10 empresas por trás dos maiores investidores do mundo

Ainda que muito do Top 10 deste ano pareça igual, esses movimentos – assim como um promissor mercado de IPOs para 2018 – sinalizam que há mais mudanças por vir nos próximos anos

O mercado de capital de risco apresentou um declínio no volume total de negócios fechados em 2017, ao mesmo tempo em que o valor total negociado no ano atingiu a maior alta desde a década de 2000. As empresas privadas continuaram a postergar suas saídas. A lista das 10 empresas que mais geraram valor a investidores de risco neste ano reflete essas macrotendências.

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Enquanto muitas empresas de tecnologia já conseguiram sinal verde para entrar no mercado acionário em 2018, caso do Spotify, Dropbox e MuleSoft, os principais negócios realizados no ano passado foram muito parecidos aos do ano anterior – normalmente empresas que ainda eram privadas em 2016 ou que já haviam se tornado públicas antes do ano passado. Porém, há duas mudanças notáveis na lista de principais empresas deste ano.

Em primeiro lugar, como previmos no ano passado, o Facebook finalmente saiu da lista Midas. Como realizou seu IPO em 2012, ele excedeu o limite de retrospectiva de 5 anos e não foi considerado. Com um IPO avaliado em mais de US$ 100 bilhões, o Facebook esteve entre os maiores geradores de valor para investidores de risco nos últimos cinco anos, e permaneceu o segundo maior na lista de 2017. Como resultado, a exclusão do Facebook afetou as posições de uma série de integrantes da lista de 2018, e impactou mais fortemente aqueles que têm um maior equilíbrio entre seu volume e seu valor de negócios. Apesar das poucas exceções, a exclusão do Facebook afetou principalmente aqueles que ficaram de fora do Top 10 no ano passado.

Em segundo lugar, as empresas chinesas se tornaram as principais geradoras de valor para os investidores da lista. Um recorde de sete das dez principais empresas dessa lista vieram da China, incluindo a Meituan-Dianping e a Toutiao, que fecharam rodadas de investimento significativas e substituíram o Facebook e outra empresa chinesa, a ZTO Express, no Top 10 deste ano. Além disso, segundo a empresa de dados do setor PitchBook, cinco dos dez maiores negócios de investimento de risco do ano passado vieram da China.

Ainda que muito do Top 10 deste ano pareça igual, esses movimentos – assim como um promissor mercado de IPOs para 2018 – sinalizam que há mais mudanças por vir nos próximos anos.

Veja, na galeria de fotos, as 10 principais empresas que foram fundamentais para os 100 maiores investidores de risco deste ano:

  • 1º) Alibaba Group Holding Ltd.

    O Alibaba permaneceu como o principal gerador de valor para os investidores da lista depois de seu IPO de US$ 25 bilhões em 2014 – o maior da história dos Estados Unidos.

    Recentemente, a empresa definiu como foco transformar o setor de varejo tradicional da China, avaliado em US$ 4 trilhões, por meio da tecnologia, o que significou a conexão de lojas de conveniência à internet com o uso do app do Alibaba, o Ling Shou Tong, e a melhoria dos sistemas de computação de pontos de venda físicos em algumas cidades. Além disso, a empresa continua sua expansão para novas áreas com sistemas operacionais de mobile e TV na internet. Mais recentemente, o Alibaba gerou vendas recordes de US$ 25 bilhões durante o anual “Singles’ Day” em novembro e, pela primeira vez, anunciou sua intenção de tornar o evento global “muito em breve”.

    Investidores da lista mais impulsionados pela empresa: Anton Levy, da General Atlantic (33º); Neil Shen, da Sequoia Capital (1º); e Scott Schleifer, da Tiger Global (34º)

  • 2º) Uber

    Apesar de uma série de contratempos durante o ano passado – que continuou este ano -, o Uber permanece como um dos principais geradores de valor para a lista de investidores de risco e uma das empresas privadas mais bem avaliadas do mundo.

