávamos tão próximos que passei a me perguntar o motivo de aquilo não virar um negócio. E virou! Não tenho dúvidas de que Luiz Cláudio é uma das maiores apostas nacionais atualmente”, conta. Segundo ela, apesar de fazer parte do varejo, nenhuma de suas marcas, nem a Nohda, tem a intenção de ser transformada em uma rede. “Nossa filosofia é menor escala, mais exclusividade e luxo.” Para 2017, os planos miram a expansão individual de cada uma das marcas – não só em território nacional.

Loja Nohda em Belo Horizonte, com as quatro marcas do grupo (Cacá Lanari)

Loja Nohda em Belo Horizonte, com as quatro marcas do grupo (Cacá Lanari)

Foi a partir da criação da Nohda que Patricia e o marido, Luiz Morais, parceiro de administração desde a fundação da loja multimarcas de Uberlândia, enxergaram a necessidade de ter executivos liderando áreas específicas. Há pouco tempo, contrataram quatro deles para coordenar a equipe de 290 funcionários que, até então, ficava totalmente sob a responsabilidade da dupla. Patricia continua, no entanto, supervisionando e respondendo pelas áreas de marketing, estilo e comercial, enquanto Luiz também atua no comercial e em departamentos como novos negócios, produção, gestão financeira e administrativa. “Crescer foi doído. Mas eu continuo me emocionando com cada pequena conquista. Nunca fui do tipo blasé, muito pelo contrário: eu vivo o que faço!” Patricia Bonaldi é acelerada, inquieta, transmite paz na voz e força nas ideias. Sonha e executa firme e delicadamente, como um bom bordado.

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