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Conheça as 40 mulheres mais poderosas do Brasil

Elas são poderosas porque ergueram ou administram grandes organizações.

São poderosas porque formam opiniões, ditam a moda e inspiram atitudes.

Trabalham e lutam por mais educação, mais saúde, mais justiça e igualdade.

LEIA MAIS: 27 mulheres mais poderosas do mundo em 2017

Conheça a seguir 40 mulheres que fazem a diferença no país:

  • Ana Maria Diniz

    Presidente do Instituto Península

    Desde 2010, o Instituto Península representa a atuação social da família Diniz. Um dos focos é a formação de professores, e para isso mantém parcerias com o MEC, secretarias de Educação e ONU. “Adotamos uma faculdade pequena, que tinha 150 alunos. Hoje são 1.300 – e já formamos 28 mil professores”, conta Ana Maria, filha do empresário Abilio Diniz, ao falar sobre o Instituto Singularidades. “O professor de hoje tem que mudar seu papel. Ele não é mais o detentor de conteúdo, ele é um mediador que vai ajudar a criança a trilhar seu caminho de evolução. A mágica acontece quando o professor consegue ser uma inspiração para os alunos.” O curso de pedagogia do Singularidades tirou nota máxima no Enade e, por dois anos seguidos (2015 e 2016), o instituto venceu o prêmio Top Educação na categoria de melhor instituição de ensino de pós-graduação para docentes.

    Ana é conselheira e fundadora de vários movimentos ligados à educação. Um deles é o Parceiros da Educação, que incentiva empresários a adotar escolas públicas. “Adotar”, ela explica, significa ajudar na gestão (dando ferramentas e ensinando conceitos de gestão aos diretores de escolas), treinar e desenvolver professores (“orientamos os parceiros a colocar 80% dos recursos nesse pilar”), melhorar a infraestrutura e as instalações e, por fim, promover o envolvimento da escola com a comunidade. Só em São Paulo, o programa atua em mais de 260 escolas, impactando 85 mil alunos e 4 mil professores.

    Ela também atua na iniciativa privada em várias frentes, de escolas de dança à geração de energia renovável.

  • Ana Lucia Villela

    Presidente do Instituto Alana

    Herdeira da família que fundou o banco Itaú, desde cedo ela decidiu: faria o que pudesse por uma transformação social no país. Ao lado do irmão Alfredo, em 1994, aos 20 anos, fundou o Alana, ONG que atua em várias frentes, com foco nas crianças.

    O Alana mapeia projetos educacionais inovadores com potencial de impacto em suas comunidades. “Formamos uma rede de escolas e educadores que fazem um trabalho incrível nas suas cidades”, diz Ana. O projeto Escolas Transformadoras compartilha suas práticas com outras, espalhando “a semente da mudança”. “Não enxergamos a criança apenas como o futuro. Elas estão aqui, são o presente. Um mundo melhor para elas é um mundo melhor para todos.”

    Este ano, diz ela, foi movimentado. “O Videocamp (plataforma de filmes online) se consagrou como uma plataforma global que viabiliza a exibição de filmes gratuitos em qualquer espaço. É lá que disponibilizamos nossas produções. Já alcançamos mais de 800 mil pessoas em 90 países, sempre levantando debates sobre temas importantes.”

  • Andrea Salgueiro Cruz Lima

    Vice-presidente executiva global de dressings da Unilever

    A economista, considerada uma das executivas mais importantes do país, atua na área de condimentos da multinacional, com um portfólio de 35 marcas em mais de 50 países e faturamento global de R$ 9 bilhões. Foi responsável pelo redirecionamento estratégico desse portfólio, focando em sustentabilidade e redução de desperdício – “de ponta a ponta, do agricultor ao consumidor final”, faz questão de frisar. Cita como exemplo o primeiro ketchup adoçado apenas com mel, sem adição de açúcar refinado e com ingredientes 100% naturais, lançado na Europa e também o primeiro que inclui tomates verdes na fórmula, aproveitando 100% da safra (hoje o desperdício chega a 30%). Andrea lidera globalmente o programa de eficiência de custos da Unilever e é engajada, interna e externamente, com os temas diversidade, inclusão, estereótipos e empoderamento feminino.

    “Sinto-me profundamente honrada de poder, pelo segundo ano consecutivo, fazer parte deste grupo tão privilegiado de mulheres vencedoras, que conseguiram quebrar o telhado de vidro nos seus respectivos setores e empresas”, declarou. “Quero continuar abrindo o caminho para que outras mulheres, inclusive minhas filhas, vejam que é possível alcançar o que se busca quando se tem determinação, resiliência e incansável vontade de aprender (e desaprender) para se renovar e acompanhar a velocidade da transformação do mundo ao nosso redor.”

  • Ana Theresa Borsari

    Diretora-geral da Peugeot Brasil

    O início de sua trajetória foi um tanto fora da curva. Formada em direito pela USP, concluiu mestrado na área em 1993 antes de ir trabalhar no Procon. A experiência no Programa de Proteção e Defesa do Consumidor foi seu passaporte para o até então distante mundo corporativo. Em 1994, assumiu a Diretoria de Atendimento ao Consumidor na recém-chegada Peugeot no Brasil.

    Assim começou uma história que já dura 23 anos. Ana Theresa passou por diferentes cargos até ser enviada, em 2009, para a Coordenadoria Comercial da marca no sul da Europa, um cargo de confiança. Em 2011, foi chamada para a diretoria-geral da Peugeot na Eslovênia. Era a primeira vez que uma mulher assumia uma presidência regional na história do Grupo PSA, dono da marca.

    Em 2015, voltou ao Brasil para assumir toda a operação. “Eles precisavam de alguém que entendesse de crise”, explica. Novamente, foi a primeira mulher a assumir tal cargo. “Quando cheguei aqui, fiquei assustada. Sabia que tinha crise, mais encontrei um consumidor muito endividado.”

    Além da desaceleração do mercado, ela teve de enfrentar outro desafio: estabelecer um novo posicionamento da marca no setor premium. Um dos obstáculos era superar a fama de pós-venda ruim. Para isso lançou, em julho, a plataforma Total Care, de atendimento ao cliente.

    Embora a média de 3 mil carros vendidos por mês não se compare à dos líderes do mercado, ela afirma que a satisfação do cliente tem aumentado – e é esse o objetivo de sua gestão. “Nossa prioridade não é o crescimento do volume, mas da qualidade. Estamos valorizando nosso produto em vez do preço.”

  • Bruna Saraiva

    Diretora de estratégia e projetos corporativos do Habib’s

    Aos 28 anos, ela poderia ostentar placidamente o título de herdeira da rede Habib’s. Mas a paulista preferiu seguir os caminhos do pai, Alberto, e “pôr a barriga no balcão”. Na empresa há seis anos, Bruna dirige uma área vital em tempos de crise: a de estratégia. “Fast-food é um trabalho intenso, é toda hora avaliando resultado e mudando rota”, conta.

    Entre as estratégias para atrair clientes, a rede optou por baixar os preços e modernizar o site para estimular o delivery. “Focamos na comunicação com o franqueado, para ele jogar do nosso lado.”

    A rede também investiu na expansão do portfólio. Em outubro, abriu o primeiro Posto Habib’s, um complexo com posto de combustíveis e loja de conveniência. O objetivo é chegar a 60 unidades até 2022.

  • Cármen Lúcia

    Presidente do Supremo Tribunal Federal

    Segunda mulher a comandar o Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia assumiu a presidência em setembro de 2016 em meio a um dos mais conturbados períodos políticos da história recente do país.

    Formada em direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), a magistrada percorreu um longo trajeto em sua terra natal antes de chegar à Suprema Corte. Em 1982, tornou-se procuradora do Estado e professora da faculdade em que se formou. Vinte e nove anos depois, assumiu a Procuradoria Geral de Minas no governo Itamar Franco. Em 2006, foi indicada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva à vaga de Nelson Jobim no STF.

