França quer fazer da baguete um Patrimônio Mundial da UNESCO

Com o apego dos franceses, a baguete alcançou um status quase mítico na cultura do país (iStock)

A lista de Patrimônios Mundiais da UNESCO inclui ícones da geografia, como o Grand Canyon, monumentos – caso da Torre Eiffel – e um crescente número de “tesouros nacionais intangíveis”. Entre esses últimos estão, por exemplo, marionetes chinesas antigas, o processo de fabricação japonês de papel e, depois de nove anos de campanhas, a música mariachi mexicana e, depois de nove anos de campanha, a arte napolitana de fazer pizza.

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Agora, a baguete francesa também quer a proteção da UNESCO. A lista de “tesouros intangíveis” é fortemente direcionada a tradições obscuras de países menos explorados, mas inclui vários itens alimentícios, como cerveja belga e kimchi coreano, além de tradições culinárias, como a dieta mediterrânea.

Atualmente, existem 33 mil padarias artesanais em toda a França que empregam 180 mil padeiros para fazer as tradicionais baguetes.

Com o apego dos franceses, a baguete alcançou um status quase mítico na cultura do país. Como foi relatado esta semana pelo “TheLocal”, padeiros estão se manifestando contra as imitações vendidas em supermercados. “Essa rede territorial é única em todo o mundo, por isso não devemos perdê-la”, disse Dominique Anract, presidente de uma associação comercial de padeiros artesanais. A campanha exclui especificamente os pães cozidos a partir de massas industriais, que são vendidos em supermercados, hipermercados e lojas de conveniência.

A baguete é o símbolo culinário da França. “É como a Torre Eiffel. Eu quero lutar pelo status de patrimônio mundial para proteger a qualidade da baguete tradicional”, reforça Anract.

O presidente da França, Emmanuel Macron, concorda. “As baguetes são alvo de inveja do mundo inteiro”, disse ele em apoio à petição dos padeiros. O produto tradicional é preparado com apenas quatro ingredientes: farinha, fermento, sal e água, segundo um decreto do governo em 1993. “Essa medida permite codificar com precisão as características de moagem da farinha e o método de fabricação da baguete, além de também ajudar o consumidor a identificar o produto artesanal certo”, diz o site do centro francês de pesquisas para padarias.

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Um movimento semelhante também está em andamento para proteger o croissant, alimento amanteigado que é o destaque do café da manhã francês. “Eles podem não ser tão monumentais quanto a Torre Eiffel, mas a baguette e o croissant são, certamente, tão populares quanto”, diz o padeiro parisiense Sami Bouattour, vencedor do prêmio Melhor Baguete em 2017.

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