    A indicação de um novo CEO, Dara Khosrowshahi, e o último aporte por meio de um consórcio liderado pelo SoftBank estão entre as mudanças mais positivas do ano passado, que têm o objetivo de conduzir a empresa em direção a um IPO em 2019. No entanto, as ações existentes do Softbank nas três maiores empresas do setor atrás do Uber – DiDi Chuxing, Ola e Grab – fazem com que alguns especulem que o aumento de suas ações no Uber podem resultar em uma fusão com um ou mais de seus concorrentes. Em março de 2018, a Grab anunciou uma fusão com as operações do Uber no sudeste asiático.

    Investidores da lista mais impulsionados pela empresa: Jeff Crowe, da Norwest Venture Partners (93º); John Doerr, da KPCB (29º); Bill Gurley, da Benchmark Capital (2º); Rob Hayes, da First Round Capital (17º); e Scott Sandell, da NEA (16º)

  • 3º) DiDi Chuxing

    A plataforma de caronas compartilhadas DiDi Chuxing subiu significativamente em relação ao ano passado, quando ocupava o 8º lugar, depois de fechar uma nova rodada de investimentos de US$ 4 bilhões em dezembro de 2017 com uma avaliação de US$ 56 bilhões. A operação fez dela a startup mais valiosa do mundo em janeiro de 2018, depois da conclusão do último investimento do SoftBank no Uber.

    Fundado em 2012, o DiDi rapidamente dominou o mercado chinês e consolidou sua posição de liderança em sua terra natal por meio da aquisição do negócio do Uber no país em 2016. Com seu último financiamento, o DiDi planeja investir em uma expansão geográfica mais profunda e no desenvolvimento de novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial, na qual o Uber já está mais adiantado. Notícias recentes sugerem que o DiDi está se articulando para estrear em novos mercados neste ano, incluindo México e Japão, onde continuará a enfrentar a concorrência do Uber.

    Investidores da lista mais impulsionados pela empresa: Scott Shleifer, da Tiger Global (34º), e Allen Zhu, da GSR Ventures (42º)

  • 4º) Snap Inc.

    Ainda que a estreia de US$ 3,4 bilhões da Snap na NYSE tenha sido bem recebida em 2017, um ano depois do IPO a empresa se tornou objeto de vigilância de investidores, analistas e consultores pela falta de expectativa de ganhos trimestrais, o iminente espectro de concorrência do Facebook/Instagram e o impacto da corrente crise das empresas de tecnologia de capital aberto nos Estados Unidos.

    A Snap teve o preço de suas ações impulsionado depois de reportar ganhos acima do esperado em fevereiro de 2018, devido ao forte engajamento e ao consequente aumento na receita média por usuário da rede. No entanto, a empresa continua a enfrentar ceticismo em relação à motivação dos funcionários e às significativas mudanças no design do Snapchat, que começaram a ser desenvolvidas no outono do hemisfério norte.

    Investidores da lista mais impulsionados pela empresa: Mitch Lasky, da Benchmark Capital (40º); Jeremy Liew, da Lightspeed Venture Partners (39º); Mary Meeker, da KPCB (6º); Dennis Phelps, da Institutional Venture Partners (18º); e Hemant Taneja, da General Catalyst (47º)

  • 5º) JD.com

    Além de ter permanecido como uma das maiores geradoras de valor para os investidores de risco neste ano, a JD.com, maior empresa de e-commerce da China depois do Alibaba, continuou a aumentar a concorrência contra a gigante global.

    Em novembro de 2017, junto com o histórico “Singles’ Day” do Alibaba, a JD.com revelou impressionantes US$ 19,2 bilhões em vendas no mesmo dia. Ainda que os números não tenham alcançado o recorde de US$ 25 milhões do Alibaba, as estatísticas do mercado indicam que o JD.com é um concorrente em crescimento, apesar de ser significativamente menor em tamanho. Segundo o grupo de consultoria iResearch, o JD.com alcançou cerca de 25% do mercado de consumidores do comércio eletrônico, contra 55% do Alibaba.