    Religiosa e de formação católica, mostra que as crenças da Igreja não interferem em seus pareceres. Em 2008, por exemplo, julgou que as pesquisas com células-tronco embrionárias não violam o direito à vida. O mesmo ocorreu com os votos favoráveis ao aborto em caso de gravidez de fetos anencéfalos (2012) e ao reconhecimento da união homoafetiva como entidade familiar (2011).

    A ministra também é uma defensora da liberdade. Quando julgou a exigência prévia de autorização para biografias, votou contra. “Cala a boca já morreu”, declarou ao proferir seu voto, em 2015.

    Preocupada com a eficiência, divulgou o balanço de um ano de gestão que revela que o acervo de processos diminuiu 23,5% no período. Uma de suas marcas tem sido combater a predominância masculina nos centros de poder. “Vivemos em uma sociedade patrimonialista, machista”, desabafou, em um evento público no fim de outubro.

  • Costanza Pascolato

    Consultora de moda, empresária, colunista e editora

    Referência nacional quando o assunto é moda, Costanza Pascolato, italiana de nascimento que chegou ao Brasil em 1945 fugindo da Segunda Guerra Mundial, diz que seu principal desafio, aos 78 anos, é acompanhar de perto um novo ritmo, cada mais veloz e acelerado, das transformações industriais, comerciais e econômicas aqui, em território brasileiro, e da sociedade global como um todo. “E, claro, os reflexos de tudo isso no comportamento e na moda. Espero continuar na maior disposição para superar eventuais obstáculos, sobretudo para quem já viveu o horário nobre do século 20 e ainda tem enorme curiosidade com esse século 21”, diz.

    Parte do clã fundador da tecelagem Santaconstancia, em 1948, participa do comando da companhia desde 1989, quando o pai faleceu. Publicou diversos livros sobre moda, é presença constante em palestras e conferências sobre o tema, tem uma coluna na revista Vogue Brasil e gerencia seu próprio site (costanzapascolato.com.br). Ou seja, ao que tudo indica, disposição não lhe falta para acompanhar os novos tempos.

  • Chieko Aoki

    Fundadora e CEO da Blue Tree Hotels

    Ela dedicou metade de sua vida ao ramo do turismo. Aos 69 anos, a nipo-brasileira passou por altos cargos em algumas das maiores redes hoteleiras do mundo antes de fundar, em 1997, a Blue Tree Hotels.

    Foi uma longa caminhada. “Hoje, você vê mulheres diretoras, vice-presidentes, presidentes… Quando comecei, só tinha homens nesse meio. Eu estava sempre sozinha, comia com a cabeça abaixada”, lembra. Mas ela soube reverter esse quadro. Hoje, Chieko comanda uma rede com 23 hotéis e resorts próprios.

    O grupo lançou um plano-piloto chamado Blue Tree Digital, que visa deixar quase todas as questões burocráticas do hotel, como informações pessoais e cartão de crédito, no celular do cliente. Assim, quando ele chegar, só precisa pegar a chave (ou cartão) na recepção. “É a tecnologia móvel voltada à governança. O foco é o conforto do cliente, além de ser um processo de redução de custos. Podemos colocar os funcionários para atender diretamente os hóspedes e não ficarem parados na recepção.”

    Antenada, Chieko também está de olho no público jovem. “O mercado tem que inovar. As novas gerações são voltadas à emoção, à experiência. Se não há impacto, eles acham que não vale a pena pagar”, argumenta.

    Estratégias como essa têm funcionado. Mesmo em anos de recessão, a Blue Tree tem crescido. Neste ano, de janeiro a setembro, a rede registrou aumento de 7% na receita.

    A executiva acompanha tudo de perto. Na cultura japonesa, servir é um ato de nobreza da alma – e Chieko trouxe esse valor ao Brasil. Durante um Réveillon, alguns anos atrás, um de seus hotéis em Angra dos Reis ficou sem luz, depois de uma forte chuva. Ela foi à recepção para receber os hóspedes e até ajudou a tirar água dos quartos. Este ano, “depois de tantos anos servindo”, ela se deu conta de que o brasileiro tem vocação para cuidar. “Outro dia, um hóspede não estava se sentindo bem e pediu remédio. Alguém da minha equipe se preocupou e o levou ao hospital. Ele teve até que ser operado”, conta.

  • Cristina Junqueira

    Cofundadora do Nubank

    Segundo o Procon, os bancos estão entre os maiores alvos de queixa dos consumidores. Em vez de ser mais uma na multidão reclamando, Cristina Junqueira optou por lançar uma solução e criou o Nubank, fintech que mudou a relação dos consumidores com o cartão de crédito.

    Fundado em 2013, o Nubank recebeu cerca de US$ 180 milhões em investimentos, a maior parte vinda da Sequoia Capital, de onde também veio um dos sócios de Cristina, o colombiano David Vélez. O terceiro sócio é o americano Edward Wible.

    Cristina tem graduação e mestrado em engenharia da produção pela Escola Politécnica da USP. Após passagem pelo Boston Consulting Group, foi para os EUA fazer um MBA na Northwestern University/Kellog School of Management.

    De volta ao Brasil, passou por várias áreas do Itaú Unibanco até se tornar a superintendente mais jovem da corporação, aos 25 anos. “Mas chegou um momento em que eu olhava para a frente e não via o nível de impacto que gostaria de ter.” Pediu demissão e, dois meses depois, conduzia as conversas com Vélez e Wible em torno do produto disruptivo que pretendia criar.

    O cartão Nubank tornou-se conhecido por não exigir renda mínima e por ser uma experiência totalmente digital. “As pessoas diziam que revolucionamos o mercado, mas agora é que começa a revolução de verdade”, diz a empreendedora sobre a NuConta, conta corrente digital recém-lançada e que transforma de vez o Nubank em um banco digital.

  • Cristina Palmaka

    CEO da SAP Brasil

    Ela está no cargo desde outubro de 2013, mas atua no setor de TI há mais de 30 anos, com passagens em cargos executivos de empresas de tecnologia como Microsoft, HP e Philips. Pós-graduada na Universidade do Texas e com MBA pela FGV, entre outras especializações, é reconhecida por sua capacidade de liderar equipes e atingir resultados. Em 2017, foi eleita entre os 25 melhores CEOs do país por FORBES e recebeu o prêmio Gestor do Ano do Six Sigma Brasil 2017. No quesito diversidade, conquistou para a SAP Brasil o certificado Economic Dividends for Gender Equality (Edge), pelo compromisso da empresa com a igualdade de gêneros no trabalho. Na área social, é membro do conselho da Junior Achievement, ONG mundial com foco na educação de jovens, e apoiadora da SAP Run for Education, corrida que reúne fundos para projetos de educação de jovens carentes em São Paulo.

    “Este ano foi muito significativo pelo lançamento do Leonardo, um portfólio de tecnologias digitais – como machine learning, analytics, IoT, blockchain e big data – conectadas dentro de uma grande plataforma. Estamos sendo revolucionários ao trazer essa nova visão de como gerir negócios. O Leonardo é uma quebra de paradigma para a SAP. A plataforma abre infinitas possibilidades para as empresas incorporarem tecnologias no seu dia a dia”, disse a executiva.

    “Fico muito satisfeita em ver meu nome ao lado de executivas de talento e constatar o reconhecimento do mercado e da sociedade à qualidade do trabalho das mulheres. Espero que cada vez mais possamos comemorar conquistas femininas em todas as áreas. O importante é valorizar as capacidades e habilidades dos indivíduos, independentemente de sexo, raça ou religião.”

