Espumantes ingleses entram na moda após casamento real

Reprodução/FORBES
O foco internacional no Reino Unido significa que não há melhor momento para os espumantes ingleses brilharem

A atmosfera de celebração ao redor do casamento real entre o Príncipe Harry e Meghan Markle ainda não se dissipou. Ao longo do último final de semana, alguns detalhes sobre as festas reais surgiram, incluindo notícias de que Pol Roger foi o champanhe oficial do evento.

VEJA TAMBÉM: Bolo do casamento real vira tendência de confeitaria

O foco internacional no Reino Unido significa que não há melhor momento para os espumantes ingleses brilharem. Uma declaração do Palácio de Buckingham sobre o almoço de casamento não mencionou exatamente quais vinhos espumantes foram servidos além do Pol Roger, mas, considerando os exemplos recentes servidos em jantares oficiais, há uma alta probabilidade de ao menos um deles ter sido servido.

Uma possibilidade é o Chapel Down, um vinho britânico da cidade de Kent e fornecedor oficial dos eventos do país. A marca patrocina a corrida Royal Ascot e trabalha com a London Symphony e com a Royal Opera House.

Seus vinhos premiados foram servidos em outro casamento real, do Príncipe William com Kate Middleton. Porém, seguindo a etiqueta da realeza, mesmo anos após o casamento, que ocorreu em 2011, os executivos da marca são rápidos em afirmar que esses detalhes nunca vieram deles.

Os executivos do setor não podem confirmar ou negar qualquer ligação com o casamento de 19 de maio entre os novos Duque e Duquesa de Sussex. “Nós não podemos dizer nada”, diz o enólogo da Chapel Down Josh Donaghy-Spire. “Se você fornece para a família real e fala sobre isso, você nunca mais fornecerá.”

LEIA: 6 vinhos da África do Sul para beber antes de morrer

Dito isso, é provável que o casamento real tenha servido pelo menos um vinho do Reino Unido. “Eu amaria se eles tiverem servido um espumante inglês”, diz Donaghy-Spire. “Eu amaria se eles tiverem servido o nosso. Mas independentemente da marca, seria ótimo.”

O Reino Unido é famoso por seus scotchs, uísques irlandeses e cervejas, mas há um pequeno e crescente movimento de espumantes ingleses que começou na década de 1980 e, nos últimos anos, tem ganhado tração entre entusiastas e empresas.

“Kent está no sudeste de Londres”, explica Donaghy-Spire. “É a parte mais quente, seca e ensolarada da Inglaterra e o melhor lugar para plantar uvas.” O condado fica a cerca de 320 quilômetros de Reims, na França, onde é produzido o champanhe. Além disso, atualmente o clima das duas cidades é parecido.

Há apenas algumas décadas, a região não era quente o suficiente para que uvas Chardonnay e Pinot Noir amadurecessem. Mas as mudanças climáticas, que afetam todas as regiões produtoras de vinho com invernos e primaveras voláteis, estão beneficiando a Inglaterra. “Um amigo meu fez seu PhD sobre mudanças climáticas e vinho inglês e concluiu que o clima que temos no Reino Unido agora é mais similar ao de Champagne nas décadas de 1960, 1970 e 1980”, explica Donaghy-Spire.

LEIA: O melhor vinho tinto que você, provavelmente, ainda não experimentou

Ao longo da temporada de cultivo, Kent é apenas um grau mais fria do que Reims. As casas francesas perceberam isso: os champanhes Taittinger e Pommery investiram em vinícolas em Kent e estão no processo de produzir bolhas britânicas.

Por enquanto, os apreciadores de outros países terão de se esforçar para encontrar os melhores vinhos espumantes que o Reino Unido tem a oferecer. Atualmente, menos de 5% dos vinhos da Chapel Down são exportados. A demanda no Reino Unido é tão alta que, recentemente, a marca levantou £ 20 milhões para comprar mais terra. Atualmente, a empresa cultiva 300 acres, o que pode render até um milhão de garrafas.

“Nós temos a habilidade de expandir”, diz o enólogo. “Não somos limitados por séculos de tradição e estamos muito mais dispostos a inovar e levar a abordagem do novo mundo da viticultura para o que é um estilo de vinho muito tradicional. Esse é um momento muito empolgante para o vinho inglês.”

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil (copyright@forbes.com.br).