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Como não tocar no celular por uma semana mudou a vida de uma escritora

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“Por sete dias, acordei às 5h e, silenciosamente, passei todos os minutos de todos os dias meditando, enquanto praticava o mindfulness”, diz Celinne (iStock)

A escritora e estrategista de marketing ítalo-brasileira Celinne da Costa tomou uma decisão radical: passar uma semana em um retiro, em silêncio completo, longe de todas as formas de comunicação, ou seja, sem celular, redes sociais ou internet. Segundo ela, isso mudou sua vida.

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“Por sete dias, acordei às 5h e, silenciosamente, passei todos os minutos de todos os dias meditando, enquanto praticava o mindfulness.”

Celinne afirma que essa terapia mental é necessária para recalibrar após a exaustão do dia a dia.

Veja abaixo o relato sobre a sua experiência:

“Há pouco mais de um ano, deixei meu emprego corporativo em Nova York para conduzir um experimento social em tempo integral sobre conexões humanas que eventualmente me levou a viajar o tempo inteiro e começar uma marca e um negócio de coaching. Ainda que eu tenha deixado Nova York, a cidade não me deixou completamente. Apesar de ter liberdade completa e controle sobre o meu tempo, ainda me percebo trabalhando demais e me puxando para baixo.

Atualmente, trabalho em tempo integral, escrevo um livro, mantenho uma presença considerável nas redes sociais e construo um negócio online. Isso sem mencionar todas as coisas com as quais todos preciso lidar diariamente: emails, mensagens, logísticas de viagem, manutenção da casa… a lista é longa.

Em um ato de desespero e de um muito necessário autocuidado, decidi parar tudo e me esconder de toda a comunicação digital por uma semana. Os resultados de estar em um retiro, longe das distrações da tecnologia, foram surpreendentes. Saí me sentindo uma nova pessoa, recarregada.

Meu detox digital de uma semana me ensinou três lições importantes que podemos carregar conosco independentemente de quão ocupada nossa vida estiver:

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Seu corpo é tão importante quanto a sua mente

O tempo que passei em viagem pela Ásia me ensinou que a sociedade ocidental valoriza muito mais a mente do que o corpo. Desde crianças, somos treinados a trabalhar duro pelo que queremos, ser persistentes e sempre querer mais. Inteligência, elogios, prêmios e lógica são valorizados acima de tudo. Além disso, espera-se que façamos e sejamos tudo: ótimos trabalhadores, pais, amigos, parceiros e, além de tudo isso, tomar o cuidado adequado com nós mesmos.

Esse é o problema. Nós somos humanos. Isso significa que não importa quão espertos, capazes e bem-sucedidos sejamos, continuamos confinados em um corpo que precisa dormir, comer e descansar física e mentalmente. Não há como escapar disso.

Precisamos tomar conta de nossos corpos físicos. Não percebi quão fortemente eu me forçava até meu primeiro dia no retiro, em que descobri que, após ser desconectada da distração constante da tecnologia, tudo o que eu conseguia fazer era dormir. Cochilei quatro vezes naquele dia [sem contar as vezes em que peguei no sono durante a meditação] porque meu corpo estava cansado demais de tudo o que eu pedi que ele fizesse nos últimos meses: viajar, acordar cedo, dormir tarde, comer no caminho e fazer exercícios esporadicamente.

Se nossos corpos não operarem em capacidade total, nossas mentes também não serão capazes. Precisamos fazer um esforço para planejar de forma consistente descanso, refeições saudáveis e tempo de reflexão. Não podemos ignorar o bem-estar de nosso estado físico, pois ele pode ter um grande impacto no que seremos capaz de conquistar mentalmente.

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Nunca é tarde demais para fazer o que você quiser

Às vezes, tenho pequenos desesperos sobre para onde minha vida caminha. E se meus projetos não funcionarem? E se eu gastar todo esse tempo e esforço em construir algo que dê errado? Eu tenho certeza de que não estou sozinha quando digo: ter dúvidas sobre a direção de nossas vidas e se estamos no caminho certo é normal e completamente humano.

Durante a meditação, aprendemos a não nos frustrar quando nossos pensamentos inevitavelmente nos distraírem. Tenha consciência deles e, sem julgamentos, apenas volte para o trilho. Como um colega da meditação me disse uma vez, toda respiração é uma segunda chance de recomeçar.

Carrego essa filosofia comigo tanto em minha prática de meditação quando em minha visão sobre a vida. Durante as minhas viagens, conheci muitas pessoas que tiveram várias carreiras, ou “vidas”, como elas gostam de chamar. Há uma norte-americana, por exemplo, que abriu mão de seu emprego como advogada corporativa bem-sucedida para se tornar instrutora de mergulho em Bali; um empreendedor australiano que trocou de carreira nada menos do que quatro vezes antes de criar uma startup de sucesso; e uma venezuelana que deixou sua família e seus pertences para trás para construir uma vida melhor na Colômbia. A lista é interminável, e não discrimina idade, gênero ou trajetória.

Se você não conseguiu aquela promoção, se pensa que é velho demais para mudar de carreira ou se não faz o que quer com a sua vida, ainda pode mudar. Todo dia é um botão de reiniciar. Enquanto você estiver vivo e bem, pode tomar atitudes para alcançar seus objetivos. Use o medo para se motivar, não para se bloquear.

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Ser gentil consigo mesmo irá o tornar melhor no que você faz

Qual foi a última vez que você separou um tempo para si mesmo? E eu não quero dizer se trancar no banheiro por dez minutos para se esconder de uma quantidade assustadora de emails, pessoas e tarefas jogadas sobre você [eu já estive nessa posição]. Levamos vidas tão ocupadas que a maior parte do tempo não é dedicada a nós, mas a nossos trabalhos, a tarefas e a outras pessoas. Atualmente, não estamos sozinhos nem mesmo quando estamos no banheiro: temos constantemente nossos celulares ‘grudados’ a alguma parte do corpo!

Esse padrão de vida não apenas nos esgota emocionalmente, como é uma forma de desrespeito próprio. Assim como não devemos esperar que os outros façam de tudo para ajudar e que trabalhem sem parar para nós, sem darmos nada em troca, não deveríamos esperar o mesmo comportamento de nós mesmos.

Como escritora, noto uma correlação clara entre quão bem tomo conta de mim mesma e a qualidade de meus textos. Quando estou esgotada, os textos saem devagar e com muito esforço. Quando me sinto relaxada, é muito mais fácil produzir conteúdo.

Se não dermos a nós mesmos o que precisamos, nossa produtividade sofre. A minha aumenta em dez vezes quando arranjo tempo para fazer o que gosto. Isso significa fazer pausas regulares para ler o jornal, meditar ou me sentar sozinha em silêncio, ao ar livre.

Você não precisa participar de um retiro, em silêncio, de uma semana para se desconectar propriamente, apesar de eu recomendar a experiência, e recuperar seu bem-estar e produtividade. Consiga algum tempo, todos os dias, para fazer algo que lhe traga alegria. Tome um banho de banheira, explore um hobby, tome uma taça de vinho ou leia um livro. Seja qual for a sua escolha de atividade, assegure-se de colocar a tecnologia de lado e estar presente no momento. Seu trabalho irá agradecer por isso.”

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