  • Denise Aguiar

    Diretora da Fundação Bradesco

    Ela iniciou sua jornada na Fundação Bradesco há 30 anos, como coordenadora pedagógica, inspirada pelo avô Amador Aguiar e pela crença na educação como fator de transformação e de inclusão social. Em novembro de 2016, a entidade comemorou 60 anos com atividades que uniram suas 40 escolas.

    Segundo Denise, a fundação propõe-se a formar cidadãos éticos, conscientes, responsáveis e tolerantes, que respeitem a diversidade. “Nossas escolas são espaços de questionamento. Procuramos preparar lideranças que contribuam para o desenvolvimento de suas comunidades e que proponham soluções para o bem-estar coletivo. Esperamos incentivar atitudes empreendedoras, que se reflitam em melhorias para a sociedade”, explica.

    Além das atividades diárias na Fundação Bradesco, ela é membro do conselho de administração do Bradesco e presidente do conselho de governança do Todos pela Educação, além de integrar os conselhos dos projetos Parceiros da Educação, Canal Futura, Fundação Dorina Nowill para Cegos e Comunitas, entre outros. Nas artes – “que também são importantes para a emancipação cidadã e a formação do ser humano” –, é conselheira da Associação Pinacoteca e do Museu de Arte Moderna de São Paulo.

    “Esta premiação é um reconhecimento não apenas de minha trajetória, mas da atuação de mulheres que contribuem para o desenvolvimento do país. Em um mundo ainda liderado por homens, acho essencial evidenciar as lideranças femininas.”

    Nesse ponto, a organização faz sua parte: 67% do quadro de colaboradores é composto de mulheres – proporção que ultrapassa 70% em funções de liderança (diretoria, vice-diretoria de ensino e gerência). “Mas nós sabemos que, na maioria das áreas, a discriminação e o desequilíbrio estiveram e ainda estão presentes”, afirma.

  • Denise Pavarina

    Diretora executiva do Bradesco

    Com mais de 30 anos de casa, desde 2015 ela ostenta um dos mais altos cargos no segundo maior banco do país – foi a primeira mulher a ocupar um cargo na diretoria executiva do Bradesco. Formada em economia (Faap) e direito (Unip) e com MBA em finanças (Insper), Denise Pavarina acumula outras nove funções.

    A tarefa mais recente, para a qual foi indicada em março deste ano, é a de representante da Bradespar (braço que administra participações acionárias do Bradesco em empresas não financeiras) no conselho de administração da Vale. “Este prêmio de FORBES é muito positivo, pois valoriza as profissionais que fazem a diferença em seus segmentos”, afirma a executiva.

    Sobre a presença feminina em altos cargos, ela diz tratar-se de um “processo natural, que ganhará mais tração ao longo dos próximos anos devido ao nível de preparação acadêmica e profissional cada vez maior das mulheres”.

  • Donata Meirelles

    Diretora de estilo da Vogue Brasil

    Ela está fazendo 30 anos de moda. Apesar de, nos últimos meses, ter entrado de cabeça no mundo dos eventos com a Vogue, diz que não sabe como vai comemorar. Donata é diretora de estilo da revista há cinco anos, desde que voltou de um período sabático para recompor as energias gastas em 23 anos de Daslu – loja de luxo da qual nunca foi sócia, gosta de esclarecer. “Eu era cliente, virei vendedora e, quando o Plano Collor abriu as importações, passei a escolher as marcas internacionais que a Daslu ia trazer ao Brasil”, conta.

    Quando voltou, foi convidada pela hoje diretora-geral da Globo Condé Nast, Daniela Falcão, para o cargo, que não existia no Brasil. “Minha missão era trazer o olhar da leitora para a revista. Não sou jornalista, mas, como tinha muitos anos no mercado de moda, acho que me saí bem”, diz Donata.

    Este ano, o desafio foi “pensar fora da casinha” para gerar receita a partir da força da marca. Ela conta que foi criada, para isso, uma plataforma de eventos pela qual ela e a equipe viajam o Brasil fazendo ações e palestras. “Em um desses eventos, num shopping de Goiânia, foram 70 mil pessoas num único dia.” Os lojistas também participam e criam ações paralelas. “O faturamento desse dia só perde para o Natal.”

  • Eliane Cantanhêde

    Jornalista e comentarista

    A carioca Eliane Cantanhêde “respira” Brasília desde os 9 anos de idade, quando sua família se mudou para a capital federal. Aos 14 anos, já sabia o que queria ser: jornalista. Mal entrou na faculdade (UnB) e, aos 19, estava na redação do “Jornal do Brasil”. Passou oito anos na sucursal de “Veja” e, em 1982, retornou ao “JB”, revezando o espaço com o respeitado colunista político Carlos Castello Branco (“Ele reclamou que ‘qualquer criança já podia escrever ali’, mas depois veio até minha mesa: ‘Vim lhe dar os parabéns. Essa coluna eu assinaria embaixo’. Nunca mais esqueci aquele momento”, conta ela).

    Em 1997, foi contratada pela “Folha de S.Paulo” para dirigir a sucursal brasiliense. Por 17 anos, assinou a coluna Brasília (foi a primeira mulher a fazê-lo). Em 2011, passou a fazer intervenções ao vivo, de Brasília, no programa “Em Pauta”, da “GloboNews”. Em 2015, sua coluna mudou de endereço, da “Folha” para o “Estadão”.

    Em outubro, Eliane mediou o fórum de discussão sobre a Operação Lava Jato que reuniu o juiz Sérgio Moro, o procurador Deltan Dallagnol e dois magistrados italianos que participaram da Operação Mãos Limpas na Itália.

    Seu nome consta no Top 50 de Os +Admirados Jornalistas Brasileiros de 2014 e de 2015, em levantamento feito pelos portais “J&Cia” e “Maxpress”. Recebeu em 2016 e 2017 o Troféu Mulher Imprensa, na categoria colunista de jornal, concedido pelo “Portal Imprensa”. É casada com o também jornalista Gilnei Rampazzo, tem duas filhas e quatro netos.

    Perguntada sobre igualdade de oportunidades entre homens e mulheres na área de comunicações, afirma: “Houve uma evolução sensível desde a década de 1970. Hoje chegamos a cargos de direção e temos presença marcante nas colunas e nas coberturas de política, economia, cultura, internacional… Eu me orgulho de ter participado ativamente desse processo, mantendo a feminilidade, o prazer pela vida, a presença em família, a alegria com filhas e netos. Ou seja, sendo uma pessoa plena mas também uma apaixonada pela profissão, que tem a pretensão, nada modesta, de servir de exemplo para as gerações seguintes”. Com o entusiasmo de uma estudante, conclui: “Meu sonho, de hoje e de sempre, é que o Brasil seja mais justo e mais inclusivo, e que as pessoas possam ter o máximo de acesso à informação e às visões divergentes para votarem com consciência e não por paixão, interesse ou ignorância. O Brasil precisa desesperadamente de educação e de eleições conscientes. Nossa luta continua”.

  • Fiamma Zarife

    Diretora-geral do Twitter

    Tecnologia e inovação estão em seu DNA. Nada mais natural, para ela, que comandar a plataforma no país que é o quinto maior faturamento da empresa. Sua carreira começou a ganhar visibilidade com projetos de inovação em empresas como Oi, Claro e Samsung, especialmente com a criação de conteúdo em novas plataformas tecnológicas.

    Antes de chegar ao Twitter, em julho de 2015, fez cursos de especialização na Singularity University, em Mountain View, cidade onde fica a sede do Google, e mergulhou na agitação e no espírito de disrupção do Vale do Silício. “Essa experiência me abriu a cabeça, me encantei pela cultura de startups”, explica Fiamma.

    Seu primeiro cargo no Twitter foi na direção de agências. Em janeiro de 2017, foi anunciada como diretora-geral, para fortalecer as relações com as marcas e os anunciantes em meio a rumores de queda do faturamento no Brasil.