    Investidores da lista mais impulsionados pela empresa: Mary Meeker, da KPCB (6º); Neil Shen, da Sequoia Capital (1º); e Scott Shleifer, da Tiger Global (34º)

  • 6º) Beijing Xiaomi Technology Co. Ltd.

    Fundada em 2010, a Xiaomi Inc., literalmente traduzida para o português como “pequeno arroz”, deixou de ser uma fabricante de smartphones e eletrônicos acessíveis e uma empresa de software para se tornar uma companhia que vende de tudo, de purificadores de ar a biscoitos de arroz.

    A empresa está, supostamente, mirando uma abertura de capital em 2018 que poderia elevar sua avaliação para até US$ 100 bilhões, o que corresponderia ao maior IPO desde a estreia do Alibaba no mercado. Depois de uma expansão desafiadora para o Brasil, que fez a participação de mercado da empresa cair em 2016, a Xiaomi renovou seu modelo de vendas e focou em mercados selecionados, incluindo oportunidades na Índia. E parece ter se recuperado rapidamente, já que excedeu seu objetivo anual de vendas de US$ 15 bilhões em outubro do ano passado.

    Investidores da lista mais impulsionados pela empresa: Jim Breyer, da Breyer Capital (57º); Xiaojun Li, da IDG Capital Partners (23º); e Yuri Milner, da Digital Sky Technologies (52º)

  • 7º) Airbnb

    Logo antes de aparecer em 9º lugar no Top 10 do ano passado, o Airbnb fechou uma rodada de investimentos adicional de US$ 1 bilhão, que avaliou a empresa em US$ 31 bilhões e causou a ascensão na lista deste ano.

    O Airbnb tem sido considerado um forte candidato ao IPO em 2018. Mas, em fevereiro, depois da renúncia de seu CFO, o fundador e CEO do Airbnb Brian Chesky refutou esse cronograma e confirmou os planos da empresa de continuar construindo seus negócios como uma companhia privada, incluindo a contratação de sua primeira COO, Belinda Johnson, e primeiro diretor de conselho independente, o ex-executivo da American Express Ken Chenault.

    Ainda que a empresa continue a enfrentar desafios regulatórios, e que o seu cronograma para um IPO não seja claro, o veículo especializado “Recode” reportou recentemente que o Airbnb alcançou lucratividade o ano todo em 2017 graças, em parte, à sua expansão para a China e à adição de novos produtos, como ofertas de experiências de viagens.

    Investidores da lista mais impulsionados pela empresa: Joel Cutler, da General Catalyst (69º); Jeffrey Jordan, da Andreessen Horowitz (25º); Alfred Lin, da Sequoia Capital (32º); Mary Meeker, da KPCB (6º); Yuri Milner, da Digital Sky Technologies (52º); e Peter Thiel, do Founders Fund (67º)

  • 8º) China Internet Plus (atua como Meituan-Dianping)

    A Meituan-Dianping foi criada em 2015 por meio da fusão multibilionária de duas empresas e é conhecida por ser pioneira no mercado O2O (offline para online) da China, em que as indústrias de comércio físico são conectadas a consumidores por meio da internet e de dispositivos móveis. A empresa estreou no Top 10 neste ano depois de uma rodada de investimentos de US$ 4 bilhões levantados por uma série de titãs da indústria, incluindo a Tencent e a empresa de viagens Priceline, além de vários investidores de risco conhecidos.

    Desde a fusão de suas duas empresas originais, a Meituan-Dianping cresceu e se tornou o maior grupo de compras da China por volume bruto de produtos, e recebe 20 milhões de usuários móveis por dia em mais de mil cidades. Ainda que fosse originalmente focada em descontos para grupos via uma plataforma similar à da norte-americana Groupon, a empresa expandiu muito para incluir um marketplace para fornecedores locais (como hotéis, restaurantes e estabelecimentos de entretenimento) e até entrou no mercado de corridas compartilhadas como um concorrente do DiDi.

