Como a Dolce & Gabbana redefiniu o luxo millennial

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Os designs extravagantes e muitas vezes bombásticos da Dolce & Gabbana passaram de favoritos das celebridades aos mais procurado no mercado millennial.

Parte do apelo da Dolce & Gabbana é seu status icônico. A empresa, fundada em 1985 por Domenico Dolce e Stefano Gabbana, ainda incorpora perfeitamente a energia criativa que tinha quando foi lançada. E, mesmo com a manutenção dessa característica, não tem ficado parada no quesito evolução de marca de luxo.

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Depois do desfile da coleção masculina de primavera/verão de 2018, ficou claro que a marca decidiu desafiar o consumidor com respeito à sua filosofia de design. Não importa para onde o design criativo seja dirigido, a marca tem ajudado a definir uma nova ideia de luxo, que incorpora representação e respeito com os consumidores millennials e da geração Z. Dados estatísticos demonstram que os millennials procuram autenticidade, qualidade e herança. Além disso, têm compulsão por reinventar o que vale a pena. A questão é como os designs extravagantes e muitas vezes bombásticos da Dolce & Gabbana passaram de favoritos das celebridades aos mais procurado no mercado millennial.

A marca apostou em uma abordagem que nem todos adotam. Frequentemente, críticos de moda zombam de seu estilo por ser exibicionista demais, e até pomposo. Além disso, uma enxurrada de especulação de consumidores contribuiu para aumentar a publicidade da marca global. Mas a Dolce & Gabbana entendeu que, ainda que quisesse manter seu estilo único, era preciso se adaptar de alguma forma aos novos tempos.

Domenico Dolce e Stefano Gabbana trabalharam juntos em uma empresa de consultoria de design há quase 36 anos. Provavelmente, foi essa sólida base que fez com que a marca da dupla se tornasse uma das mais criativas do design moderno tradicional. Hoje, eles são a prova de que a linguagem tradicional de design e branding que moda pode ser reinterpretada de uma maneira moderna, para tempos modernos.

Ao longo das últimas temporadas, foi inevitável notar o foco nos millennials, tanto nas maquiagens quanto em célebres espectadores e jovens modelos como Christian Combs, Gabriel-Kane Day Lewis, Amelia Hamlin, Delilah Hamlin, Talita Von Furstenburg e Coco Konig, entre muitos outros. O time de design tem feito o que sempre fez, com a mesma lógica, porém em um estágio um pouco mais grandioso e, além disso, mais jovem. Realmente, um exemplo progressivo de sustentabilidade estratégica e design criativo.

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O desfile da coleção masculina de primavera/verão de 2018 foi inspirado na carta do baralho Rei de Copas, como representação do amor e da paixão, e reuniu artistas, escritores e atores do mundo todo com uma coisa em comum: todos são millennials. A Dolce & Gabbana celebrou a livre expressão e a criatividade de uma nova geração que define e molda a sociedade multimídia em que vive.

A nova coleção The King of Hearts reflete uma interpretação única das novas linguagens expressivas de que a maioria de nós participa todos os dias. Alguns destaques são os ternos coloridos e a reinterpretação de pijamas. É uma linha que aposta em novos slogans e na mistura de estampas, muitas com influência asiática, como as do samurai e da gueixa, com apelo ao mercado millennial.

A coleção feminina da mesma temporada traz uma declaração forte: “Amore è Bellezza” (ou “amor é beleza”), uma homenagem ao glamour italiano do fim da década de 1950. As mulheres são celebradas como as verdadeiras protagonistas, com destaque para seus charme, sonhos e glamour infinito. Os designers reinterpretaram a icônica e sensual beleza das supermodelos da década de 1990. As peças têm estampas detalhadas, cores energéticas e tecidos contrastantes. O que vale a pena notar é que os designers encontraram harmonia no contraste, o que não é uma tarefa muito fácil. Aqui, a marca cultiva deliberadamente sua habilidade direta de adotar uma atitude rebelde perante à indústria.

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