    Em quase um ano no cargo, o processo para reverter o quadro ainda está em curso, mas as estratégias já foram implementadas. A empresa tem parcerias com alguns programas de TV para ação publicitária conjunta, aproveitando o incremento de 13% na audiência televisiva proporcionado pela plataforma. Além disso, há o desenvolvimento do Niche, plataforma intermediária entre os influenciadores digitais e as marcas.

    Aumentar a velocidade do crescimento de uma empresa da chamada “nova economia” também exige modernização na gestão. Isso significa diversidade e igualdade de gênero na liderança, e nada mais significativo que a empresa do pássaro azul seja guiada por uma mulher. “As mulheres ainda são sub-representadas nos cargos de liderança. As empresas deveriam fazer mais para mudar isso.”

  • Flávia Bittencourt

    Diretora-geral da Sephora Brasil

    Flávia dirige a Sephora Brasil há três anos e, desde novembro de 2016, assumiu também o cargo de vice-presidente sênior da América Latina. A marca faz parte do grupo LVMH, maior rede multimarcas de beleza do mundo.

    Formada em engenharia química pela UFRJ, em marketing pela ESPM e com MBA pela Dom Cabral, ela acumula 20 anos de experiência, inclusive nos “universos masculinos” do mercado financeiro e telecom.

    Ela conta que o maior desafio, este ano, foi “superar o cenário econômico e continuar crescendo, batendo o recorde do número de pontos de venda”. Sobre a igualdade de gêneros, afirma: “É uma mudança cultural que já está acontecendo em muitas corporações, mas está longe do ideal. Na Sephora contamos com muitas mulheres em altos cargos e temos projetos globais que auxiliam o público feminino, como o Accelerate, programa de aceleração para donas de empresas de beleza”.

    Por fim, agradece a indicação: “Fico muito feliz em dividir espaço com tantas mulheres inspiradoras”.

  • Gloria Kalil

    Consultora de moda e empresária

    Formada em sociologia, começou a carreira na Editora Abril como produtora de moda e depois jornalista. Em seguida trabalhou com seu então marido, o empresário José Kalil, na fábrica de tecidos Scala D’Oro. No fim dos anos 1970, trouxe a grife italiana Fiorucci para o Brasil. Como o país era fechado para importações, teve que fabricar as peças em território nacional, trazendo da Itália apenas o mostruário e algumas peças. Depois de uma década, encerrou essa atividade.

    Em 1996 publicou seu primeiro livro, “Chic – Um Guia Básico de Moda e Estilo”, dando dicas práticas de roupas, acessórios e suas combinações e orientando o leitor a encontrar seu próprio estilo.

    Em 2011, publicou uma versão atualizada: “Chic – Um Guia de Moda e Estilo para o Século XXI”. Em junho deste ano lançou o “Chic Profissional”, onde aborda pontos como condutas e roupas ideais para o mercado de trabalho. Ela mantém seu site no ar desde o início dos anos 2000. Também é frequentemente vista em palestras sobre moda e etiqueta na televisão e em semanas de moda.

  • Janete Vaz e Sandra Soares Costa

    Fundadoras do Sabin Medicina Diagnóstica

    Elas enfrentaram muito preconceito quando decidiram abrir seu próprio laboratório, 33 anos atrás – duas bioquímicas sem experiência em negócios num mercado dominado por médicos. Venceram. Hoje o Grupo Sabin tem mais de 200 unidades e 4 mil funcionários espalhados em dez estados e no Distrito Federal.

    Este ano, inaugurou sua nova sede, em Brasília, com 14 mil metros quadrados. “O ano foi de muito trabalho e reconhecimento. A nova sede representa nosso olhar sustentável para o futuro”, afirma Sandra. “Há um mundo a ser transformado, e nosso papel é contribuir para deixá-lo melhor do que encontramos”, diz Janete. “Ter o nome citado mais uma vez em um veículo como a FORBES, de muita credibilidade, e entre tantas pessoas valorosas, nos enche de orgulho e aumenta nossa responsabilidade”, conclui.

  • Júlia Sève

    Diretora-geral da Divisão de Cosmética Ativa da L’Oréal

    A ascensão de mulheres a cargos-chave em grandes empresas ainda é um caminho longo e pedregoso. Muito mais do que os homens, uma executiva, no Brasil, precisa mostrar preparo, talento, resiliência e resultados. Não foi diferente com Júlia Sève, diretora-geral da divisão de Cosmética Ativa da L’Oréal. Ela é a primeira mulher a assumir esse cargo na multinacional francesa, sendo responsável, desde outubro de 2015, pela operação de três marcas: La Roche-Posay, Vichy e SkinCeuticals. Elas fazem parte da poderosa linha de dermocosméticos – produtos que agem nas partes mais profundas da pele, prescritos por dermatologistas.

    Sève iniciou a sua carreira na Varig, após se formar em marketing. Entrou na L’Oréal em 2002. Passou pelas divisões chamadas de Luxo e Grande Público, tornando-se coordenadora de marketing da marca Vichy por três anos. Em 2009, foi transferida para a sede da multinacional, em Paris. Ficou dois anos na capital francesa, coordenando a divisão de marketing das marcas Vichy e Roger&Gallet para a América Latina, Oriente Médio e África do Sul. Foi diretora no Brasil da Vichy, responsável pela inserção da marca no mercado de produtos de proteção solar, e da La Roche-Posay.

    “Fiquei muito feliz por estar nesta lista”, reagiu, ao saber da indicação. Sua performance justifica a honraria. Preocupada em não perder clientes – e em atrair novas consumidoras – ela lançou no mercado produtos consagrados em embalagens menores. A estratégia deu certo: 12% das vendas em 2016 foram para mulheres que adquiriam os produtos da marca pela primeira vez. A tática foi mantida em 2017, com igual sucesso. “A L’Oréal cresce duas vezes mais rápido que o mercado de dermocosméticos”, afirma.

    Além disso, lançou recentemente uma página na internet para atender brasileiras que fazem pesquisa sobre cuidados com a pele – que já tem mais de 1 milhão de visitas por mês. A plataforma traz dicas e informações de dermatologistas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e oferece um programa de fidelidade com as principais redes de farmácia do Brasil, com 500 mil consumidoras inscritas.

  • Lara Brans

    Presidente da JDE Brasil

    A história de Lara Brans se confunde com a da centenária Jacobs Douwe Egberts. A multinacional holandesa, uma das líderes globais no segmento de cafés e chás, é o local de trabalho da brasileira há quase 20 anos.

    Formada em economia pela Universidade de Roterdã, na Holanda, Lara começou a carreira em 1992 na consultoria local VODW Consultancy. Em 1998, iniciou sua saga com a JDE, quando esta ainda fazia parte do conglomerado norte-americano Sara Lee, holding que abrigava empresas alimentícias e de tabaco – e que fechou em 2012.

    Em 2003, foi transferida para a Austrália, onde comandou a diretoria regional de aromatizadores de ambientes na Ásia-Pacífico até assumir o conselho administrativo local. Voltou ao Brasil em 2015, já sob a marca JDE, para liderar a operação local – onde a empresa é dona de marcas fortes, como Pilão, Café do Ponto, L’OR e Caboclo.

    Seu papel é estratégico. O Brasil é o quinto maior consumidor de bebidas quentes do mundo, e a JDE é a segunda maior empresa de café do mercado nacional (lidera em São Paulo e no Rio), com uma fatia de 18,6%. Lara comanda 1.600 funcionários e três fábricas – em Minas Gerais, Bahia e São Paulo.

    Um de seus desafios é aumentar o valor gasto com café pelo consumidor brasileiro. Segundo a Euromonitor International, o Brasil é o quinto maior mercado em consumo per capita do mundo, mas apenas o 17º em gasto médio por domicílio.