    Investidores da lista mais impulsionados pela empresa: JP Gan, da Qiming Venture Partners (8º); Anton Levy, da General Atlantic (33º); James Mi, da Lightspeed Venture Partners (59º); e Neil Shen, da Sequoia Capital (1º)

  • 9º) WhatsApp

    Enquanto o WhatsApp se aproxima de seu quinto ano sob propriedade do Facebook, que o adquiriu pelo valor recorde de US$ 21,8 bilhões em 2014, a empresa caiu levemente em termos de impacto sobre os investidores de risco da lista. Porém, continuou a crescer.

    A plataforma de mensagens móveis lançou recentemente um app dedicado a negócios em alguns países, incluindo Indonésia, Itália, México, Reino Unido e Estados Unidos, que tem como objetivo oferecer ferramentas para mensagens e engajamento da comunidade business para melhorar a forma de comunicação com os consumidores em larga escala. O lançamento representa o primeiro passo concreto do WhatsApp para monetizar a sua plataforma, que atualmente tem 1,3 bilhão de usuários mensais ao redor do mundo.

    Investidores da lista mais impulsionados pela empresa: Jim Goetz, da Sequoia Capital (3º)

  • 10º) Toutiao

    Jinri Toutiao, o app que agrega notícias de propriedade da empresa controladora Beijing Bytedance Technology, conquistou um crescimento fenomenal desde a sua fundação em 2012. A empresa traz mais de 700 milhões de usuários a seus feeds de notícias personalizados, que ela alega que funcionam com inteligência artificial e algoritmos únicos capazes de compreender completamente as preferências específicas de um usuário em apenas 24 horas.

    A popularidade repentina do Toutiao fez da empresa um alvo natural para investidores, compradores em potencial – e, como é cada vez mais o caso na China, censores e reguladores. Segundo o “New York Times”, só neste ano o Toutiao derrubou ou suspendeu temporariamente as contas de mais de 1.100 blogueiros em resposta às reclamações do principal regulador da internet na China sobre conteúdo. Ainda que o Toutiao caminhe sobre uma linha delicada com o governo chinês, o app tem encontrado forte demanda na China por conteúdo de mídia, e a empresa tem levantado fundos rapidamente para apoiar sua plataforma crescente. Em abril de 2017, levantou US$ 1 bilhão em uma rodada de investimentos e foi avaliado em mais de US$ 20 bilhões, além de supostamente ter começado a trabalhar em um novo aporte de US$ 2 bilhões em agosto do ano passado.

    Investidores da lista mais impulsionados pela empresa: Yi Cao, da Source Code Capital (73º), e Neil Shen, da Sequoia Capital (1º)

1º) Alibaba Group Holding Ltd.

O Alibaba permaneceu como o principal gerador de valor para os investidores da lista depois de seu IPO de US$ 25 bilhões em 2014 – o maior da história dos Estados Unidos.

Recentemente, a empresa definiu como foco transformar o setor de varejo tradicional da China, avaliado em US$ 4 trilhões, por meio da tecnologia, o que significou a conexão de lojas de conveniência à internet com o uso do app do Alibaba, o Ling Shou Tong, e a melhoria dos sistemas de computação de pontos de venda físicos em algumas cidades. Além disso, a empresa continua sua expansão para novas áreas com sistemas operacionais de mobile e TV na internet. Mais recentemente, o Alibaba gerou vendas recordes de US$ 25 bilhões durante o anual “Singles’ Day” em novembro e, pela primeira vez, anunciou sua intenção de tornar o evento global “muito em breve”.

Investidores da lista mais impulsionados pela empresa: Anton Levy, da General Atlantic (33º); Neil Shen, da Sequoia Capital (1º); e Scott Schleifer, da Tiger Global (34º)

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