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American BBQ conquista o paladar dos brasileiros

American BBQ é preparado em churrasqueiras de defumação, batizada de Pit (Foto: Tricia Vieira)

Os brasileiros são especialistas em churrasco – pelo menos na versão preparada à base de carvão como fonte de calor. E, no que diz respeito aos cortes, nossa preferência ainda é pela picanha, apesar de algumas novidades estarem atraindo nosso paladar.

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No entanto, uma nova tendência parece estar se firmando: a do churrasco texano, também conhecido como BBQ, uma modalidade bem diferente da que os brasileiros estão acostumados. O modo de cocção das carnes é feito no interior de uma churrasqueira (também chamada de smoker) e batizada de “pit”. Dentro dela, a carne não é cozida, mas defumada. A fonte de calor é a madeira de pinho ou de frutas cítricas, que também pode er misturada com um pouco de carvão.

E, se no Brasil a estrela é a picanha, no Texas o destaque fica para o brisket (peito do boi), além das costelas bovinas e suínas. As pessoas que desejam se aventurar neste novo estilo de churrasco devem ter paciência: o processo é lento, e um brisket pode demorar até oito horas para atingir o ponto ideal.

Mas, afinal, como o BBQ está ganhando força entre os brasileiros? Muito pode ser atribuído a Daniel Lee, 34 anos, mestre em churrasco norte-americano e primeiro juiz brasileiro a integrar a Kansas City Barbecue Society (KCBS), maior entidade de churrasco do mundo.

Ele, que está constantemente viajando para participar de competições fora do país, percebeu que o mercado interno tinha enorme potencial – alguns churrasqueiros daqui já estavam até se aventurando no American BBQ – e decidiu fundar a Pitmasters Brasil, entidade parceira da KCBS, que realizou sua primeira competição em 29 de abril deste ano. Na ocasião, 10 equipes disputaram o título de melhor barbecue americano. No longo prazo, a expectativa é formar uma equipe brasileira para competir nos EUA, conta Daniel.

Típico Pit para preparo do churrasco originário do Texas (Foto: Reprodução/iStock)

O aumento no número de interessados em se especializar no método norte-americano de fazer churrasco também incentivou novos empreendedores a fabricar as churrasqueiras pits no país. Anderson Amar é um exemplo. “Um pit profissional custa, em média, R$ 25 mil. Vendo dois por mês. Agora estamos fabricando o pit doméstico, que custa R$ 4.300, para quem quer fazer esse tipo de churrasco em casa. Foram nove pedidos em 15 dias”, comemora.

É bom alertar, no entanto, que é preciso muita prática para aprender as técnicas do churrasco defumado. Lee também ministra cursos de Pitmasters em São Paulo, na sede do espaço da Família Artigianale. O próximo workshop está marcado para 14 de outubro.

(Foto: Tricia Vieira)

Prova da aceitação do público por novas formas de fazer churrasco é o aumento dos eventos voltados para os fanáticos por carne. Só neste ano, a Churrascada, promovida pela agência Haute, já realizou duas edições, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Cada um deles reuniu cerca de 25 chefs, que prepararam diferentes tipos de churrasco. No sábado, 23, será realizado o Bastards BBQ, da agência Hands Up. Serão 15 chefs reunidos em um só espaço – praticamente metade deles promete servir o churrasco smoked, com opções como “pulled pork” (carne da região do pescoço do porco) e o brisket. Ao todo, calcula-se o preparo de duas toneladas de carne para 10 horas de evento. Os ingressos custam R$ 220.

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