    Uma das alternativas? O modelo das cápsulas, que, apesar de ainda restrito, tem crescido no país. Prova do novo foco é o alto investimento publicitário que a Pilão tem feito para firmar sua marca nesse nicho. Outra aposta foi a chegada, em agosto, da marca premium L’OR.

  • Luiza Helena Trajano

    Presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, fundadora e presidente do Mulheres do Brasil

    Ela chegou sorridente ao estúdio onde seria fotografada para a capa desta edição. Devia estar contente com a homenagem de FORBES, mas certamente estava feliz porque, no dia anterior, havia sido divulgado o resultado do terceiro trimestre de sua empresa, o Magazine Luiza.

    Nada mau: foi o maior crescimento trimestral dos últimos cinco anos – R$ 3,4 bilhões de vendas, um aumento de 27% no período. O lucro líquido quadruplicou: R$ 92 milhões, o maior da longa história da rede. O e-commerce, que está transformando a companhia em uma grande plataforma digital (o Magalu) –, cresceu 55%. O sucesso é tamanho que houve espaço para a inauguração de 30 lojas físicas nos primeiros nove meses do ano.

    “Atender o cliente pela internet e entregar na loja física é algo que todo mundo está tentando fazer, e nós saímos na frente. Os resultados estão surgindo”, explica Luiza. E logo emenda o assunto no Mulheres do Brasil, grupo que fundou há quatro anos com o objetivo ambicioso de mudar o país.

    “Sou apaixonada pelo Brasil. Toda segunda-feira, em nossas 800 unidades, a gente canta o hino nacional. Sempre acreditei no nosso potencial”, conta. Em outubro de 2013 ela se reuniu com outras 39 empresárias e executivas de vários setores para formalizar propostas e ações. Nascia o Mulheres do Brasil. “O grupo atua em 15 frentes, tanto as voltadas para as mulheres, como a de violência, quanto as de interesse geral (saúde, educação, cultura). Fazemos tudo em parceria com instituições e ONGs que já atuam nessas áreas”, explica. Aquelas 40 mulheres já são hoje 8 mil – inclusive em Portugal, na França e na Finlândia, onde o modelo está sendo implantado. “Queremos ser o maior grupo político apartidário do país.” Ela descarta, porém, a possibilidade de se candidatar a qualquer cargo político.

  • Maria Júlia Coutinho

    Jornalista e apresentadora

    A conversa dos pais sobre as notícias lidas no jornal ao longo do café da manhã. O pilão de fazer caipirinha usado na infância, como substituto do microfone, em suas imitações de repórter. Os trabalhos escolares apresentados em forma de telejornal. Essas lembranças foram despertadas em Maju, como é nacionalmente conhecida, durante um teste vocacional. “Percebi que minha inclinação era tentar entender o mundo e transmitir essa compreensão. Tarefa árdua, mas que amo”, afirma.

    Formada em jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo, foi estagiária, repórter e apresentadora na TV Cultura antes de chegar à Globo, em 2007. Em 2013, ganhou o posto de titular das previsões meteorológicas apresentadas na emissora, em parte por inovar na linguagem utilizada, mais informal e, ao mesmo tempo, mais informativa. “Uso o espaço para pequenas reportagens, onde, além de dizer se vai chover ou fazer sol, abordo temas como energia eólica, capacidade dos nossos reservatórios e aquecimento do planeta.”

    Maju foi a primeira jornalista negra da TV Globo a assumir a previsão do tempo no “Jornal Nacional”. Em julho de 2015, foi vítima de comentários racistas na página do programa no Facebook. Não perdeu a compostura e seguiu em frente. Assim como fez durante toda sua vida, quando percebia que alguns homens subestimavam sua capacidade pelo fato de ser mulher. “Mas procuro me lembrar apenas dos que reconheceram meu talento e me incentivaram a lapidá-lo. Trato-os como aliados essenciais em um mundo onde a desigualdade de gênero ainda é grande”, diz.

    Promovida recentemente, Maju passou a fazer parte também do rodízio de âncoras do “Jornal Hoje” aos sábados, enquanto continua à frente das informações climáticas do “JN” durante a semana.

  • Marly Parra

    Diretora de marcas, marketing e comunicação da EY

    Desde o início da carreira, aos 17 anos, na joalheria H.Stern, ela estabeleceu a ética, a transparência e o respeito às pessoas como pressupostos para seu crescimento profissional. Esses seriam os alicerces sobre os quais construiria seu legado. Esses valores constituem o “capitalismo consciente”, termo criado por John Mackey e que remete ao papel das empresas de criar valor não somente para elas, mas também para funcionários, fornecedores e consumidores. “Meu propósito é justamente o capitalismo consciente”, diz Marly.

    Da H.Stern foi para a Phillip Morris, onde sofreu discriminação – desconfiavam de sua capacidade de gerenciar uma marca multinacional e de dialogar com pessoas de várias faixas de renda. Mas Marly conseguiu estabelecer cases de sucesso – a ponto de chamar a atenção de Abilio Diniz, que a convidou para alavancar a marca Extra no Grupo Pão de Açúcar.

    Em 2002, lançou-se no mundo do empreendedorismo ao lado dos ex-pilotos de corrida Pedro Paulo Diniz e André Ribeiro, fundando a PPD Sports, empresa de marketing esportivo responsável por organizar a Fórmula Renault no Brasil.

    Marly está desde 2007 na EY (então Ernst & Young), uma empresa muito diferente daquelas nas quais atuou anteriormente. “Vivo intensamente o propósito da EY, de construir um mundo de negócios melhor”, garante.

  • Mia Stark

    CEO da Gazit Brasil

    A israelense morou grande parte de sua vida nos Estados Unidos antes de vir ao Brasil, há cinco anos, para assumir, aqui, o cargo mais alto de uma das maiores administradoras de shoppings do mundo. Este ano, foi eleita para o conselho da canadense First Capital Realty, especializada em propriedades urbanas, da qual a Gazit detém 32,7%. Mais uma tarefa para sua já atribulada vida, mas que não a assusta. “Como profissional e mãe de três crianças, há sempre aquela tendência à culpa, a achar que não estamos desempenhando bem nenhuma das duas funções. O segredo é combinar as duas coisas”, diz.

    Em 2016, inaugurou o Morumbi Town Shopping durante um dos períodos mais difíceis da economia brasileira, numa localização já dominada por um dos principais corredores comerciais de São Paulo – a avenida Giovanni Gronchi – em frente a outro shopping. “Tivemos que pensar estrategicamente para, em vez de competir, fazer a diferença. A alternativa foi criar uma nova experiência, uma atmosfera propícia para as famílias passarem um tempo em nossas instalações”, conta. Ao que tudo indica, a estratégia deu certo. Ao se concentrar na comunidade, o empreendimento atraiu inquilinos do sul do país e inquilinos que nunca tinham estado num shopping antes. “Ter filhos me ajudou a refinar o mix de locatários. Isso tornou minha experiência muito mais divertida e enriquecedora.”

  • Miriam Leitão

    Jornalista e comentarista

    Referência quando o assunto é economia nacional, ela acumula mais de 40 anos de profissão e dezenas de prêmios ao longo da carreira. Em 2005, faturou o prêmio mais antigo do jornalismo, o Maria Moors Cabot Prize, da prestigiada Columbia Journalism School.

    Em 2012, foram dois Jabuti, frutos do livro-reportagem “Saga Brasileira: A Longa Luta de um Povo por sua Moeda’. Está à frente do programa “GloboNews Miriam Leitão”, onde promove discussões sobre a conjuntura econômica brasileira, faz projeções para o futuro do país e entrevista nomes de peso no cenário nacional. É colunista e comentarista da “TV Globo” e da rádio “CBN”, além de ter uma conta do Twitter acompanhada por 2,6 milhões de seguidores.

    No primeiro semestre de 2017, publicou o livro “A Verdade É Teimosa – Diários da Crise Que Adiou o Futuro”, onde traça um panorama dos últimos dois anos de recessão e as causas da atual crise no país.

  • Monica Herrero

    CEO da Stefanini Brasil

    Com mais de duas décadas na companhia, Monica tem histórias para contar. Foi a responsável, em 1996, por abrir a primeira subsidiária internacional da marca, na Argentina, e, de lá, expandir para Chile e Peru. Ficou mais de dez anos fora do país e, ao voltar, assumiu a vice-presidência. Cinco anos depois, foi alçada ao cargo mais alto da consultoria e prestadora de serviços de informática.

    Os últimos dois anos foram especialmente desafiadores. “Vivemos um período recessivo e tivemos que fazer um esforço muito grande para manter o crescimento. Como já passamos por várias crises, acabamos identificando novas oportunidades e, surpreendentemente, fomos a região que mais cresceu em 2016, com um índice de quase 20%”, comemora.

    Segundo ela, um dos segredos para enfrentar a turbulência foi buscar mais eficiência operacional, estimulando na equipe o comprometimento e o foco no negócio. “Neste momento, nosso maior desafio tem sido mostrar que o caminho para as empresas se destacarem no mercado é a transformação digital. Essa revolução é inevitável para o sucesso das corporações e do país.”

    A empresa está investindo em uma série de ofertas como inteligência artificial, geolocalização, campanhas de fidelização e gamificação. “Para permanecerem competitivas na economia digital, as instituições públicas e privadas deverão explorar, cada vez mais, a fronteira da inovação para estimular a produtividade”, aposta.

  • Mônica Orcioli

    Diretora-geral da Swarovski
    Professional para a América Latina

    Nos seis anos à frente da divisão Professional da joalheria Swarovski na América Latina, Mônica Orcioli fez o negócio triplicar em um momento em que o mercado passava por recessão. O segredo? “Eu acho que nós, tanto eu quanto a minha liderança e, principalmente, a minha equipe, fomos hábeis em nos preparar para o cenário econômico dos últimos anos, sempre buscando uma forma mais eficiente e inovadora de fazer nosso modelo de negócio”, conta.

    Formada em marketing pela ESPM, a profissional passou por muitos cursos e várias empresas antes de ser chamada, em 2011, para assumir a divisão B2B da Swarovski. Para ela, “o líder tem de ter um pouco de sexto sentido, tentar enxergar e ajudar as pessoas que estão passando por alguma dificuldade pessoal ou profissional”. Sua vontade de ajudar vai além de sua equipe: “Eu quero poder retribuir o que a vida me deu. Eu já tenho feito isso, oferecendo mentoria a jovens executivos”.

    A exemplo da mãe, que também era executiva, Mônica conta que sempre procurou manter o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. “Acho que consegui. Mas sempre à custa de muito planejamento e apoio familiar.”

    Seu amor pelo balé clássico – é formada pela Royal Academy – também foi responsável por muitas das suas características de liderança. “A disciplina da dança aliada à holística da arte vêm norteando todo o meu processo decisório”, conclui.

  • Paula Bellizia

    CEO da Microsoft Brasil

    Ela entrou na Microsoft Brasil em 2002 como gerente de vendas. Em 2013, já diretora de marketing e operação, assumiu um cargo na diretoria de vendas do Facebook na América Latina. No mesmo ano, tornou-se presidente da Apple no Brasil, onde ficou até julho de 2015, quando voltou à empresa de Bill Gates como presidente da maior subsidiária da tecnológica na América Latina.

    Sua gestão é baseada na comunicação e valorização do conhecimento. “A Microsoft vive um momento de grande transformação. Estamos saindo da cultura de ‘sei tudo’ para a de ‘posso aprender tudo’.” O conglomerado tem investido em seu serviço de nuvem, Azure, e em inteligência artificial (IA). “Nossa ambição de democratizar a IA significa colocar mais inteligência em todos os nossos produtos e serviços”, afirma. Além disso, tem apostado alto no ecossistema brasileiro de startups. Sem divulgar faturamento regional, Bellizia revela que, entre 2011 e 2015, foram investidos R$ 12 milhões no apoio de 5.500 novas empresas.

  • Paula Paschoal

    Diretora-geral do Paypal Brasil

    Circula no meio corporativo a ideia de que a grande característica da geração Y, nascida nos anos 1980, é querer inovar a qualquer custo. Aos 36 anos, Paula Paschoal parece ser a personificação dessa imagem. Crescida em meio à massificação da internet, a diretora-geral do Paypal no Brasil fez sua história no meio digital.

    Formada em administração pela Faap, a executiva trabalhou com experiência do consumidor na AMD, gerenciou o e-commerce da Fnac e assumiu a direção de desenvolvimento de negócios na Paypal quando a empresa de pagamentos online norte-americana chegou ao país, em 2010.

    Depois de migrar para a direção de vendas, Paula assumiu, em junho, a diretoria-geral. “Aprendi muito aqui, especialmente na área de gestão de pessoas. Tenho orgulho de dizer que grande parte da minha equipe hoje me acompanha desde o começo.” A diretora destaca a política da empresa para as mulheres – 50% dos cargos de liderança são delas, porcentagem bem acima da média global. “Fui promovida no mês em que voltei da licença-maternidade. Esse é um dos fatores do nosso sucesso. Quanto mais diversidade, melhor o resultado.”

    Muita coisa mudou de 2010 para cá. O pagamento móvel, que não chegava a 5% naquele ano, é hoje responsável por 30% das vendas online. Esse é um dos alvos da executiva, que também mira o varejo físico. Atualmente, as vendas online representam cerca de 6% do total no país (sem incluir alimentos e bebidas). Uma pesquisa recente do Google revelou que esse número deve subir para 9,5% até 2021, um mercado de R$ 85 bilhões. “Ainda temos muito o que ‘roubar’”, afirma Paula, otimista.

    Para isso, ela se apoia no interesse do brasileiro por compras mobile. De acordo com a Paypal, o Brasil acompanha a média de países desenvolvidos nesse quesito. “O brasileiro tem uma intimidade grande com o celular.” Não à toa, será sobre esse público que ela tentará sedimentar o crescimento da empresa. “A gente tem trabalhado muito na experiência do consumidor. Vem novidade por aí.”

  • Rachel Maia

    CEO da Pandora no Brasil

    Mulher, negra, filha de “pais batalhadores, mas com pouco estudo” do interior de Minas, ela é única – quase um mito – no mundo corporativo. Com determinação inabalável, chegou ao maior posto de uma empresa global no país. “Estou bem far away from mito”, diz, misturando o português com o inglês que usa o dia todo no trabalho. Até seu nome mudou: quase todos – inclusive no Brasil – hoje a chamam de “Rêitchel” em vez de “Raquel”. “Parei de corrigir o pessoal que me liga de outros países. Virei Rêitchel”, diz, rindo.

    Formada em ciências contábeis pela FMU, ela diz que estava no lugar certo, na hora certa e com a formação certa. Depois de trabalhar por sete anos e meio na rede de lojas de conveniência 7-Eleven, que operou no Brasil na década de 1990, ela pegou o dinheiro da rescisão e foi para o Canadá – caçula de sete irmãos, foi a primeira da família a sair do país. “Apliquei o dinheiro 100% em mim. Fiquei um ano estudando inglês. Na 7-Eleven, que é americana, percebi que o domínio do idioma estava fazendo falta para mim”, lembra. “Quando voltei, estava dura e precisava trabalhar logo.” Encontrou vaga na Novartis, grupo farmacêutico suíço. “Só fui admitida porque eu tinha inglês, you know? Eles precisavam de um controller que falasse inglês, o que não era comum.” Quatro anos depois, achou que era hora de nova reciclagem. “Fiquei um tempo em Nova York, Miami e Chicago fazendo programas de aprimoramento de liderança, de finanças… Meu objetivo era voltar com um novo diferencial.”

    Outra vez a tática deu frutos rápidos. “A Tiffany me chamou para ser CFO. Foi minha entrada no universo de luxo”, conta. Em 2010, recebeu da dinamarquesa Pandora, segunda maior fabricante de joias do mundo, a proposta para conduzir o crescimento da marca no Brasil. Aceitou. “Eu tinha duas lojas”, lembra. “E vamos encerrar este ano com 98. Atravessar esse período de dificuldade e recuperar os números positivos mostrou para a empresa e para os investidores que eu sou a pessoa de confiança deles.”

  • Raquel Dodge

    Procuradora-geral da República

    Ela assumiu um dos mais visados postos do país nos conturbados tempos atuais: o comando da Operação Lava Jato. Considerada pelos mais próximos como “competente e centralizadora”, ela se torna a primeira mulher a assumir a Procuradoria-Geral da República (PGR) em um momento crucial para o Ministério Público Federal (MPF).

    Dodge formou-se em direito pela Universidade de Brasília e fez mestrado em Harvard (EUA). Desde 1987 ela integra o MPF, onde foi membro do Conselho Superior por três biênios consecutivos.

    Em 2009, ela teve seu maior destaque dentro do órgão até então. Coordenou a força-tarefa da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que investigava um esquema de corrupção no Distrito Federal e que resultou, a seu pedido, na prisão do governador do DF, José Roberto Arruda, em 2010, por tentativa de obstrução e suborno. Foi a primeira vez na história do Brasil que um governador era preso durante o mandato.

    Dodge assumiu o MPF em setembro deste ano. Em junho, ela ficou em segundo lugar na eleição interna da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), que sugere ao Palácio do Planalto três nomes para o comando da PGR, atrás de Nicolao Dino, por 621 votos a 587. Mesmo assim, foi a escolhida pelo presidente Michel Temer. Era a segunda vez que ela tentava o cargo.

    Seu principal desafio é dar prosseguimento à Lava Jato, um enorme conjunto de investigações da PF que busca mapear esquemas de lavagem de dinheiro e propinas nas mais diferentes instâncias do poder público.

    Sua primeira medida à frente da operação, cerca de um mês depois de assumir o órgão, foi o pedido de busca e apreensão no gabinete do deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), na Câmara, autorizado pelo relator Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. O deputado é irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, também do PMDB, e investigado pela suspeita de ter ligação com os R$ 51 milhões encontrados em um apartamento em Salvador.

    Ao assumir a posição, Dogde reafirmou, em sua carta de apresentação ao Senado, a obrigação do MPF de “exercer com igual ênfase a função criminal e a defesa de direitos humanos”. No fim de outubro, entrou em conflito com o governo ao lutar contra a flexibilização das regras sobre trabalho escravo. Além de chamar a portaria da presidência de “retrocesso”, sob seu comando o MPF entregou um ofício que pedia a revogação da portaria sobre o tema.

  • Regina de Moraes

    Fundadora e presidente do Projeto Velho Amigo

    O terceiro setor se profissionalizou, otimizou gastos, tornou-se mais eficiente e mais transparente. “Mas caridade precisa de empatia, senão corre o risco de endurecer os corações e virar business”, afirma Maria Regina Ermírio de Moraes Waib, filha do falecido empresário Antônio Ermírio.

    Há 18 anos ela conduz o Projeto Velho Amigo, destinado à melhora da qualidade de vida de idosos carentes e que se sustenta por meio de parcerias. O desafio de Regina nunca foi tão grande como agora, diante do envelhecimento da população e do fato de que “projeto para idoso não tem isenção tributária e quase não capta recursos”. O Velho Amigo auxilia a administração de 17 instituições de longa permanência para idosos em São Paulo, além de fazer a gestão de um núcleo na comunidade de Heliópolis, também na capital paulista. No total, 1.700 idosos são beneficiados. O projeto promove mutirões de saúde, atividades de recreação e programas de alfabetização e de acesso à informática. Mantém também um programa de conscientização de violência contra o idoso, orientando-os em caso de abusos verbais e físicos.

    Além do Velho Amigo, Regina é voluntária da Amor Maior, para a qual arrecada recursos que ajudam 11 instituições de São Paulo e Goiânia. “É um time gigante de voluntários, e eu fiscalizo as obras que são realizadas com o dinheiro arrecadado”, conta. Mais recentemente lançou o Retrato Social, que fala de pessoas que estão à frente de projetos relevantes. “Como as doações não chegam, resolvi divulgar essas causas sociais.”

  • Renata Vasconcellos

    Editora-executiva e apresentadora do “Jornal Nacional”

    Formada em comunicação social na PUC do Rio, ela construiu sua carreira na televisão. Depois de fazer estágio em uma agência de publicidade e alguns trabalhos como modelo, a jornalista estreou no lançamento do canal GloboNews, em 1996. Foi designada para apresentar a edição vespertina do jornal “Em Cima da Hora”.

    “O início é sempre cheio de desafios e apuros. Erramos e aprendemos muito, sempre tentando acertar”, afirma. “Tive a alegria de começar junto com um canal dedicado exclusivamente ao jornalismo – sonho de consumo de qualquer profissional da área.”

    Desde o início, se interessou por grandes reportagens e coberturas ao vivo. Em 1997, foi responsável pela cobertura da morte da princesa Diana, que causou comoção internacional, e da vinda do papa João Paulo II ao Brasil.

    Na Globo, estreou com uma reportagem sobre o estilista Yves Saint Laurent. Em pouco tempo, foi convidada para apresentar o “Jornal Hoje” aos sábados e a produzir um quadro para o “Fantástico”. Em 2002, assumiu a apresentação diária do matutino nacional “Bom Dia Brasil”. Em 2013, foi selecionada para a apresentação titular do “Fantástico”. Treze meses depois, era escalada para substituir Patrícia Poeta na bancada mais cobiçada do país: a do “Jornal Nacional”.

    Há 20 anos na profissão, ela fala da satisfação em trabalhar com jornalismo. “É ter a oportunidade de estar perto do que acontece, poder ajudar a informar, com responsabilidade, em um momento em que há tantas notícias falsas, principalmente nas redes sociais. Estar na bancada do JN só aumenta essa responsabilidade e esse comprometimento”, disse ela a FORBES.

  • Roberta Ramalho

    CEO da Intermarine

    Quando assumiu o estaleiro Intermarine, em 2014, ela enfrentou uma combinação de três preconceitos corporativos: ter apenas 20 anos de idade, ser mulher e ser herdeira do fundador. Três anos depois, a empresa conseguiu manter seu faturamento estável e vê boas projeções para 2018.

    Roberta entrou na Intermarine em 2013 para assumir o leme deixado por seu pai, Gilberto, morto aos 66 anos em um acidente de helicóptero. Depois de um ano trabalhando em diferentes áreas, assumiu a presidência. “No Brasil, o termo ‘herdeiro’ costuma ter sentido negativo. Você tem de provar que não está ali porque caiu do céu. Que, pela pouca idade, não vai brincar de administrar. Além do fato de ser mulher, né?”

    Com a ajuda dos executivos mais experientes, enfrentou os mares agitados que vinham pela frente – seriam três anos de economia instável no país. Para isso, promoveu uma reestruturação. “Precisávamos ser mais ágeis. Hoje, um lançamento do outro lado do mundo é conhecido por nossos clientes em minutos, e eles acabam comparando com nossos produtos”, diz. A estratégia foi investir em lançamentos e eventos. “No ano passado, lançamos o maior iate produzido em série no Brasil, com cerca de 30 metros.” Sem abrir números, Roberta afirma que a Intermarine vende, em média, 40 barcos por ano, e se diz entusiasmada para 2018. “Será o reinício do nosso crescimento.”

  • Sonia Racy

    Jornalista e apresentadora

    Há quase três décadas no Estadão, onde edita a coluna Direto da Fonte, Sonia Jubran Racy sonhava ser aeromoça, cursou administração, mas enveredou pelo mundo da escrita, com passagens por Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil e Folha de S.Paulo.

    Entre os inúmeros reconhecimentos recebidos ao longo da carreira está, em 2011, um Prêmio Esso de Jornalismo – o maior do setor – pela reportagem sobre a quebra do banco Panamericano.

    Desde o final do ano passado, com a eleição de João Doria para prefeito de São Paulo, assumiu a apresentação do programa Show Business, na Band, no qual já entrevistou uma infinidade de presidentes e integrantes de conselhos das maiores companhias brasileiras, como Artur Grynbaum, do Grupo Boticário, Alfredo Setubal, da Itaúsa, Carlos Jereissatti, do grupo Iguatemi, e Abilio Diniz, da BRF.

  • Suzan Rivetti

    Company group chairman da América Latina Johnson & Johnson Consumo

    Ao longo de mais de três décadas de atuação na J&J, Suzan conta que sempre encarou como máxima prioridade a tarefa de manter a motivação e o engajamento das equipes que comanda. Essa característica, diz, foi essencial para enfrentar o desafio dos últimos 12 meses, em que o país atravessou um cenário econômico adverso. “Em momentos como este, o papel do líder é trazer esperança e, ao mesmo tempo, inspirar soluções criativas”, diz a executiva, revelando que, pela primeira vez em anos, o mercado de higiene pessoal e beleza apresentou uma queda significativa. “Como um país estratégico para a companhia, mantivemos altos investimentos nas nossas marcas, executando a maior promoção da história da empresa no Brasil. Com isso, fortalecemos o segmento em que atuamos, levando o consumidor de volta ao ponto de venda. Isso trouxe força para a nossa organização, que se manteve motivada mesmo em um cenário tão desafiador.”

    Formada em administração de empresas pela FGV, Suzan começou na multinacional americana como trainee. Ao longo do tempo, exercitou o hábito de incentivar reflexões importantes em seus funcionários e colegas, a exemplo da promoção da liderança feminina e da diversidade de uma forma mais abrangente. “Este último tema é, especificamente, apaixonante. Busco criar um ambiente de aceitação e inclusão no qual a capacidade única de cada pessoa é valorizada para, juntos, criarmos soluções que possibilitem um mundo melhor e mais saudável”, diz a executiva, que tem sob o seu comando cerca de 1.700 funcionários. Atualmente, 47% dos cargos de liderança da empresa na América Latina são ocupados por mulheres – 7% a mais do que no ano passado.

  • Sylvia Coutinho

    Presidente do UBS Brasil

    Antes de chegar à unidade brasileira do banco suíço, em 2013, Sylvia enfrentou muitos desafios ao longo dos 17 anos em que trabalhou no Citi (dentro e fora do Brasil) e em uma década no HSBC.

    Mas, a exemplo do que relataram outras mulheres nesta reportagem, os últimos 12 meses foram especialmente exigentes. “O segredo foi calibrar recursos e cortes de gastos diante de um cenário que já apontava para uma inflexão na economia, ao mesmo tempo que sabíamos que ela deveria vir mais lenta do que em outras fases de retomada. Mas, como nosso maior ativo são pessoas e talentos, mantê-los e trazer os melhores é fundamental”, conta.

    A executiva ainda esteve à frente da aquisição majoritária do multifamily office Consenso, iniciativa importante para a expansão do negócio de wealth management no Brasil. O esforço valeu a pena. O UBS Brasil foi eleito o melhor banco de impact investing do país pela Euromoney em 2017.

  • Tânia Cosentino

    Presidente da Schneider Electric para América do Sul

    Ela entrou na Schneider em 2000 como gerente nacional de vendas de projetos e serviços. Em 2003, foi nomeada diretora de vendas e, em 2009, assumiu a presidência da subsidiária do Brasil – foi a primeira mulher a exercer essa função na empresa. Em 2013, novamente foi a primeira mulher a se tornar presidente da região América do Sul.

    Tânia ganhou destaque mundial em outubro, ao ser premiada pela ONU como um dos dez Pioneiros nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “Sempre tivemos uma grande preocupação com nosso impacto social e ambiental”, diz. Dos 17 ODS estipulados pelo Pacto Global, a Schneider alcançou 12 (entre eles, igualdade de gênero e energia limpa e acessível). Outra “vitória” foi a expansão da equipe de sustentabilidade. “Somos uma das poucas empresas do mundo a ter um núcleo dedicado a essa disciplina”, afirma.

    Tânia se diz uma ativista da diversidade. “Cumprimos as quotas de inclusão de pessoas com necessidades especiais, somos signatários dos direitos LGBT, temos um programa de inclusão de refugiados e começamos a trabalhar com mais foco na inclusão racial no Brasil.”

  • Teresa Perez

    Fundadora da Teresa Perez Tours

    Após 26 anos de sua fundação, a Teresa Perez Tours, operadora de turismo de luxo criada pela empresária de mesmo nome, continua fazendo história. Para enfrentar a crise que tomou conta do Brasil nos últimos anos, ela adotou estratégias alternativas. Uma delas foi a criação da Smart, uma linha de produtos voltada para turistas que buscam o serviço personalizado e sofisticado característico da operadora, mas que circunstancialmente não estão dispostos a arcar com os preços dos pacotes ultraluxuosos das outras categorias. Assim, Teresa diversificou sua carteira de agências clientes.

    A história da empresária segue a mesma linha, com base em criatividade, inovação e persistência. Após casar-se muito jovem, aos 20 anos, Teresa decidiu dedicar sua vida a cuidar da casa e de seus quatro filhos. Ao completar 36 anos, no entanto, a vocação empreendedora falou mais alto e ela correu atrás do sonho de atuar na indústria de turismo. Começou, então, a trabalhar como agente independente para, em 1991, dar o start no que mais tarde se tornaria o conceituado e premiado império Teresa Perez Tour.

Ana Maria Diniz

Presidente do Instituto Península

Desde 2010, o Instituto Península representa a atuação social da família Diniz. Um dos focos é a formação de professores, e para isso mantém parcerias com o MEC, secretarias de Educação e ONU. “Adotamos uma faculdade pequena, que tinha 150 alunos. Hoje são 1.300 – e já formamos 28 mil professores”, conta Ana Maria, filha do empresário Abilio Diniz, ao falar sobre o Instituto Singularidades. “O professor de hoje tem que mudar seu papel. Ele não é mais o detentor de conteúdo, ele é um mediador que vai ajudar a criança a trilhar seu caminho de evolução. A mágica acontece quando o professor consegue ser uma inspiração para os alunos.” O curso de pedagogia do Singularidades tirou nota máxima no Enade e, por dois anos seguidos (2015 e 2016), o instituto venceu o prêmio Top Educação na categoria de melhor instituição de ensino de pós-graduação para docentes.

Ana é conselheira e fundadora de vários movimentos ligados à educação. Um deles é o Parceiros da Educação, que incentiva empresários a adotar escolas públicas. “Adotar”, ela explica, significa ajudar na gestão (dando ferramentas e ensinando conceitos de gestão aos diretores de escolas), treinar e desenvolver professores (“orientamos os parceiros a colocar 80% dos recursos nesse pilar”), melhorar a infraestrutura e as instalações e, por fim, promover o envolvimento da escola com a comunidade. Só em São Paulo, o programa atua em mais de 260 escolas, impactando 85 mil alunos e 4 mil professores.

Ela também atua na iniciativa privada em várias frentes, de escolas de dança à geração de energia renovável.

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